terça-feira, outubro 09, 2007

Um doce, de uma das minhas cidades preferidas de sempre - Tomar, com um nome urgente como os beijos verdadeiros.



Tenho o doce e a embalagem para te apanhar. E este depressa engraçado, mais parece uma urgência que me abre a boca e deixa sentir o vento a rir, esta malvada que carcome a paciência.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Tenho o peito desafinado.


Viena sempre me fascinou. Esta música fala de uma valsa com o seu hálito tão próprio, a brandy e morte, que vai pousando a cauda no mar.

Esta música é estímulo cru que me rouba ou empanturra a alma. Ouço-a repetidamente até quase adormecer. É uma figura triste com um chinelo levezinho de carneira e uma bota cardada ao mesmo tempo.

Diz tanta coisa que eu nunca serei capaz de imitar. Sentir talvez, mas dizer, nem pensar.


Now in Vienna there's ten pretty women
There's a shoulder where Death comes to cry
There's a lobby with nine hundred windows
There's a tree where the doves go to die
There's a piece that was torn from the morning
And it hangs in the Gallery of Frost



Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz with the clamp on its jaws



Oh I want you, I want you, I want you
On a chair with a dead magazine
In the cave at the tip of the lily
In some hallways where love's never been
On a bed where the moon has been sweating
In a cry filled with footsteps and sand



Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take its broken waist in your hand



This waltz, this waltz, this waltz, this waltz


With its very own breath of brandy and Death
Dragging its tail in the sea
There's a concert hall in Vienna
Where your mouth had a thousand reviews
There's a bar where the boys have stopped talking
They've been sentenced to death by the blues
Ah, but who is it climbs to your picture
With a garland of freshly cut tears?



Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
Take this waltz it's been dying for years



There's an attic where children are playing
Where I've got to lie down with you soon
In a dream of Hungarian lanterns
In the mist of some sweet afternoon
And I'll see what you've chained to your sorrow
All your sheep and your lilies of snow



Ay, Ay, Ay, Ay
Take this waltz, take this waltz
With its "I'll never forget you, you know!"



This waltz, this waltz, this waltz, this waltz ...



And I'll dance with you in Vienna
I'll be wearing a river's disguise
The hyacinth wild on my shoulder,
My mouth on the dew of your thighs
And I'll bury my soul in a scrapbook,
With the photographs there, and the moss
And I'll yield to the flood of your beauty
My cheap violin and my cross
And you'll carry me down on your dancing
To the pools that you lift on your wrist
Oh my love, Oh my love
Take this waltz, take this waltz
It's yours now. It's all that there is



Take This Waltz - Leonard Cohen

sexta-feira, setembro 21, 2007

Adoro isto.



Postcards from Italy – Beirut

Vir aqui deixar bocados de mim e daquilo que vai fazendo os dias é o que acontecerá enquanto for vivo (ou não me cortarem a Internet). Seja com que frequência for, sendo que a coisa só poderá ter tendência a melhorar.

quinta-feira, setembro 06, 2007

A rua da doçura.


Cláudia Schiffer

Paguei pela primeira vez a uma mulher para ter companhia feminina. Quis que cozinhasse e falasse mal da sua família enquanto eu a ouvia. Só. Estava linda, condição absoluta para as minhas economias.

Não era para sexo porque para isso não precisava dela. Quis uma mulher, foi isso que pedi e foi isso que tive.

Quase que a amei.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Culpado.



Ouço-te com esse empenho e orgulho de início de despedida. Discutes e atiras-me com a calma a esconder-se de ti. A tua voz aumenta muito mais de emoção do que de altura.

Começaste tão bem, muito ferida mas com a dignidade que já se sabia não estar altura do que sentes. Não dás vazão a tantas palavras, escusas de tentar, é melhor começares já a gritar baixinho, com o sal as lágrimas e a minha maior estupidez a afundar-me na lama que não faz ninguém bonito.

Devia matar-me ou morrer já. Fulminado pelo apuro de saber que nunca me rirei desta hora. Nem enterrado estarei mais baixo do que isto.

Modinha de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, cantada por Olívia Byington.

quinta-feira, agosto 23, 2007

I’m losing my edge.*



Estou a perder para os miúdos, que têm a pele mais brilhante e irrigada. A esperança deles é maior do que a minha. Há mulheres novas, das que nem precisam de se arranjar, que correm atrás deles. O horizonte poeirento ainda está longe dos dois.

Quase me cheiram a gays, daqueles portentosos que andam de tronco nu em Los Angeles. Mas isto deve ser a inveja que me impele para trás, para a sombra do que já fui.

É como se a mulher mais bonita da carruagem se levantasse para me dar o lugar.
Fotografia: Thierry Le Goués.
* LCD Sound System (não vá alguém pensar que é um acessor qualquer que escreve aqui em vez de mim).

terça-feira, agosto 07, 2007

Pesado.



Tenho um amigo que está muito doente. Os tratamentos e a queda do cabelo levaram-no a vestir uma T’shirt dos Metallica e um chapéu preto a condizer, com caveiras, gritos e raios.

A carga de ironia neste gesto é igual à de sentido de humor e não podemos esquecer que pelo meio de todos os espectáculos, mesmo os barulhentos, há sempre diversão.

quinta-feira, agosto 02, 2007

O Definitivo aflige-me.



Um miúdo estava a nadar com um sorriso e começou a afogar-se. O pai queria salvá-lo mas não conseguiu. Ficou lá, afogado no remoinho dos dois pânicos sem saber ou sentir que já estava ensopada a desilusão de quem cá ficou.

Comigo também seria assim, antes a língua mordiscada por uma carpa velha do que voltar a abrir os olhos. Se fosse meu ia e não voltava sozinho de certeza. Não estou cá para calmantes ou entrevistas a jornais de província. Nem que arrancasse do peito para o alimentar, como fazem os pelicanos. Isso é que era bom, atirava-me de pés ou de cabeça, a gritar e a lavar a cara em cada braçada, para trazê-lo à força, antes que me faltasse, como se uma mesa de Natal estivesse à nossa espera.

segunda-feira, julho 30, 2007

Slides – Retratos da Cidade Branca

Onde estão os meus amigos?
Remotas memórias
Saltitam
Pululam
Cheiros / odores / miragens
O café
O sorriso
Olá como está!
E outras encenações
A novidade
A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal

Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha / navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha / copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos / vinhos de Torres
Jogging de Marvila

Domingo
Especialmente domingo
Barbeados / dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio / moderno / kitch / mau gosto
12 cordas / mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos / enjaulados
Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso

E a Lisnave / petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas
E eu impotente / cinemascope / 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente

Paga-se a saudade com cartão de crédito

Táxi
Leva-me para onde está o meu amor
Táxi
Leva-me para lá de mim
Táxi
Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios

Sam The Kid.

Isto é, quanto a mim, do melhor que se tem feito em Portugal. Tanta gente medíocre ou distraída com entreténs medíocres e isto tão bom, a passar-lhes ao lado. Neste caso, e para este pais, quase poderia dizer-se – felizmente.

quarta-feira, julho 25, 2007

O Tempo II.



Hurt - Johnny Cash

Nada como recomeçar com uma obra-prima. Era para falar sobre filhos, sobre comprimidos para a alienação, da infelicidade das pessoas no geral e de desencontros, mas não. Isso fica para depois. Esta música e este vídeo dizem muito, por agora.

sábado, julho 14, 2007

Dia 22 há mais Amor.

Até lá, aproveitarei o máximo de Sol possível.

quinta-feira, julho 12, 2007

O tempo I.


Coisas que se vão ouvindo:

Nunca contes a verdade toda.

Isto de estar vivo vai acabar mal.

A vida, muito raramente é como nós queremos.

Li a primeira frase num número da revista “K”, há uns anos, que acrescentava: este conselho vale muito mais do que o dinheiro que deu por esta revista.

quinta-feira, julho 05, 2007

Revelações de adolescente e, já agora, do post anterior.



Victoria Principal

quarta-feira, julho 04, 2007

Vitória Principal.

Ouvia esta canção há muito tempo. Só me lembra coisas de que hoje tenho vergonha, como as roupas que vestia e nunca despia. Os dias eram mais coloridos e maiores como nas séries em que todos dançam em cima de carros.

Era mais saudável e mais forte, corria mais e dormia mais. Era tudo mais, menos a vergonha. A minha mãe tem fotografias de muitas dessas desgraças. Eu até dançar dançava, já imaginaste? Noites inteiras, sozinho. Estou convencido que o fio de prata e algumas camisas contribuíram bastante para esse estado de sólido desespero.

Tu és o resultado prático de muitas aniquilações sumárias e tentativas abortadas. Sabes a vitória.

quarta-feira, junho 27, 2007

Ainda a curta-metragem de Paris.



Definitivamente, o filme é mítico e existem muitas teorias acerca dele, algumas delas fomentadas de forma inteligente pelo próprio realizador. Ou seja, depois de muita pesquisa, parece que o senhor foi mesmo preso. O carro também parece que ninguém sabe muito bem qual é, e o próprio Claude Lelouch no princípio disse uma coisa e há pouco tempo disse outra, a do Mercedes. O que eu sei é que o som do motor e o cartaz do filme é um Ferrari. Mas se não foi um Ferrari, foi um Mercedes classe S com 6.9 de cilindrada (7 litros, sete mil centímetros cúbicos - que eu não vou explicar o que é), segundo o próprio.

Quanto ao filme, foi rodado num só shoot, sem truques, às 5:30 da manhã. Trivia: são 19 os semáforos vermelhos, razão da sua prisão.

Ele confirma outra coisa: passou dos 200km/h pelo menos duas vezes.

Tudo por Amor, claro está.

terça-feira, junho 26, 2007

Afinal não.

O carro utilizado no filme anterior não é um Ferrari (o som é que é de um Ferrari), e o piloto é o próprio Claude Lelouch, que não foi preso mas sim envolto em muita polémica por causa do tema e do grande sucesso da curta metragem.

O resto parece que é verdade, principalmente a sensação de quem o vê a primeira vez.
Cinema de Amor.



Esta curta metragem foi rodada em Paris, 1976. Segundo dizem, o realizador Claude Lelouch foi preso aquando da sua estreia. O principal adereço é um Ferrari 275 GTB. Também parece que a identidade do piloto, (de fórmula 1), nunca foi revelada. Vejam com som alto e até ao fim para perceberem porque é que aqui está.

quarta-feira, junho 20, 2007

E levar as tuas lágrimas na minha camisa?



Assim, pesadas que só eu sei. Ainda quentes, com o calor do corpo, o que não arrepia e que não prega nódoa.

Um dia ouvi dizer que haviam escritores ou assim que contavam histórias tristes a crianças para estas chorarem muito. De propósito. Para dentro de cálices. Depois do final bebiam aquilo porque achavam que a tristeza inspiradora podia passar por ali.

Eram parvos.

Bastava-lhes um peito a puxar para o forte e um abraço de uma mulher contrariada.
Fotografia: Thierry Le Goués

quinta-feira, junho 14, 2007

Quem é mais saudável?



O homem que se incomoda por uma ex-namorada, de há muitos anos, ter cinco filhos do marido que arranjou após a ter deixado?

Ou a mulher que decide ter o máximo de filhos possível para amar como ninguém e, quem sabe, incomodar um ex-namorado de há muitos anos?

terça-feira, junho 05, 2007

Era disto que eu vos falava.



When we were young - The Killers
Cuspo.

Podes pedir uma parte em vinho por dia. Mas aviso-te já que as enxadas têm o cabo mais curto do que o costume. Este senhor paga melhor mas gosta de nos ver mais curvados. É uma forma de não nos esquecermos de quem manda. O nome dele sempre vincado nas costas, até quando te deitas e levantas.

Parece uma mulher encorpada, daquelas que leva na alcofa uma colher de pau para esmorecer os filhos.

quinta-feira, maio 31, 2007

Em novinho, era na cama que me protegia das coisas más.

Hoje és tu que lá vais salvar-me.

segunda-feira, maio 28, 2007

SG Anão.

A coisa que mais me irrita num blogue de que gosto é a falta de actualizações. A estes, gostava-os de ver uma ou duas vezes por dia com novidades.

Em contrapartida sou apologista do se não tens nada para dizer, deves manter-te calado. Isto é só uma contradição aparente, porque se gosto mesmo, bastavam umas palavrinhas de nada para eu ficar contente.

Isto não abona a favor deste blogue nem de quem costuma aqui vir. Resta-me encarar esta falta de tempo como uma visita a um médico fumador.

quarta-feira, maio 23, 2007

Pensam que é pedir pouco?



Queria fazer corações de ferro. Com as mão encardidas e a testa a escorrer. Um ajudante a dar alma às brasas. A bigorna aguentava mais do que as minhas costas, já se sabia.

Depois de prontos alguém tratava de os pintar. Se fosse um miúdo a vir buscá-los pregava-lhe uma partida.

Depois do primário e do encarnado alguém os havia de cravar no azinho. Para ouvirem despedidas e o que calhasse durante muitos anos. A abrir e a fechar como se batessem, e batiam às vezes.

A melhor coisa que me podiam dar era saber que na escada, mesmo atrás deles, uma rapariga, com tanto de nova como de linda, iria chorar o começo de uma perda qualquer. E olhasse, e os visse com a rua por trás. E que se risse.

sexta-feira, maio 11, 2007

Afável no trato.

- Não percebo porque é que o homem não me encara.

- Também não, mas se calhar é porque tens um ar demasiado heterossexual e ele deve ter a percepção inconsciente que não tem qualquer hipótese.

- Eu? Tenho um ar demasiado heterossexual? Eu nem tenho muitos cabelos no peito. Para que saibas, eu até sou daqueles que compram qualquer coisa com vergonha de dizer que não.

- Lá está, isso só revela que nasceste para ser um companheiro obediente, não para maricas.

segunda-feira, maio 07, 2007

Ouvi dizer que a igreja acabou com o Limbo.

O Limbo era para onde iam os que morrem antes do uso da razão. Era uma das minhas esperanças ou um sítio onde poderia ficar descansado.

Se por um lado não gosto de roupas brancas, por outro não tenho voz suficiente para dar um bom réprobo.
Os elogios verdadeiros são assim:

És tão sensível que poderias viver numa unidade de queimados de um hospital grande.

quinta-feira, maio 03, 2007

A estranheza do Amor é um clássico.



Belle de Jour – Luis Buñuel

E este é dos bons. Dos muito bons.

sexta-feira, abril 20, 2007

When we were young.

Tenho umas poucas de marcas de varicela no corpo. Foi quando era pequeno, para aí aos 9 ou 10. Lembram-me de coisas quando faço a barba. Quase todas de quando ainda não a tinha.