Este da América do Sul, mais propriamente de Buenos Aires, fascina-me.
domingo, fevereiro 26, 2006
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Tudo boas raparigas.

No mood de Hong Kong tiram-se os sapatos a quem é raptado. Descalça-se a vitima e deixa-se a prova no local onde a liberdade voou. Para além de confirmar às autoridades que foi mesmo um rapto, dificulta uma eventual tentativa de fuga, e, já agora, também serve como humilhação ao amarrado.
- Já reparaste que máfia é feminino?
- Vê lá se queres que te parta os polegares.
Fotografia: Fa yeung nin wa (In the mood for love), Wong Kar-Wai - 2000
No mood de Hong Kong tiram-se os sapatos a quem é raptado. Descalça-se a vitima e deixa-se a prova no local onde a liberdade voou. Para além de confirmar às autoridades que foi mesmo um rapto, dificulta uma eventual tentativa de fuga, e, já agora, também serve como humilhação ao amarrado.
- Já reparaste que máfia é feminino?
- Vê lá se queres que te parta os polegares.
Fotografia: Fa yeung nin wa (In the mood for love), Wong Kar-Wai - 2000
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
terça-feira, fevereiro 21, 2006
Penalti.

Os defeitos e as marcas do uso são a melhor coisa da casa da minha mãe, que era a dos meus pais e que veio da minha avó. Conheço-os de cor e passo-lhes a mão sempre que lá vou à dobrada de Domingo. Marcas no chão com cheiro a cera ou riscos nas portas abrem-me o apetite para os mesmos talheres e as mesmas pegas.
Lembro-me dum desses almoços em que o meu tio Camilo explicou o que era um lambaz. Segundo ele, é um pano de taberneiro que serve para limpar tanto o balcão, como mesas ou facas gastas e fundos de copo. É uma espécie de costas de mão que tanto alivia os bigodes do morangueiro como manda embora um desgadelhado.
Fotografia: Henri Cartier Bresson
Os defeitos e as marcas do uso são a melhor coisa da casa da minha mãe, que era a dos meus pais e que veio da minha avó. Conheço-os de cor e passo-lhes a mão sempre que lá vou à dobrada de Domingo. Marcas no chão com cheiro a cera ou riscos nas portas abrem-me o apetite para os mesmos talheres e as mesmas pegas.
Lembro-me dum desses almoços em que o meu tio Camilo explicou o que era um lambaz. Segundo ele, é um pano de taberneiro que serve para limpar tanto o balcão, como mesas ou facas gastas e fundos de copo. É uma espécie de costas de mão que tanto alivia os bigodes do morangueiro como manda embora um desgadelhado.
Fotografia: Henri Cartier Bresson
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
domingo, fevereiro 19, 2006
Frida.

Tenho um problema: gosto mais das coisas profundas do que das outras. Histórias de Amor, por exemplo, prefiro as de Shakespeare ou Goethe. Se não forem as destes prefiro as reais como a de Frida Kahlo e Diego Rivera.
As coisas que merecem a pena chegam, tantas vezes, embrulhadas em lágrimas.
O objectivo deste blog não é a infinite sadness é antes o contrário, o caminho pode não ser o mais curto mas é o que me parece melhor.
Tenho um problema: gosto mais das coisas profundas do que das outras. Histórias de Amor, por exemplo, prefiro as de Shakespeare ou Goethe. Se não forem as destes prefiro as reais como a de Frida Kahlo e Diego Rivera.
As coisas que merecem a pena chegam, tantas vezes, embrulhadas em lágrimas.
O objectivo deste blog não é a infinite sadness é antes o contrário, o caminho pode não ser o mais curto mas é o que me parece melhor.
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
As aparências e as ilusões.

Os nossos dias deviam ter legendas ou mesmo voz off como as séries fraquinhas. Palavras que dissessem coisas longe da verdade como as filhas de um mau tradutor. Ou vozes demasiado graves para serem a da nossa inconsciência. No fundo devia haver qualquer coisa que se assemelhasse a um amigo adolescente em que nada lhe cabe na boca. Daqueles que nos desmascaram todas as fraquezas a quem devem.
Fotografia: Mario Testino
Os nossos dias deviam ter legendas ou mesmo voz off como as séries fraquinhas. Palavras que dissessem coisas longe da verdade como as filhas de um mau tradutor. Ou vozes demasiado graves para serem a da nossa inconsciência. No fundo devia haver qualquer coisa que se assemelhasse a um amigo adolescente em que nada lhe cabe na boca. Daqueles que nos desmascaram todas as fraquezas a quem devem.
Fotografia: Mario Testino
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
As almas não precisam de dietas.

Desde pequeno que me lembro de ouvir coisas acerca dos castigos fora de horas. Até a justiça reclama o seu açoite dentro de um prazo razoável. A gravidade deve punir-se a quente, antes de tudo, se for uma reprimenda de bom senso.
Mas nem tudo é assim tão urgente. Para uma alma esfomeada qualquer obrigado serve, e se for de um dia para o outro parece que ainda sabe melhor, como os pratos rechonchudos.
Fotografia: Robert Capa
Desde pequeno que me lembro de ouvir coisas acerca dos castigos fora de horas. Até a justiça reclama o seu açoite dentro de um prazo razoável. A gravidade deve punir-se a quente, antes de tudo, se for uma reprimenda de bom senso.
Mas nem tudo é assim tão urgente. Para uma alma esfomeada qualquer obrigado serve, e se for de um dia para o outro parece que ainda sabe melhor, como os pratos rechonchudos.
Fotografia: Robert Capa
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Vais para que andar?

Sei que todas as pessoas têm momentos de puro delírio como os que os espelhos de elevador testemunham. Caretas, caras de sedução e de mau, de bailarinos e de assanhado. Gritinhos e parvoíces que deslumbrariam quem visse. É aí que vemos o quanto bons actores poderíamos ser.
Irrita-me nunca ver as tuas. No fundo essa parte de genuinidade nunca me pertencerá. Nem a mim, nem a ninguém, é o que me vale.
Devia ser um Deus, mesmo amador, que conseguisse estar em todos os teus lados.
Fotografia: Henri Cartier Bresson
Sei que todas as pessoas têm momentos de puro delírio como os que os espelhos de elevador testemunham. Caretas, caras de sedução e de mau, de bailarinos e de assanhado. Gritinhos e parvoíces que deslumbrariam quem visse. É aí que vemos o quanto bons actores poderíamos ser.
Irrita-me nunca ver as tuas. No fundo essa parte de genuinidade nunca me pertencerá. Nem a mim, nem a ninguém, é o que me vale.
Devia ser um Deus, mesmo amador, que conseguisse estar em todos os teus lados.
Fotografia: Henri Cartier Bresson
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Dias Coveiros.

Doem-me as mãos, mas não posso largar assim o coração a escaldar. Já percebi que esta despedida é muito maior do que pensava. Vou sentar-me, sentar talvez não seja boa ideia, vou ficar aqui encostado à porta da cozinha.
Agora pára de chorar e pede-me coisas impossíveis. Convence-me que daqui a muitos anos, talvez até quando já houverem filhos de outros, nós nos revisitaremos com sorrisos de Domingo e roupas falsas.
Pede-me, por favor, para esquecer a espécie de doença que nos amputa o resto das noites. Diz-me que saia e que leve as fotografias onde estou melhor. Segundo tu, estas farão falta para quem vier perceber o quanto irás morrer pela minha lonjura.
Fotografia: Henri Cartier Bresson
Doem-me as mãos, mas não posso largar assim o coração a escaldar. Já percebi que esta despedida é muito maior do que pensava. Vou sentar-me, sentar talvez não seja boa ideia, vou ficar aqui encostado à porta da cozinha.
Agora pára de chorar e pede-me coisas impossíveis. Convence-me que daqui a muitos anos, talvez até quando já houverem filhos de outros, nós nos revisitaremos com sorrisos de Domingo e roupas falsas.
Pede-me, por favor, para esquecer a espécie de doença que nos amputa o resto das noites. Diz-me que saia e que leve as fotografias onde estou melhor. Segundo tu, estas farão falta para quem vier perceber o quanto irás morrer pela minha lonjura.
Fotografia: Henri Cartier Bresson
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Nada iria ser como depois.

Imagino-me casado contigo. Numa destas relações modernas, em que, por exemplo, seria eu a vazar a máquina da tua roupa interior. Novamente a desdobrá-la e a expô-la ao vento que nunca me saiu da cabeça. Tenho as mãos a tremer, húmidas e sem vergonha nenhuma.
Fotografia: Peter Lindbergh
Imagino-me casado contigo. Numa destas relações modernas, em que, por exemplo, seria eu a vazar a máquina da tua roupa interior. Novamente a desdobrá-la e a expô-la ao vento que nunca me saiu da cabeça. Tenho as mãos a tremer, húmidas e sem vergonha nenhuma.
Fotografia: Peter Lindbergh
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Pai?

Quando era criança lembro-me de perder de vista os meus pais. Olhava à volta e só via pânico, depois descobria o meu pai a sorrir sentado na mesma cadeira da esplanada.
Era o fim do mundo e uma aparição divina, ali, em menos de 10 segundos.
No fundo era uma explicação da própria vida e nem eram precisas palavras.
Fotografia: Peter Lindbergh
Quando era criança lembro-me de perder de vista os meus pais. Olhava à volta e só via pânico, depois descobria o meu pai a sorrir sentado na mesma cadeira da esplanada.
Era o fim do mundo e uma aparição divina, ali, em menos de 10 segundos.
No fundo era uma explicação da própria vida e nem eram precisas palavras.
Fotografia: Peter Lindbergh
terça-feira, janeiro 24, 2006
Sindroma de Estocolmo.

No dia 23 de Agosto de 1973, três mulheres e um homem foram feitos reféns num assalto a um banco de Estocolmo. O rapto durou 6 dias.
No final os reféns acabaram por desenvolver uma relação especial com os raptores e duas das mulheres acabaram por casar com eles.
Fotografia: Herb Ritts.
No dia 23 de Agosto de 1973, três mulheres e um homem foram feitos reféns num assalto a um banco de Estocolmo. O rapto durou 6 dias.
No final os reféns acabaram por desenvolver uma relação especial com os raptores e duas das mulheres acabaram por casar com eles.
Fotografia: Herb Ritts.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
A idade e o peso.

Dentre as coisas que não sei lidar, o peso na consciência de ter alterado o destino de alguém é das maiores. Sei que a minha gestação e nascimento alteraram o da minha mãe para diante. Mas esse não me vem pedir contas, afinal delas não tive a culpa.
Agora os outros é que não sei. Que legitimidade tive eu de ter estudado e saído à noite com aquelas pessoas? Interferido nas bocas novas, dito as verdades da altura e prometido mundos sem fundo? E a responsabilidade de convencer alguém do que vejo?
Até as moedas que dou a um arrumador fazem parte da sua morte a prestações.
Terei o direito de alterar alguma coisa?
Não quero mudar nenhum mundo, por mais pequeno que seja.
O meu destino deveria ser apenas um anfitrião exímio em dizer que não estou.
Fotografia: Herb Ritts.
Dentre as coisas que não sei lidar, o peso na consciência de ter alterado o destino de alguém é das maiores. Sei que a minha gestação e nascimento alteraram o da minha mãe para diante. Mas esse não me vem pedir contas, afinal delas não tive a culpa.
Agora os outros é que não sei. Que legitimidade tive eu de ter estudado e saído à noite com aquelas pessoas? Interferido nas bocas novas, dito as verdades da altura e prometido mundos sem fundo? E a responsabilidade de convencer alguém do que vejo?
Até as moedas que dou a um arrumador fazem parte da sua morte a prestações.
Terei o direito de alterar alguma coisa?
Não quero mudar nenhum mundo, por mais pequeno que seja.
O meu destino deveria ser apenas um anfitrião exímio em dizer que não estou.
Fotografia: Herb Ritts.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
quarta-feira, janeiro 18, 2006
Senhoras e senhor.

Ouço vozes. Apresentam-te como se a minha vida fosse um programa de variedades com demasiadas lantejoulas. Numa sala com fumo e ao mesmo tempo num coreto de Inverno. Bebi demais, as palavras começam a ser demasiado redondas para a língua. Há palermices como uma banda de carecas e bolinhos picantes ao lado dos beijinhos.
A tua voz na minha cabeça sem se calar ou esmorecer. Tombada como o vinho da fartura. O meu peito é uma miséria engravatada.
Ouço vozes. Apresentam-te como se a minha vida fosse um programa de variedades com demasiadas lantejoulas. Numa sala com fumo e ao mesmo tempo num coreto de Inverno. Bebi demais, as palavras começam a ser demasiado redondas para a língua. Há palermices como uma banda de carecas e bolinhos picantes ao lado dos beijinhos.
A tua voz na minha cabeça sem se calar ou esmorecer. Tombada como o vinho da fartura. O meu peito é uma miséria engravatada.
terça-feira, janeiro 17, 2006
A Quai.

Gosto de máquinas. Um acordeão ou uma bomba de tirar água servem na perfeição para me distrair. Se pudesse parava em todas as esquinas a observar coisas que não compreendo. Fascinado como alguém com dois anos a recolher insectos ou beatas.
E automatismos? O coração a acelerar no final como uma música cigana ou um grito de presa. Dançarinos empenhados em rodas vivas e vestidos suados, a rir e a ajeitar o que resta do penteado.
Sacode o decote e pede-me para te soprar a nuca. Isto é apenas um intervalo.
Fotografia: All is full of Love - Bjork.
Gosto de máquinas. Um acordeão ou uma bomba de tirar água servem na perfeição para me distrair. Se pudesse parava em todas as esquinas a observar coisas que não compreendo. Fascinado como alguém com dois anos a recolher insectos ou beatas.
E automatismos? O coração a acelerar no final como uma música cigana ou um grito de presa. Dançarinos empenhados em rodas vivas e vestidos suados, a rir e a ajeitar o que resta do penteado.
Sacode o decote e pede-me para te soprar a nuca. Isto é apenas um intervalo.
Fotografia: All is full of Love - Bjork.
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Rubor.

Transformas-me em qualquer coisa que não sou bem eu quando nos encontramos. Parece que recolho para dar lugar a alguém que vai fazer boa figura por mim. Coro, sorrio, digo coisas que nunca soube e guardo as migalhas das tuas frases.
Fico atrás das palavras que te servem de entretenimento. A estimar-te como quem adormece um filho com pouca febre.
Fotografia: Helmut Newton.
Transformas-me em qualquer coisa que não sou bem eu quando nos encontramos. Parece que recolho para dar lugar a alguém que vai fazer boa figura por mim. Coro, sorrio, digo coisas que nunca soube e guardo as migalhas das tuas frases.
Fico atrás das palavras que te servem de entretenimento. A estimar-te como quem adormece um filho com pouca febre.
Fotografia: Helmut Newton.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Até amanhã.

Uma vez escrevi: A paixão não é uma mentira, é uma verdade esfarrapada. Há pouco tempo recebi um e-mail de alguém que ao ler o Estranho Amor a encontrou e que me perguntava se a dita era minha. Eu disse que sim, meio a admirá-la, meio a lembrar-me do que a inspirou.
Depois lembrei-me dos dias em que o peito nos estala de ansiedade e em que ouvimos um hoje não vai dar porque é o aniversário da minha tia. Recordo-me da perdição, rancor e nulidade dessas horas que não passam, do desespero que é um agora só amanhã. O mundo acaba nesse telefonema. O céu nunca esteve tão perto de nos enterrar.
Fotografia: Helmut Newton.
Uma vez escrevi: A paixão não é uma mentira, é uma verdade esfarrapada. Há pouco tempo recebi um e-mail de alguém que ao ler o Estranho Amor a encontrou e que me perguntava se a dita era minha. Eu disse que sim, meio a admirá-la, meio a lembrar-me do que a inspirou.
Depois lembrei-me dos dias em que o peito nos estala de ansiedade e em que ouvimos um hoje não vai dar porque é o aniversário da minha tia. Recordo-me da perdição, rancor e nulidade dessas horas que não passam, do desespero que é um agora só amanhã. O mundo acaba nesse telefonema. O céu nunca esteve tão perto de nos enterrar.
Fotografia: Helmut Newton.
terça-feira, janeiro 10, 2006
Cottonmouth.
Às vezes até uma alcunha serve para nos colocar o organismo em colapso. Não tem a ver com o veneno ou com a serpente, tem a ver com as saudades.
Tem a ver com ataque, com ferocidade e com as tangentes da morte.
domingo, janeiro 08, 2006
Arquivo vivo.
O tempo valoriza as memórias tal como faz com o vinho. Assalta-me cada vez com mais frequência o medo de perder alguma das minhas. Bater com a cabeça ou ter uma doença com nome alemão são coisas que me fazem tremer a perna. Ainda hoje pensei em salvaguardar algumas por escrito mas a inércia ganha sempre aos poucos.
Depois lembrei-me que pior que perder as minhas era perder as tuas. E já agora as de todos quanto amei. Seria quase uma falta de respeito para com os anos que subi a pé.
Nada me faz mais falta do que aquilo que já tenho.
Fotografia: Helmut Newton.
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Adeus.
Entre os hábitos que perdi com o crescimento, há um que vou retomar um dia destes: passar a usar lenço. Tal como o meu pai e o meu avô, também eu fui influenciado, a partir de certa altura, a sair de casa com um quadradinho de tecido engomado em muitas partes.
Serviam para tanto que nem sei porque os deixei para trás.
Nas horas de adeus, e nas outras, não quero cá coisas em papel. Quero carne, lágrimas e algo que me ensope a alma. Quero coisas com o meu cheiro e com o meu desmazelo.
Fotografia: Getty Images
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Passa outro e até parece o mesmo.
Há dias em que nada acontece. Nesses, a vida limita-se a completar o calendário. Existem porque sim e ela esperançada num depois melhor. Para amanhã, nada a declarar.
Às vezes gosto desta madorna. O excesso de tempo lembra-me sempre um relógio apressado de amante.
- Novidades? Ninguém morreu, fugiu, bateu com o carro ou foi apanhado com outro na cama?
- Não, nada. Hoje nem as flores do adro mudaram.
Fotografia: Helmut Newton.
segunda-feira, janeiro 02, 2006
Perdição.
Tenho pena de pessoas dependentes de um único vício ou virtude. Sobre elas pende o desespero fácil do destino ou um acumulador de frustrações. Nada há de mais triste que um escritor falhado ou um músico de metropolitano.
Apenas percebo um homem ou uma mulher que pintem a vida e o cabelo de preto para agradar a alguém que os roubou.
Fotografia: Helmut Newton.
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