Vitória Principal.
Ouvia esta canção há muito tempo. Só me lembra coisas de que hoje tenho vergonha, como as roupas que vestia e nunca despia. Os dias eram mais coloridos e maiores como nas séries em que todos dançam em cima de carros.
Era mais saudável e mais forte, corria mais e dormia mais. Era tudo mais, menos a vergonha. A minha mãe tem fotografias de muitas dessas desgraças. Eu até dançar dançava, já imaginaste? Noites inteiras, sozinho. Estou convencido que o fio de prata e algumas camisas contribuíram bastante para esse estado de sólido desespero.
Tu és o resultado prático de muitas aniquilações sumárias e tentativas abortadas. Sabes a vitória.
quarta-feira, junho 27, 2007
Ainda a curta-metragem de Paris.

Definitivamente, o filme é mítico e existem muitas teorias acerca dele, algumas delas fomentadas de forma inteligente pelo próprio realizador. Ou seja, depois de muita pesquisa, parece que o senhor foi mesmo preso. O carro também parece que ninguém sabe muito bem qual é, e o próprio Claude Lelouch no princípio disse uma coisa e há pouco tempo disse outra, a do Mercedes. O que eu sei é que o som do motor e o cartaz do filme é um Ferrari. Mas se não foi um Ferrari, foi um Mercedes classe S com 6.9 de cilindrada (7 litros, sete mil centímetros cúbicos - que eu não vou explicar o que é), segundo o próprio.
Quanto ao filme, foi rodado num só shoot, sem truques, às 5:30 da manhã. Trivia: são 19 os semáforos vermelhos, razão da sua prisão.
Ele confirma outra coisa: passou dos 200km/h pelo menos duas vezes.
Tudo por Amor, claro está.

Definitivamente, o filme é mítico e existem muitas teorias acerca dele, algumas delas fomentadas de forma inteligente pelo próprio realizador. Ou seja, depois de muita pesquisa, parece que o senhor foi mesmo preso. O carro também parece que ninguém sabe muito bem qual é, e o próprio Claude Lelouch no princípio disse uma coisa e há pouco tempo disse outra, a do Mercedes. O que eu sei é que o som do motor e o cartaz do filme é um Ferrari. Mas se não foi um Ferrari, foi um Mercedes classe S com 6.9 de cilindrada (7 litros, sete mil centímetros cúbicos - que eu não vou explicar o que é), segundo o próprio.
Quanto ao filme, foi rodado num só shoot, sem truques, às 5:30 da manhã. Trivia: são 19 os semáforos vermelhos, razão da sua prisão.
Ele confirma outra coisa: passou dos 200km/h pelo menos duas vezes.
Tudo por Amor, claro está.
terça-feira, junho 26, 2007
Afinal não.
O carro utilizado no filme anterior não é um Ferrari (o som é que é de um Ferrari), e o piloto é o próprio Claude Lelouch, que não foi preso mas sim envolto em muita polémica por causa do tema e do grande sucesso da curta metragem.
O resto parece que é verdade, principalmente a sensação de quem o vê a primeira vez.
O carro utilizado no filme anterior não é um Ferrari (o som é que é de um Ferrari), e o piloto é o próprio Claude Lelouch, que não foi preso mas sim envolto em muita polémica por causa do tema e do grande sucesso da curta metragem.
O resto parece que é verdade, principalmente a sensação de quem o vê a primeira vez.
Cinema de Amor.
Esta curta metragem foi rodada em Paris, 1976. Segundo dizem, o realizador Claude Lelouch foi preso aquando da sua estreia. O principal adereço é um Ferrari 275 GTB. Também parece que a identidade do piloto, (de fórmula 1), nunca foi revelada. Vejam com som alto e até ao fim para perceberem porque é que aqui está.
Esta curta metragem foi rodada em Paris, 1976. Segundo dizem, o realizador Claude Lelouch foi preso aquando da sua estreia. O principal adereço é um Ferrari 275 GTB. Também parece que a identidade do piloto, (de fórmula 1), nunca foi revelada. Vejam com som alto e até ao fim para perceberem porque é que aqui está.
quarta-feira, junho 20, 2007
E levar as tuas lágrimas na minha camisa?

Assim, pesadas que só eu sei. Ainda quentes, com o calor do corpo, o que não arrepia e que não prega nódoa.
Um dia ouvi dizer que haviam escritores ou assim que contavam histórias tristes a crianças para estas chorarem muito. De propósito. Para dentro de cálices. Depois do final bebiam aquilo porque achavam que a tristeza inspiradora podia passar por ali.
Eram parvos.
Bastava-lhes um peito a puxar para o forte e um abraço de uma mulher contrariada.

Assim, pesadas que só eu sei. Ainda quentes, com o calor do corpo, o que não arrepia e que não prega nódoa.
Um dia ouvi dizer que haviam escritores ou assim que contavam histórias tristes a crianças para estas chorarem muito. De propósito. Para dentro de cálices. Depois do final bebiam aquilo porque achavam que a tristeza inspiradora podia passar por ali.
Eram parvos.
Bastava-lhes um peito a puxar para o forte e um abraço de uma mulher contrariada.
Fotografia: Thierry Le Goués
quinta-feira, junho 14, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
Cuspo.
Podes pedir uma parte em vinho por dia. Mas aviso-te já que as enxadas têm o cabo mais curto do que o costume. Este senhor paga melhor mas gosta de nos ver mais curvados. É uma forma de não nos esquecermos de quem manda. O nome dele sempre vincado nas costas, até quando te deitas e levantas.
Parece uma mulher encorpada, daquelas que leva na alcofa uma colher de pau para esmorecer os filhos.
Parece uma mulher encorpada, daquelas que leva na alcofa uma colher de pau para esmorecer os filhos.
quinta-feira, maio 31, 2007
segunda-feira, maio 28, 2007
SG Anão.
A coisa que mais me irrita num blogue de que gosto é a falta de actualizações. A estes, gostava-os de ver uma ou duas vezes por dia com novidades.
Em contrapartida sou apologista do se não tens nada para dizer, deves manter-te calado. Isto é só uma contradição aparente, porque se gosto mesmo, bastavam umas palavrinhas de nada para eu ficar contente.
Isto não abona a favor deste blogue nem de quem costuma aqui vir. Resta-me encarar esta falta de tempo como uma visita a um médico fumador.
A coisa que mais me irrita num blogue de que gosto é a falta de actualizações. A estes, gostava-os de ver uma ou duas vezes por dia com novidades.
Em contrapartida sou apologista do se não tens nada para dizer, deves manter-te calado. Isto é só uma contradição aparente, porque se gosto mesmo, bastavam umas palavrinhas de nada para eu ficar contente.
Isto não abona a favor deste blogue nem de quem costuma aqui vir. Resta-me encarar esta falta de tempo como uma visita a um médico fumador.
quarta-feira, maio 23, 2007
Pensam que é pedir pouco?

Depois de prontos alguém tratava de os pintar. Se fosse um miúdo a vir buscá-los pregava-lhe uma partida.
Depois do primário e do encarnado alguém os havia de cravar no azinho. Para ouvirem despedidas e o que calhasse durante muitos anos. A abrir e a fechar como se batessem, e batiam às vezes.
A melhor coisa que me podiam dar era saber que na escada, mesmo atrás deles, uma rapariga, com tanto de nova como de linda, iria chorar o começo de uma perda qualquer. E olhasse, e os visse com a rua por trás. E que se risse.

Queria fazer corações de ferro. Com as mão encardidas e a testa a escorrer. Um ajudante a dar alma às brasas. A bigorna aguentava mais do que as minhas costas, já se sabia.
Depois de prontos alguém tratava de os pintar. Se fosse um miúdo a vir buscá-los pregava-lhe uma partida.
Depois do primário e do encarnado alguém os havia de cravar no azinho. Para ouvirem despedidas e o que calhasse durante muitos anos. A abrir e a fechar como se batessem, e batiam às vezes.
A melhor coisa que me podiam dar era saber que na escada, mesmo atrás deles, uma rapariga, com tanto de nova como de linda, iria chorar o começo de uma perda qualquer. E olhasse, e os visse com a rua por trás. E que se risse.
sexta-feira, maio 11, 2007
Afável no trato.
- Não percebo porque é que o homem não me encara.
- Também não, mas se calhar é porque tens um ar demasiado heterossexual e ele deve ter a percepção inconsciente que não tem qualquer hipótese.
- Eu? Tenho um ar demasiado heterossexual? Eu nem tenho muitos cabelos no peito. Para que saibas, eu até sou daqueles que compram qualquer coisa com vergonha de dizer que não.
- Lá está, isso só revela que nasceste para ser um companheiro obediente, não para maricas.
- Não percebo porque é que o homem não me encara.
- Também não, mas se calhar é porque tens um ar demasiado heterossexual e ele deve ter a percepção inconsciente que não tem qualquer hipótese.
- Eu? Tenho um ar demasiado heterossexual? Eu nem tenho muitos cabelos no peito. Para que saibas, eu até sou daqueles que compram qualquer coisa com vergonha de dizer que não.
- Lá está, isso só revela que nasceste para ser um companheiro obediente, não para maricas.
segunda-feira, maio 07, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
sexta-feira, abril 20, 2007
quinta-feira, abril 19, 2007
O meu é morno, por favor.

Sophia's Mercurial Waters – Mark Ryden (Óleo sobre tela)
A última das pinturas de Mark Ryden por aqui. Para mais, façam-lhe uma visita.

Sophia's Mercurial Waters – Mark Ryden (Óleo sobre tela)
A última das pinturas de Mark Ryden por aqui. Para mais, façam-lhe uma visita.
terça-feira, abril 17, 2007
Caros tolerantes, bem-vindos ao multiculturalismo.

Harém - jean Leon Gerome
Conheci, há uns anos, um senhor guineense que tinha 3 esposas. Não fui seu amigo, mas consegui perguntar como era aquilo. Explicou que tinha tudo a ver com a sua religião e a das respectivas mulheres. Disse que viver em Lisboa desta forma era curioso e que achava que os portugueses eram menos espertos do que pensavam, uma vez que os seus rendimentos permitiriam, no mínimo, casar com três ou quatro.
Há muito que a palavra normal se dá mal nos corações.

Harém - jean Leon Gerome
Conheci, há uns anos, um senhor guineense que tinha 3 esposas. Não fui seu amigo, mas consegui perguntar como era aquilo. Explicou que tinha tudo a ver com a sua religião e a das respectivas mulheres. Disse que viver em Lisboa desta forma era curioso e que achava que os portugueses eram menos espertos do que pensavam, uma vez que os seus rendimentos permitiriam, no mínimo, casar com três ou quatro.
Há muito que a palavra normal se dá mal nos corações.
segunda-feira, abril 16, 2007
sexta-feira, abril 13, 2007
Ciclo Vicioso.

Allegory of the Four Elements – Mark Ryden (Óleo sobre tela)
Mark Ryden é um pintor e ilustrador de quem gosto. O seu trabalho é estranho e lembra-me alguns dias de infância em que via livros infantis antes de ir com a minha mãe ao mercado e ao talho. Em breve, mais destas obras esquisitas.
quinta-feira, abril 12, 2007
quarta-feira, abril 11, 2007
terça-feira, abril 10, 2007
quarta-feira, abril 04, 2007
O problema da pornografia em geral é que vive de mau gosto.

Roy Stuart é considerado o maior mestre na sua especialidade: fotografia erótica. Nasceu em Nova Iorque, vive em Paris e é nos apartamentos ricos desta cidade que fotografa.
Os seus modelos, cenários e encenações são escolhidos com rigor. As poses são as naturais de cada um e as próprias destas situações. Há quem diga que é pornografia, eu não discuto português. O seu segredo é ver e mostrar o que fazemos de uma forma less ordinary.
Nas nossas cabeças só vive o que é normal e natural para nós mesmos.

Roy Stuart é considerado o maior mestre na sua especialidade: fotografia erótica. Nasceu em Nova Iorque, vive em Paris e é nos apartamentos ricos desta cidade que fotografa.
Os seus modelos, cenários e encenações são escolhidos com rigor. As poses são as naturais de cada um e as próprias destas situações. Há quem diga que é pornografia, eu não discuto português. O seu segredo é ver e mostrar o que fazemos de uma forma less ordinary.
Nas nossas cabeças só vive o que é normal e natural para nós mesmos.
sexta-feira, março 30, 2007
Unrated.

Amei-te muito mais do que os palavrões que disse. Agora, o relógio que andava a cavalo quando te via parou.
Faço um esforço para que as pessoas continuem a gostar de me dar beijos. Nunca tive idade para o espelho ou para a masturbação. A ingratidão costuma ser recompensa farta para as coisas ou pessoas que nos ajudam.

Amei-te muito mais do que os palavrões que disse. Agora, o relógio que andava a cavalo quando te via parou.
Faço um esforço para que as pessoas continuem a gostar de me dar beijos. Nunca tive idade para o espelho ou para a masturbação. A ingratidão costuma ser recompensa farta para as coisas ou pessoas que nos ajudam.
De volta.
A ausência foi minúscula quando comparada com a grandeza do vídeo que aqui deixei. Deveriam tê-lo visto uma vez por dia, como receita para uma vida melhor.
Ouvi dizer que vários problemas daqueles que mudam tudo, como a morte de um pai, aconteceram a pessoas que lá estão a tocar, daí a qualidade fenomenal do disco.
As coisas genuínas são como os sapatos, se forem boas salvam qualquer indumentária, se não prestarem inquinam o mais belo dos esforços.
A ausência foi minúscula quando comparada com a grandeza do vídeo que aqui deixei. Deveriam tê-lo visto uma vez por dia, como receita para uma vida melhor.
Ouvi dizer que vários problemas daqueles que mudam tudo, como a morte de um pai, aconteceram a pessoas que lá estão a tocar, daí a qualidade fenomenal do disco.
As coisas genuínas são como os sapatos, se forem boas salvam qualquer indumentária, se não prestarem inquinam o mais belo dos esforços.
sexta-feira, março 23, 2007
segunda-feira, março 19, 2007
Médio prazo.
O critério para a escolha de quem me tem feito companhia ao longo da vida vai mudando. Na infância foram as afinidades nas brincadeiras, na puberdade e início da vida adulta foram as ideias e as brincadeiras. Agora não sei bem o que tem sido.
Se tiver sorte chegarei a velho e nessa altura será pouco provável que a minha mãe ainda cá esteja. Isto faz com que tenha que me começar a mexer para várias coisas, nomeadamente para precaver o conforto da alma. Um dia será urgente arranjar alguém profundamente devoto e crente que reze. Eu para isso não tenho prestado. Não acredito no céu e até acho que muitos dos cardeais também não, imagine-se a minha penúria se estiver enganado.
Como todos os velhos, conforme for indo, mais medroso vou ficar. No fim, segundo o que tenho ouvido dizer, não irei a tempo. Resta cercar-me de quem faça a papa toda: levante, cozinhe, leia e reze pelo traste que serei (também não acredito que até lá fiquemos como os asiáticos, para quem tratar dos velhos é uma honra, aliás, eu já nem tenho a certeza da palavra honra).
Se a minha mãe cá estivesse era fácil, ela gosta de mim.
O critério para a escolha de quem me tem feito companhia ao longo da vida vai mudando. Na infância foram as afinidades nas brincadeiras, na puberdade e início da vida adulta foram as ideias e as brincadeiras. Agora não sei bem o que tem sido.
Se tiver sorte chegarei a velho e nessa altura será pouco provável que a minha mãe ainda cá esteja. Isto faz com que tenha que me começar a mexer para várias coisas, nomeadamente para precaver o conforto da alma. Um dia será urgente arranjar alguém profundamente devoto e crente que reze. Eu para isso não tenho prestado. Não acredito no céu e até acho que muitos dos cardeais também não, imagine-se a minha penúria se estiver enganado.
Como todos os velhos, conforme for indo, mais medroso vou ficar. No fim, segundo o que tenho ouvido dizer, não irei a tempo. Resta cercar-me de quem faça a papa toda: levante, cozinhe, leia e reze pelo traste que serei (também não acredito que até lá fiquemos como os asiáticos, para quem tratar dos velhos é uma honra, aliás, eu já nem tenho a certeza da palavra honra).
Se a minha mãe cá estivesse era fácil, ela gosta de mim.
terça-feira, março 13, 2007
Se é uma oportunidade, não interessa que seja a primeira ou a última.
Enquanto esperava pelo movimento da bóia, ia-me lembrando da praia. A água do rio era mais escura e muito menos tentadora. Devia ser por não haver sereias de água doce. No jornal do meu pai não vinha escrito que as canas e os anzóis eram coisa normal.
Farto de não se passar nada, lembrei-me de fazer um barquinho com o suplemento que falava de futebol. As minhocas fizeram de tripulação e disse-lhes adeus enquanto aquele cruzeiro foi visível.
Não sei se as salvei, mas pelo menos as suas hipóteses não ficaram por um fio.
Enquanto esperava pelo movimento da bóia, ia-me lembrando da praia. A água do rio era mais escura e muito menos tentadora. Devia ser por não haver sereias de água doce. No jornal do meu pai não vinha escrito que as canas e os anzóis eram coisa normal.
Farto de não se passar nada, lembrei-me de fazer um barquinho com o suplemento que falava de futebol. As minhocas fizeram de tripulação e disse-lhes adeus enquanto aquele cruzeiro foi visível.
Não sei se as salvei, mas pelo menos as suas hipóteses não ficaram por um fio.
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