quinta-feira, abril 12, 2007

Vem aí o Verão.



Babies – Pulp

Por vezes farto-me do dramatismo que vai por aqui. Para infelicidades, bastam as que não conseguimos evitar.

quarta-feira, abril 11, 2007

A pior realidade.



Estou desconfiado que mais de 80% das vidas fracassam. Basta olhar à volta.

Até os autores mais insuspeitos gostavam, um dia, de ser bestsellers.

terça-feira, abril 10, 2007

A Natureza do Mal.

LUIS, um abraço.

quarta-feira, abril 04, 2007

O problema da pornografia em geral é que vive de mau gosto.



Roy Stuart é considerado o maior mestre na sua especialidade: fotografia erótica. Nasceu em Nova Iorque, vive em Paris e é nos apartamentos ricos desta cidade que fotografa.

Os seus modelos, cenários e encenações são escolhidos com rigor. As poses são as naturais de cada um e as próprias destas situações. Há quem diga que é pornografia, eu não discuto português. O seu segredo é ver e mostrar o que fazemos de uma forma less ordinary.

Nas nossas cabeças só vive o que é normal e natural para nós mesmos.

sexta-feira, março 30, 2007

Unrated.



Amei-te muito mais do que os palavrões que disse. Agora, o relógio que andava a cavalo quando te via parou.

Faço um esforço para que as pessoas continuem a gostar de me dar beijos. Nunca tive idade para o espelho ou para a masturbação. A ingratidão costuma ser recompensa farta para as coisas ou pessoas que nos ajudam.
De volta.

A ausência foi minúscula quando comparada com a grandeza do vídeo que aqui deixei. Deveriam tê-lo visto uma vez por dia, como receita para uma vida melhor.

Ouvi dizer que vários problemas daqueles que mudam tudo, como a morte de um pai, aconteceram a pessoas que lá estão a tocar, daí a qualidade fenomenal do disco.

As coisas genuínas são como os sapatos, se forem boas salvam qualquer indumentária, se não prestarem inquinam o mais belo dos esforços.

sexta-feira, março 23, 2007

Isto desculpa alguma da falta de assiduidade por aqui: a melhor música que ouvi nos últimos tempos:



No cars go – Neon Bible - Arcade Fire

segunda-feira, março 19, 2007

Médio prazo.

O critério para a escolha de quem me tem feito companhia ao longo da vida vai mudando. Na infância foram as afinidades nas brincadeiras, na puberdade e início da vida adulta foram as ideias e as brincadeiras. Agora não sei bem o que tem sido.

Se tiver sorte chegarei a velho e nessa altura será pouco provável que a minha mãe ainda cá esteja. Isto faz com que tenha que me começar a mexer para várias coisas, nomeadamente para precaver o conforto da alma. Um dia será urgente arranjar alguém profundamente devoto e crente que reze. Eu para isso não tenho prestado. Não acredito no céu e até acho que muitos dos cardeais também não, imagine-se a minha penúria se estiver enganado.

Como todos os velhos, conforme for indo, mais medroso vou ficar. No fim, segundo o que tenho ouvido dizer, não irei a tempo. Resta cercar-me de quem faça a papa toda: levante, cozinhe, leia e reze pelo traste que serei (também não acredito que até lá fiquemos como os asiáticos, para quem tratar dos velhos é uma honra, aliás, eu já nem tenho a certeza da palavra honra).

Se a minha mãe cá estivesse era fácil, ela gosta de mim.

terça-feira, março 13, 2007

Se é uma oportunidade, não interessa que seja a primeira ou a última.

Enquanto esperava pelo movimento da bóia, ia-me lembrando da praia. A água do rio era mais escura e muito menos tentadora. Devia ser por não haver sereias de água doce. No jornal do meu pai não vinha escrito que as canas e os anzóis eram coisa normal.

Farto de não se passar nada, lembrei-me de fazer um barquinho com o suplemento que falava de futebol. As minhocas fizeram de tripulação e disse-lhes adeus enquanto aquele cruzeiro foi visível.

Não sei se as salvei, mas pelo menos as suas hipóteses não ficaram por um fio.

sexta-feira, março 09, 2007

Está mesmo a dizer.

- Sabes que demoliram o muro que separava a zona grega da turca na cidade de Nicósia?

- Depois de 30 anos também era melhor.

- Fez-me lembrar a tua lingerie azul turquesa.

- Então?

- É que, de certa forma, também me separa de ti.

- Temos que a demolir.

quarta-feira, março 07, 2007

Volta para trás.

O tempo em que vivemos, como as pessoas, tem muito boa opinião de si próprio. Acha-se definitivo e, na verdade, é.

Não devia era rir das suas fotografias antigas, como as pessoas.

Mas o tempo, ao contrário das pessoas, não precisa de uma politica de amizades ou amores para se manter bom.

terça-feira, março 06, 2007

Sonho nascente.


Maiko a fazer compras.


Escola




A Geisha é uma mulher educada desde criança para mostrar os seus dotes de dança, conversação e canto a homens. A verdadeira Geisha não é uma acompanhante nem uma cortesã segundo os padrões ocidentais. Tem que ser perfeita e prostituir-se não seria uma grande forma de promoção.

Às aprendizes dá-se o nome de Maiko. Entre outras tarefas, têm que ajudar a Geisha na difícil tarefa de se vestir. Este processo demora mais de uma hora, mesmo com ajuda profissional.

Todas as magias acerca delas são verdadeiras. A melhor é que ainda existem nos dias de hoje. Muito longe dos olhos dos turistas e das imitadoras que pousam para as fotografias dos turistas. Kyoto é a cidade onde esta tradição se mantém forte e onde vivem entre 1000 a 2000 destas perfeições.

quinta-feira, março 01, 2007

Classe média.

Não tenho o condão de fazer as coisas tal qual gostaria. Nenhuma das minhas obras saiu como esperava, o que não quer dizer que tenham sido piores. Como diz um amigo, o pior de tudo é saber que nunca serei um Miles Davis de qualquer coisa.

Por ter tempo e paciência, concluo que me é inata a falta de capacidade. Assim sendo, resta-me admirar quem devo. Só aqui, na escolha destes cultos, poderei tentar ser melhor, o que não será pouco ou fácil.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Every sparkle of friendship and love will die.




Intervention - Arcade Fire

Este é, com certeza, um dos melhores posts dos últimos tempos.

sábado, fevereiro 24, 2007

Era tão tarde que era quase cedo.


Gustav Klimt

Todas as noites são frias e fazem mal. A Lua e as sombras assustam assim diariamente, (termo curioso para falar da noite). Até os pássaros são esquisitos a esta hora. Há poças que gelam de tanta coisa parar.

Os pesadelos e as más profissões riem-se e, caso o Sol não se intrometesse, era assim que isto era normal. As estrelas eram o fundo se a luz não viesse roubar este escuro que também vive nos teatros e nos bolsos.

Como vês, esta noite não tem nada de especial. Se calhar pensavas que o céu tropeçava por nossa causa.

Já é tarde, vou-me embora. Faz de conta que estamos num daqueles filmes que acaba quando ninguém quer.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Evolução.

O Miniscente entrou para a lista aqui do lado. Já lá devia estar há muito tempo.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O umbigo dos manequins,



nas montras já com as colecções de Verão, fazem-me lembrar o teu.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Tudo sobre a minha avó.



O pior de ter sido criada pelos meus avós era quando se aproximava o dia da mãe: na escola fazíamos um trabalho que lhe serviria de presente. Para mim isto era um exercício de crueldade massacrante. Hoje não, hoje já sou adulta, mas nunca esquecerei aquilo.

No dia, rasgava-o em bocadinhos pequenos pelo caminho. Quando chegava a casa a única coisa que restava era um carreirinho que, se não chovesse, amanhã ainda lá estava e que eu iria pisar de volta à escola.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Fórmula resolvente.



Estudiosos dizem que um ano é o tempo máximo de uma paixão. Afirmam que até nos casos como o de Romeu e Julieta este é o limite. Segundo eles, esse estado dura em média muito menos que isso.

Curioso como a ciência, sempre menosprezada pelos intelectuais de letras, contribui para a compreensão do mundo e da própria literatura.

Sabemos assim que caso Shakespeare tivesse salvo os dois a obra teria perdido toda a graça. Podemos também concluir que a maioria dos romances acabam no e foram felizes para sempre porque a partir dali o fogo e o sal começam a esmorecer - é matemático.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O dia dos namorados é uma Costa da Caparica.



É a moinha no dente antes de sairmos e um prato frio no restaurante. É o cheiro a alho nos dedos de uma cozinheira e o óleo nas unhas do mecânico que a admira.

É os noivos dentro do copo. Que se zangam e bebem demais.

O dia dos namorados é o amarelo entranhado onde quer e a capa que caiu do salto do teu sapato.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A história verdadeira de uma vizinha.



Uma mulher apaixonou-se pelo homem da sua vida. O pai proibiu-a de o ver, quanto mais casar. Nesse dia ela jurou entre os gritos e a raiva que lhe saltava da cara que ia esperar que ele morresse para viver esse amor. Para casar e ser feliz.

O pai viveu até aos 102 anos e quando morreu ela já tinha 68. Há muito que já se tinha esquecido do Amor, além disso agora era tarde de mais.

As pessoas ainda hoje falam dela, nada de bom. Referem as faltas e riem-se por sempre terem feito coisas e ela não.

Fotografia: Getty Images

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Dúvida pré-post*



Cenas do filme Saving Private Ryan com música de Prokofiev (violência explícita).

Qual a frase que mais se aproxima do que gostava de dizer?

Numa trincheira ou numa sepultura, o empenho de quem cava deve ser o mesmo.

As trincheiras e as sepulturas devem ser cavadas com a mesma vontade.

Não se cava uma trincheira sem se cavar uma sepultura.

O conceito fundamental passa através de qualquer uma destas três sentenças e isso é o que vale. Na escrita, como em quase tudo, a estética é menos importantes que a ideia.

*Aconteceu mesmo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

When we were young.



Eram para ser os The Killers mas o Youtube é desmancha-prazeres.

P.S. O Youtube retirou todos os videos dos the Killers do ar. Assim, fica aqui uma cover dos Taking Back Sunday que encontrei por lá.
E o presidente com aquele saxofone,

Parece-me so alone.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Por conseguinte, o despertador é um grande inimigo.



Gosto muito de me ir deitar. De largar os chinelos e as ralações. De me sentar na cama, saber que amanhã é de dia mas que até lá vou viajar sabe Deus e Freud, confundo sempre os dois, por onde.

Mesmo que não adormeça logo, ou que dê mais voltas do que queria, o que aí vem merece a pena. Há noites que são só preto, nem uma imagem ou voz. Há outras que são uma canseira com cataclismos e monstros, muitas vezes touros bravos (fruto provável de ser ribatejano). Todas são o que espero.

E quando estou vai não vai para ir, deixo de sentir as pernas. Imagino um doente conformado.

Sei que as noites são todas boas. Sei que até os carrascos e os fiscais dormem, se calhar a esta hora.

Sei que isto é uma preparação. Esta madorna, este escuro e a leveza de nem sentir nada só podem ser um treino. Esta ausência deve ser um segredo para ir ficando descansado, para não espantar e até conhecer a morte quando aqui estiver.

Fotografia: Thierry Le Gouès

terça-feira, janeiro 30, 2007

Yeah! Oh, Yeah!



The Magnetic Fields

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Família.



Numa entrevista ao escritor António Alçada Baptista, descubro mais uma razão, talvez a maior e a mais verdadeira, para as alterações da instituição família nestes tempos. Dantes as coisas corriam bem, as mulheres cozinhavam e os homens falavam na sala, connosco aos saltos para cá e para lá, havia arroz de coelho aos Domingos e passeios ao Alentejo de vez em quando. Também se jogava às cartas, os grandes com as quarenta e nós com os dezes.

O fim da família acontece quando se começou a casar por Amor.

Dantes o casamento era um verdadeiro acordo, contrato sem resolução, e às vezes até combinado pelos pais. Nada falhava nem podia, filhos, netos, casas cheias, de alegria umas vezes, outras de autoridade viril.

Não sei se era bom ou mau. Sei que funcionava daquela maneira. Hoje, as casas de uma nota só e os filhos coxos, ou de amparo repartido, também fazem por funcionar.

Fotografia: National Geographic

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Desvirginar.

Nas diversas formas de nunca mais voltarmos a ser o que fomos, lembro-me da primeira vez que vi uma cena de sexo explícito. Foi em casa de um amigo por volta dos sete anos através desse portento que era a revista Gina. Percebi que aquilo ia mudar a minha vida de forma leve, mas para sempre. Soube rapidamente, como se fosse um reflexo de nascença, que presenciava uma coisa naturalíssima, apesar de ter algo de grotesco e de ridículo em simultâneo (fruto provável da péssima qualidade das fotografias e adereços).

Diversas formas de misticismo, ilegalidade e votos de silêncio foram passados pelo fiel depositário, ainda que só por instantes, daquele tesouro. Pareceram-me na altura e só muito mais tarde, exageradas.

A Gina é um promontório na minha vida e isso dá vontade de rir, como tantos outros vistos a esta distância.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A história dos dois amantes que não gostavam de fazer Amor.
A história do homem feliz.