quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Numa conversa com um tio muito doente:

- Então tio, como é?

- Olha é como de costume, para a frente é que é o caminho.
Registo.



Alguém, em casa a tocar Bodies dos Smashing Pumpkins.

Amadores ou Amadoras, bem-vindos aos dias de primavera.

Cast the pearls aside of a simple life of need
Come into my life forever
The crumbled cities stand as known
Of the sights that you have been shown
Of the hurt you call your own

Love is suicide

The empty bodies stand at rest
Casualties of their own flesh
Afflicted by their dispossession
But nobody's ever knew
No bodies
Nobody's felt like you
No bodies

Love is suicide

Now we drive the night to the ironies of peace
You can't help deny forever
The tragedies reside in you
The secret sights hide in you
The lonely nights divide you in two
All my blisters now revealed
In the darkness of my dreams
In the spaces in between us
But nobody's ever knew
No bodies
Nobody's felt like you
No bodies

Love is suicide

terça-feira, novembro 18, 2008

Uma música para a memória e para o futuro.



Blue Dress - Depeche Mode (o video é de contrabando).

Depois da fase mais violenta da minha vida, alguma bonança se avizinha. Em vez de violenta pode ler-se dramática (no sentido que os ingleses também lhe dão - fortíssima, poderosa, intensa).

Talvez este blogue volte um destes dias.

terça-feira, outubro 28, 2008

Mãe, consigo sentir a terra a cair-me na cabeça.



I know it’s over dos The Smiths por Jeff Buckley, ou aquilo a que se pode chamar Génios encavalitados.

Aqui está a letra para quem tiver coragem.

terça-feira, setembro 30, 2008

This is the end, my friend. My only friend, the end.



Actor e personagem com a consciência mínima para uma violência máxima. Não consigo acompanhar muitas coisas, este blogue é uma delas.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Quem me dera estar aqui.



Só Deus, se existisse, é claro, saberia o que estou a sentir neste momento. Falar com ele sobre essa sapiência seria uma coisa de amigos. Até que ponto daria desconto à minha coscuvilhice? Sim, porque eu assim que desconfiasse que ali havia assunto do forte, não me ia calar tão cedo – já me conheço (mas não o suficiente para saber o que trespassa estes pulsos cada vez mais fracos).

Não exagero, como não exageram os bêbedos que se seguram a sinais de proibido para se manterem de pé. Nem os drogados, naquela madorna fabulosa que lhes rouba o centro de gravidade, exageram. No fundo são coisas de desgraçados, há que perceber. Também esperam por Ele para ver se arranjam amanho ou as tais explicações.

Só que estes não lambem a lembrança dos teus dedos. Nem cheiram o fim dos dias nos teus cabelos.

A vantagem deles é que o que o efeito da sua droga tem um fim. E eles acham que isso é uma coisa má.

Até dá vontade de rir.

Fotografia: Thierry Le Gouès

segunda-feira, setembro 01, 2008

Banda Sonora das férias.

Isto porque eu sou um homem, diria, sui generis, ou simplesmente com problemas (pelo menos o vídeo é um dos melhores que já vi).



Street Spirit (Fade Out)

Rows of houses, all bearing down on me
I can feel their blue hands touching me
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out

This machine will, will not communicate
These thoughts and the strain I am under
Be a world child, form a circle
Before we all go under
And fade out again and fade out again

Cracked eggs, dead birds
Scream as they fight for life
I can feel death, can see its beady eyes
All these things into position
All these things we'll one day swallow whole
And fade out again and fade out again

Immerse your soul in love
IMMERSE YOUR SOUL IN LOVE

Radiohead

domingo, agosto 24, 2008

De Férias.

Vou ler, esperar pela água morna e sorrir com vida em Standby.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Balança injusta.



Estou aqui a pensar nisso de estares a emagrecer e acho que não me agrada. É que gosto tanto de ti que fico a pensar que esses nove quilos que perdeste são, afinal, uma considerável parte de ti que desapareceu.

E eu que não faço ideia para onde terá ido isso que eras tu. Nove quilos ainda é muito e não estavas feio. Percebesses de mulheres apaixonadas e não acharias esta conversa uma palermice.

Mais valia ires-te dando a mim nem que fosse aos poucos, podiam ser essas migalhas que se vão evaporando todos os dias.

Fotografia: Eric Traore

terça-feira, agosto 05, 2008

Time, that little tricky moterfucker.

Nas guerras de hoje, imagino a mãe de um soldado à espera de uma mensagem no telemóvel que lhe diga que o filho está vivo e que a operação de hoje de manhã correu bem.

Dantes uma destas mães descansava mais, afinal de contas uma carta era coisa que levava o seu tempo mas, muitas vezes, o seu filho.

segunda-feira, julho 28, 2008

Simplesmente Maravilhosa.



Esta expressão poderia ser aplicada a ti como um fato de costureiro insuspeito. Contudo, como se as desgraças que sou não bastassem, usaste-a para outro fim, ou princípio - já nem sei.

Deverias ter tido mais cuidado, quem sabe até ter mentido, à pergunta da tua amiga “Então ontem como foi? Não é todos os dias que se tem uma primeira noite com alguém por quem se está apaixonada”.

Não que tenhas feito mal ao dizer o que sentiste, só que este elogio é tão grande que me deixa a vida à sombra.

segunda-feira, julho 21, 2008

Música nova.



Love is Noise – The Verve, 11 anos depois, o novo álbum está para sair. O tema do primeiro single é o mesmo daqui, pois então.

quarta-feira, julho 16, 2008

À espera das 9:05





- Gostas de mim?

- Sim, há tempos que é assim.

- Ai! Vou ali morrer e já volto.

Fotografia: Eric Traore

segunda-feira, julho 14, 2008

Amor.

Lá está. Eu sabia que havia qualquer coisa que impelia esta forma de tratamento para a desgraça.
Shame on all men.

Só um homem é capaz de achar lamechas tratar a mulher que ama por Amor.

sábado, junho 28, 2008

É a promessa de vida no teu coração.



Águas de Março - Elis Regina e Tom Jobim – desaconselhável para quem está com lágrimas de felicidade mesmo à mão de semear.

Estarei de férias até dia 13. A areia nos pés pode ter vários significados, para aqui será o de uma travessia no deserto.

segunda-feira, junho 23, 2008

Definitiva.

Até aqui menti cada vez que disse de verdade és a mais linda do mundo (umas vezes mais do que outras é certo).

Sempre fui um homem com sorte, mas isto é ridículo. Pensava que a minha vida estava fechada no que a revoluções diz respeito. Que a idade e as oportunidades que me foram reservadas concluíssem o ramalhete de convulsões a que tinha direito.

Mas não.

Agora tu, que repetes coisas que já ouvi mas que parecem novas, tal é a lonjura a que estás de toda a normalidade.

Ter-te é como ter filhos, depois disto pode morrer-se de barriga cheia, com um sorriso de tanta superioridade que não poupará ninguém à inveja.

Apaixonares-te por mim é quase uma irresponsabilidade porque, entre outras coisas, és a mulher definitiva.

quinta-feira, junho 19, 2008

Precipitação.

Só quem já viu os esticões de uma corrente que prende um verdadeiro cão de guarda sabe do que falo. Não me podes olhar assim, aqui.

terça-feira, junho 17, 2008

Desafortunadamente.



Nunca poderei ocupar o lugar de quem tens na cabeça. É melhor habituares-te a mais, não que seja mais rico ou bonito, mas porque tenho muito mais vontade.

E isso que diferença faz? Toda. Mas talvez nunca me escolhas e prefiras passar os Domingos numa casa grande demais, com cheirinho a carne cara na cozinha. Com filhos vestidos com roupas que os teus pais nunca puderam pagar.

Se isso é ser feliz? É. Também.

Fotografia: Eric Traore

segunda-feira, junho 16, 2008

Anywhere I lay my head.



De vez em quando paro ao espelho e entretenho-me a olhar. Descubro o tempo e desconfio que é nos espelhos que ele pára. Na minha cara estão sempre coisas novas. Dantes demorava menos tempo, agora começo a parecer-me com um homem daqueles do cinema, com vincos, calma, testa grande e suspiros de mulheres que apreciam a maturidade em alguém para abraçar.

Mas cada vez paro menos, se calhar é por isso que tenho tanto em que reparar. E não - não contam as vezes que faço a barba.

Estou a precisar de férias ou de outro pouso para me ver com nova luz. Não há nada melhor que nos vermos num espelho estranho.

Podia até ser no do teu quarto, aposto que é lá que o tempo vive.

Fotografia: Eric Traore

quinta-feira, junho 12, 2008

Interlúdio.



Os primeiros sintomas não são sempre desprezíveis ou comuns. São coisas como a procura de contacto, como quem não quer, ou percebe, que é de propósito. Ah, esse pequeno encosto de braços ou ombros a meio de uma conversa, por entre a troca de sorrisos de quem conta uma palermice ou mostra uma fotografia do que já foi!

Tivesse eu a certeza que é de propósito e começava já a sofrer. O mais provável é não ser, ou não passar de mais uma coisa cá dentro, daquelas que já nem me lembro que existem.

Começar já a sofrer parece-me bem.

Por mera coincidência – dizes tu, por mera ruína – digo eu.

A sofrer é que eu me entendo com a tua imagem no meu peito. E até tenho inveja das varinas que não se envergonham de levar isto à letra, com aquelas medalhinhas de ouro e um amor esmaltado a sépia.

Fotografia: Eric Traore

segunda-feira, junho 09, 2008

Baby I’m just a fool.



Gosto do amor porque muda as pessoas. É ele, e nada mais, que as transforma naquilo que são.

Dá –lhes o atrevimento para pedir palavrões e desvia-as do marasmo. Leva a que tomem posições impensáveis até ali e deixa que outros as olhem como poucos. Às vezes trata putas como senhoras e senhoras como putas. Tem cheiro, sabor e delírio.

Que seja assim, encardido só à vista desarmada, porque senão é outra coisa qualquer.

Fotografia: Helmut Newton

terça-feira, junho 03, 2008

Dois.



Lembram-se do vídeo da miúda e do homem na mala do carro? Aqui está uma outra versão da música e do vídeo.

Tivesse eu acesso a um sistema de classificação Dubaiano e eram já sete estrelas para esta obra.

Kanye West – Flashing Lights.

quarta-feira, maio 28, 2008

Rubor.



- Lembras-te de olhar para mim e dizeres que estava todo encarnado?

- Lembro.

- Não estava cansado, estava com vergonha do tamanho da felicidade que sentia por te ver assim, nua.

Fotografia: Helmut Newton

terça-feira, maio 20, 2008

Chiroptera.



- Sabes o que é amorcegado?

- Não.

- É triste, taciturno, cabisbaixo, tristonho, sombrio...

- Pára! Pelo nome, pensei que era uma espécie de cegueira de amor.

- E é. Se reparares, é tudo sintomas disso.

Fotografia: Helmut Newton

quinta-feira, maio 15, 2008

Nascimento.



A primeira coisa a fazer, assim que se nasce, é chorar. Com ajuda de alguém ou sozinhos, quanto mais forte o fizermos, melhor será.

Não deixa de ser irónico ser esse o sinal de que estamos prontos e em conformidade.

Serve para afirmar a disposição e preparação para o que vier. O que for de extremos, dali para a frente, terá aquela marca.

Foi o princípio que calhou e não foi por acaso: há de ter muito uso se os anos correrem como se sabe.

Fotografia: Helmut Newton.

terça-feira, maio 13, 2008

História e vida: versão curta.

Rand Abdel-Qader, uma estudante iraquiana de dezassete anos apaixonou-se por Paul, um soldado inglês de vinte e dois. Aconteceu quando ela prestava apoio como voluntária a famílias desalojadas pela guerra.

Diz uma amiga que a coisa durou quatro semanas. Conversavam apenas e não aconteceu nada, tal era o respeito, o ardor ou a seriedade do evento.

O pai descobriu e matou-a com a ajuda de outros dois filhos.

Segundo a amiga, morreu virgem. Foi enterrada sem nenhuma espécie de cerimónia.

Versão longa aqui.

sexta-feira, maio 09, 2008

Nada.



Dava com ela a pensar no filho e nos filmes que se lembrava. Uma ilação sobrepunha-se: as fitas que corriam bem no princípio e no meio acabavam sempre mal. As que arregaçavam o drama no começo vinham a revelar-se com o tempo e encerravam bem.

O filho era novo, até agora a história dos dois era perfeita, se fosse um filme era mau presságio.

Mas os filmes são o que são e ela sempre foi tudo menos uma diva. Restava-lhe esperar e impor uma normalidade fora do comum. Uma tão grande que não prestasse para ser contada de qualquer forma.
Fotografia: Thierry Le Gouès

quarta-feira, abril 30, 2008

As vantagens da idade:

Sendo noite avançada, discutir com quem se ama não leva a lado nenhum.

Quanto maior é a raiva e a revolta, maior é o conforto da sua passagem para a desculpa das suas causas.

quinta-feira, abril 17, 2008

A década em que nasci.



Lá não havia SIDA, nem cintos de segurança no carro. O Elvis morria, as miúdas acabavam de queimar os soutiens em Paris. Haviam portugueses em África a morrer e matar como os homens devem fazer. Nada de ecografias, tudo em tacões coloridos. Viviam as colchas às cores e candeeiros em forma de disco voador. Eu vivi antes da convenção da meia turca.