segunda-feira, novembro 15, 2010

Levei muita porrada. Por tudo e por nada o meu marido batia-me. A minha história parece a história que toda a gente espera deste tipo.

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Bebia e chegava a casa com a mesma disposição constantemente: pegar por isto e por aquilo - podia ser um esfregão por arrumar ou a falta de vinho fresco. Uma vez quis mandar-me da varanda mas agarrei-me com tanta força que no dia a seguir tinha os pulsos da grossura dos pés da mesa da sala. Depois desse dia decidi que não deixaria que me matasse fosse como fosse. Deitava as crianças às sete porque ele chegava por volta das oito e eu não queria que elas ouvissem a cegada do dia. O mais velho pedia-me para não ir tão cedo para a cama porque o pai gritava e ele ficava nervoso. Expliquei-lhe que os gritos eram por causa do Sporting que jogava e que o pai vibrava com a bola.

Quando éramos novos e pouco havia para comer, ele fechava os seus restos privilegiados numa gaveta, à chave. Quando se reformou recebeu dinheiro da fábrica e pensou que estava rico. Talvez pela forma como me tratou a vida toda, pensou que eu morreria primeiro. Depois da indemnização andava feliz e certa vez comentou: deixa minha mulher que eu ainda vou fazer bom uso deste dinheiro. Tenho pena que estejas tão acabada e que não possas aproveitar também, mas não faz mal. Se calhar até é melhor assim, não fosses tu gastá-lo mais do que devias como sempre fizeste. Morreu de repente três dias depois de fazer esta conversa.

Às vezes levava porrada e passada uma hora estávamos a fazer amor. Nunca o deixei porque adorava-o.

O dinheiro serviu para ajudar os filhos quando foi preciso. Ainda tenho algum que serve para passear e comprar coisas que me fazem lembrá-lo mais à tourada que seria se fosse vivo.

sexta-feira, outubro 22, 2010

François Boucher


François Boucher - Leda e o sisne, 1740.

No século XVIII era assim o repouso dalgumas raparigas e a cabeça do grande pintor.

terça-feira, setembro 28, 2010

I’m bed, who’s bed?

Gosto da cama por fazer. Assim parece que andas aqui por casa. Antes de voltares vou fazê-la à pressa, não vás tu não perceber o desarrumo como compensação.

terça-feira, setembro 21, 2010

Ir ao tapete.

segunda-feira, setembro 13, 2010

You know who I am.



Classe.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Compromissos publicitários.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Quanto baste.

Gostava de fazer amor com ele e de conseguir sentir o cheiro leve dos temperos do jantar nos seus dedos. E gostava de pensar que a cumplicidade era uma coisa fraca comparada com aquela fome.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Bendita água.


A Perrier e a sede e o amor e as experiências. Um site que é uma mansão, com Dita Von Tesse.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Depois das férias.


Cyperus papyrus

O mato toma conta de tudo e este blogue mais parece um quintal sem os cuidados devidos.

Bem, é começar por uma ponta, a limpeza.

quarta-feira, julho 28, 2010

Obra prima.



Tanto tempo ausente e vir aqui por isto. Só pode valer a pena, pensam os leitores e bem.

The Top - Francis and the Lights

segunda-feira, julho 26, 2010

És bonita?

Os velhos são todos iguais.

quinta-feira, maio 27, 2010

The End.

Quero ir lá para a frente, para ao pé das letras, para ver como se vê de lá. Anda, vamos os dois.

Nunca fiques na primeira fila, daqui não se consegue alcançar tudo.

Gosto de estar aqui porque ninguém disse que não se podia. Agora estão a olhar como se não pudesse. Embora. Nunca te esqueças – aqui à frente não.

Traz o balde das pipocas que a senhora não é nossa criada.

P.S. Este blogue não está a acabar. Penso até que é capaz de estar a acordar outra vez.
Não é certinho como o destino, daí o fascínio.



Salvador Dali e Walt Disney, uma mistura que ninguém desconfia.

quarta-feira, março 31, 2010

Mãe dixit:
Acho mal empregado o tempo em que estou a dormir. É porque não estou a ver coisas e isso.

sexta-feira, março 26, 2010

É matemático.

terça-feira, março 09, 2010

Nunca se saberá.



Pareço um Cristo - acho que podias pôr-me ao peito. Para balançar perto do teu coração ou sossegar na tua pele adocicada pela tarde.

É curiosa esta dualidade, ora coração ora mamas. O que muda não está em ti, está na minha cabeça e nas circunstâncias do que me apetece, ou preciso.

E as velhas que põem fotos sépia do marido nos fios? Achas que é para estarem perto do tal órgão ou do delírio?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Buro Destruct.

Pedem-te uma certidão de nascimento, como se a tua presença fosse uma miragem ou um contacto com o sobrenatural.

Compreendo.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Até amanhã.

Podia haver um fado que tinha a mãe no hospital (mãezinha se fosse dos bons).

E se fosse o meu - que eu sei disso - e por isso posso escrever?

Ter a mãe no hospital não é como nas histórias da especialidade. Há lá uma calma e uma sapiência no ar que me escapam. Há coisas fortes que não se vêm - umas vezes porque não se mexem, outras porque andam escondidas dentro de cada um.

Disseram-me que ia ficar assim a dormir até amanhã e que a máquina – essa sim parecida com as da televisão – era só para vigilância.

Amanhã é que é. O tempo que passei deu para imaginar uma cor mais longe da terra para as paredes.

Não quero a simpatia das enfermeiras nem as toalhas lavadas com afinco. Quero as coisas do costume.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Uma frase:

Embora fingir que estamos a fazer amor.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Excesso de virtude.

Estou à espera que o tempo passe e não há meio. Às vezes é a correr, outras é o diabo. O teu corpo é admirável sobre tantas vistas que só com o tempo ficarei descansado. Bem sei que o que vejo e sinto é só meu, mas nunca fiando.

Espero que a idade te roube a perfeição para não haver confusões. Antigamente era mais depressa, com o Sol e o vento a gastar a pele. Agora são os ares condicionados, os cremes e as cadeiras caras que atordoam esse consumo. A canseira que será até seres só para os meus olhos.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Is this real life?

quarta-feira, setembro 23, 2009

Este blogue não é lá muito poliamor (o que não tem mal nenhum). E, caso fosse, usava o crachá.

Percebe-se que este post foi escrito numa altura em que não há grande encanto à porta, certo?

Mas lá que é um belíssimo post, lá isso é.

terça-feira, setembro 01, 2009

Logo, durmo mais descansado.

Eu podia ser uma história má daquelas que se têm que repetir a toda a gente que aparece. Como um desastre em que toda a família quer saber pormenores.

Só que há um filho que se ri demasiadas vezes para ser infeliz. Sou capaz de me aguentar anos a fio para lhe encher os olhos de boas recordações. Para isso e para lhe dizer o que vale a pena, ou não, guardar lá de casa.

Logo, a minha vida tem que seguir com o aprumo de uma tesoura de alfaiate.

segunda-feira, agosto 17, 2009

Um homónimo que me agrada.

Isto é bom.

João Coração - Agarra em Mim

terça-feira, junho 23, 2009

Para mim, não há pai.

E, se de repente, começasse a dar valor às pequenas incongruências domésticas como na infância?

Porque é que o meu pai punha a carteira em cima do guarda-vestidos? Para que serve um esfregão arrumado por detrás do cano do bidé? E a gaveta das canetas e das agendas – aposto que estão lá porta-chaves de plástico, relógios sem pilha e moedas que já não valem o que valiam. Se quiser, posso limpá-las com vinagre que ficam novas outra vez.

Afinal a minha mãe continua a fazer bainhas como ninguém e o Sol no quintal continua a pôr-se a jeito para jogar à bola. Só que agora sou eu que fico no lado do pai, com um portão, pouco mais pequeno que uma baliza a sério, para defender.

segunda-feira, abril 20, 2009

Gente que gosta de mim - tenho e sempre tive.

Diz adeus com as duas mãos como as crianças. A testa morna com o Sol da manhã e o seu perfume leve como a espuma do banho que não ardeu em lado nenhum.

E o brilho dessa luz que vinha nos olhos e nas tais mãos que eram duas mas eram poucas para o tamanho das saudades que já adivinhavas.

Um adeus com duas mãos – nunca terei nenhum como o teu.

Gente que gosta de mim – vou aproveitar enquanto ninguém percebe que não sou tão bom assim de merecer.

quinta-feira, abril 02, 2009

O velhote que rosnava.



Trailer de Gran Torino de Clint Eastwood.

É sempre bom recordar.

quarta-feira, abril 01, 2009

Álvaro - o que a todos está atento.


Faltam-me oito anos para a idade que o meu pai tinha quando morreu. Cada dia está mais perto desse casamento entre a minha idade e a estranheza que será recordá-lo com os meus anos ou mais novo.

Até agora pensei que a sua perda me tinha dado arcaboiço para enfrentar o tempo e as vicissitudes inerentes. Ri-me de quem se queixava de problemas, e da maior parte destes.

Vacinado.

Mas o tempo, sempre esse, tem-me mostrado alguns efeitos secundários. Ficar frio ou impávido começa a ser parecido. As lágrimas cavam os regos que dantes só apareciam quando sorria (acho até que as rugas servem para lhes facilitar o caminho da queda).

Vi um filme em que um velhote rosnava porque o mundo se juntava para o enervar. Tenho medo de ficar como ele, na pele e no desprezo. Eu pensava que sabia muito da vida e da morte, e aquele personagem também.

terça-feira, março 17, 2009

How does it feel?



Bob Dylan em 1966, numa interpretação daquela que é considerada por muitos como a melhor canção escrita até hoje Like a Rolling Stone.

Não é bonito nem canta bem, mas o que tinha dentro fez estes 8 minutos imortais.