terça-feira, junho 26, 2007

Afinal não.

O carro utilizado no filme anterior não é um Ferrari (o som é que é de um Ferrari), e o piloto é o próprio Claude Lelouch, que não foi preso mas sim envolto em muita polémica por causa do tema e do grande sucesso da curta metragem.

O resto parece que é verdade, principalmente a sensação de quem o vê a primeira vez.
Cinema de Amor.



Esta curta metragem foi rodada em Paris, 1976. Segundo dizem, o realizador Claude Lelouch foi preso aquando da sua estreia. O principal adereço é um Ferrari 275 GTB. Também parece que a identidade do piloto, (de fórmula 1), nunca foi revelada. Vejam com som alto e até ao fim para perceberem porque é que aqui está.

quarta-feira, junho 20, 2007

E levar as tuas lágrimas na minha camisa?



Assim, pesadas que só eu sei. Ainda quentes, com o calor do corpo, o que não arrepia e que não prega nódoa.

Um dia ouvi dizer que haviam escritores ou assim que contavam histórias tristes a crianças para estas chorarem muito. De propósito. Para dentro de cálices. Depois do final bebiam aquilo porque achavam que a tristeza inspiradora podia passar por ali.

Eram parvos.

Bastava-lhes um peito a puxar para o forte e um abraço de uma mulher contrariada.
Fotografia: Thierry Le Goués

quinta-feira, junho 14, 2007

Quem é mais saudável?



O homem que se incomoda por uma ex-namorada, de há muitos anos, ter cinco filhos do marido que arranjou após a ter deixado?

Ou a mulher que decide ter o máximo de filhos possível para amar como ninguém e, quem sabe, incomodar um ex-namorado de há muitos anos?

terça-feira, junho 05, 2007

Era disto que eu vos falava.



When we were young - The Killers
Cuspo.

Podes pedir uma parte em vinho por dia. Mas aviso-te já que as enxadas têm o cabo mais curto do que o costume. Este senhor paga melhor mas gosta de nos ver mais curvados. É uma forma de não nos esquecermos de quem manda. O nome dele sempre vincado nas costas, até quando te deitas e levantas.

Parece uma mulher encorpada, daquelas que leva na alcofa uma colher de pau para esmorecer os filhos.

quinta-feira, maio 31, 2007

Em novinho, era na cama que me protegia das coisas más.

Hoje és tu que lá vais salvar-me.

segunda-feira, maio 28, 2007

SG Anão.

A coisa que mais me irrita num blogue de que gosto é a falta de actualizações. A estes, gostava-os de ver uma ou duas vezes por dia com novidades.

Em contrapartida sou apologista do se não tens nada para dizer, deves manter-te calado. Isto é só uma contradição aparente, porque se gosto mesmo, bastavam umas palavrinhas de nada para eu ficar contente.

Isto não abona a favor deste blogue nem de quem costuma aqui vir. Resta-me encarar esta falta de tempo como uma visita a um médico fumador.

quarta-feira, maio 23, 2007

Pensam que é pedir pouco?



Queria fazer corações de ferro. Com as mão encardidas e a testa a escorrer. Um ajudante a dar alma às brasas. A bigorna aguentava mais do que as minhas costas, já se sabia.

Depois de prontos alguém tratava de os pintar. Se fosse um miúdo a vir buscá-los pregava-lhe uma partida.

Depois do primário e do encarnado alguém os havia de cravar no azinho. Para ouvirem despedidas e o que calhasse durante muitos anos. A abrir e a fechar como se batessem, e batiam às vezes.

A melhor coisa que me podiam dar era saber que na escada, mesmo atrás deles, uma rapariga, com tanto de nova como de linda, iria chorar o começo de uma perda qualquer. E olhasse, e os visse com a rua por trás. E que se risse.

sexta-feira, maio 11, 2007

Afável no trato.

- Não percebo porque é que o homem não me encara.

- Também não, mas se calhar é porque tens um ar demasiado heterossexual e ele deve ter a percepção inconsciente que não tem qualquer hipótese.

- Eu? Tenho um ar demasiado heterossexual? Eu nem tenho muitos cabelos no peito. Para que saibas, eu até sou daqueles que compram qualquer coisa com vergonha de dizer que não.

- Lá está, isso só revela que nasceste para ser um companheiro obediente, não para maricas.

segunda-feira, maio 07, 2007

Ouvi dizer que a igreja acabou com o Limbo.

O Limbo era para onde iam os que morrem antes do uso da razão. Era uma das minhas esperanças ou um sítio onde poderia ficar descansado.

Se por um lado não gosto de roupas brancas, por outro não tenho voz suficiente para dar um bom réprobo.
Os elogios verdadeiros são assim:

És tão sensível que poderias viver numa unidade de queimados de um hospital grande.

quinta-feira, maio 03, 2007

A estranheza do Amor é um clássico.



Belle de Jour – Luis Buñuel

E este é dos bons. Dos muito bons.

sexta-feira, abril 20, 2007

When we were young.

Tenho umas poucas de marcas de varicela no corpo. Foi quando era pequeno, para aí aos 9 ou 10. Lembram-me de coisas quando faço a barba. Quase todas de quando ainda não a tinha.

quinta-feira, abril 19, 2007

O meu é morno, por favor.


Sophia's Mercurial Waters – Mark Ryden (Óleo sobre tela)

A última das pinturas de Mark Ryden por aqui. Para mais, façam-lhe uma visita.

terça-feira, abril 17, 2007

Caros tolerantes, bem-vindos ao multiculturalismo.


Harém - jean Leon Gerome

Conheci, há uns anos, um senhor guineense que tinha 3 esposas. Não fui seu amigo, mas consegui perguntar como era aquilo. Explicou que tinha tudo a ver com a sua religião e a das respectivas mulheres. Disse que viver em Lisboa desta forma era curioso e que achava que os portugueses eram menos espertos do que pensavam, uma vez que os seus rendimentos permitiriam, no mínimo, casar com três ou quatro.

Há muito que a palavra normal se dá mal nos corações.

segunda-feira, abril 16, 2007

A minha é bem passada.


The Angel of Meat – Mark Ryden (Óleo sobre madeira)



Pormenor

sexta-feira, abril 13, 2007

Ciclo Vicioso.




















Allegory of the Four Elements
– Mark Ryden (Óleo sobre tela)


Mark Ryden é um pintor e ilustrador de quem gosto. O seu trabalho é estranho e lembra-me alguns dias de infância em que via livros infantis antes de ir com a minha mãe ao mercado e ao talho. Em breve, mais destas obras esquisitas.

quinta-feira, abril 12, 2007

Vem aí o Verão.



Babies – Pulp

Por vezes farto-me do dramatismo que vai por aqui. Para infelicidades, bastam as que não conseguimos evitar.

quarta-feira, abril 11, 2007

A pior realidade.



Estou desconfiado que mais de 80% das vidas fracassam. Basta olhar à volta.

Até os autores mais insuspeitos gostavam, um dia, de ser bestsellers.

terça-feira, abril 10, 2007

A Natureza do Mal.

LUIS, um abraço.

quarta-feira, abril 04, 2007

O problema da pornografia em geral é que vive de mau gosto.



Roy Stuart é considerado o maior mestre na sua especialidade: fotografia erótica. Nasceu em Nova Iorque, vive em Paris e é nos apartamentos ricos desta cidade que fotografa.

Os seus modelos, cenários e encenações são escolhidos com rigor. As poses são as naturais de cada um e as próprias destas situações. Há quem diga que é pornografia, eu não discuto português. O seu segredo é ver e mostrar o que fazemos de uma forma less ordinary.

Nas nossas cabeças só vive o que é normal e natural para nós mesmos.

sexta-feira, março 30, 2007

Unrated.



Amei-te muito mais do que os palavrões que disse. Agora, o relógio que andava a cavalo quando te via parou.

Faço um esforço para que as pessoas continuem a gostar de me dar beijos. Nunca tive idade para o espelho ou para a masturbação. A ingratidão costuma ser recompensa farta para as coisas ou pessoas que nos ajudam.
De volta.

A ausência foi minúscula quando comparada com a grandeza do vídeo que aqui deixei. Deveriam tê-lo visto uma vez por dia, como receita para uma vida melhor.

Ouvi dizer que vários problemas daqueles que mudam tudo, como a morte de um pai, aconteceram a pessoas que lá estão a tocar, daí a qualidade fenomenal do disco.

As coisas genuínas são como os sapatos, se forem boas salvam qualquer indumentária, se não prestarem inquinam o mais belo dos esforços.

sexta-feira, março 23, 2007

Isto desculpa alguma da falta de assiduidade por aqui: a melhor música que ouvi nos últimos tempos:



No cars go – Neon Bible - Arcade Fire

segunda-feira, março 19, 2007

Médio prazo.

O critério para a escolha de quem me tem feito companhia ao longo da vida vai mudando. Na infância foram as afinidades nas brincadeiras, na puberdade e início da vida adulta foram as ideias e as brincadeiras. Agora não sei bem o que tem sido.

Se tiver sorte chegarei a velho e nessa altura será pouco provável que a minha mãe ainda cá esteja. Isto faz com que tenha que me começar a mexer para várias coisas, nomeadamente para precaver o conforto da alma. Um dia será urgente arranjar alguém profundamente devoto e crente que reze. Eu para isso não tenho prestado. Não acredito no céu e até acho que muitos dos cardeais também não, imagine-se a minha penúria se estiver enganado.

Como todos os velhos, conforme for indo, mais medroso vou ficar. No fim, segundo o que tenho ouvido dizer, não irei a tempo. Resta cercar-me de quem faça a papa toda: levante, cozinhe, leia e reze pelo traste que serei (também não acredito que até lá fiquemos como os asiáticos, para quem tratar dos velhos é uma honra, aliás, eu já nem tenho a certeza da palavra honra).

Se a minha mãe cá estivesse era fácil, ela gosta de mim.

terça-feira, março 13, 2007

Se é uma oportunidade, não interessa que seja a primeira ou a última.

Enquanto esperava pelo movimento da bóia, ia-me lembrando da praia. A água do rio era mais escura e muito menos tentadora. Devia ser por não haver sereias de água doce. No jornal do meu pai não vinha escrito que as canas e os anzóis eram coisa normal.

Farto de não se passar nada, lembrei-me de fazer um barquinho com o suplemento que falava de futebol. As minhocas fizeram de tripulação e disse-lhes adeus enquanto aquele cruzeiro foi visível.

Não sei se as salvei, mas pelo menos as suas hipóteses não ficaram por um fio.

sexta-feira, março 09, 2007

Está mesmo a dizer.

- Sabes que demoliram o muro que separava a zona grega da turca na cidade de Nicósia?

- Depois de 30 anos também era melhor.

- Fez-me lembrar a tua lingerie azul turquesa.

- Então?

- É que, de certa forma, também me separa de ti.

- Temos que a demolir.

quarta-feira, março 07, 2007

Volta para trás.

O tempo em que vivemos, como as pessoas, tem muito boa opinião de si próprio. Acha-se definitivo e, na verdade, é.

Não devia era rir das suas fotografias antigas, como as pessoas.

Mas o tempo, ao contrário das pessoas, não precisa de uma politica de amizades ou amores para se manter bom.

terça-feira, março 06, 2007

Sonho nascente.


Maiko a fazer compras.


Escola




A Geisha é uma mulher educada desde criança para mostrar os seus dotes de dança, conversação e canto a homens. A verdadeira Geisha não é uma acompanhante nem uma cortesã segundo os padrões ocidentais. Tem que ser perfeita e prostituir-se não seria uma grande forma de promoção.

Às aprendizes dá-se o nome de Maiko. Entre outras tarefas, têm que ajudar a Geisha na difícil tarefa de se vestir. Este processo demora mais de uma hora, mesmo com ajuda profissional.

Todas as magias acerca delas são verdadeiras. A melhor é que ainda existem nos dias de hoje. Muito longe dos olhos dos turistas e das imitadoras que pousam para as fotografias dos turistas. Kyoto é a cidade onde esta tradição se mantém forte e onde vivem entre 1000 a 2000 destas perfeições.