terça-feira, março 06, 2007

Sonho nascente.


Maiko a fazer compras.


Escola




A Geisha é uma mulher educada desde criança para mostrar os seus dotes de dança, conversação e canto a homens. A verdadeira Geisha não é uma acompanhante nem uma cortesã segundo os padrões ocidentais. Tem que ser perfeita e prostituir-se não seria uma grande forma de promoção.

Às aprendizes dá-se o nome de Maiko. Entre outras tarefas, têm que ajudar a Geisha na difícil tarefa de se vestir. Este processo demora mais de uma hora, mesmo com ajuda profissional.

Todas as magias acerca delas são verdadeiras. A melhor é que ainda existem nos dias de hoje. Muito longe dos olhos dos turistas e das imitadoras que pousam para as fotografias dos turistas. Kyoto é a cidade onde esta tradição se mantém forte e onde vivem entre 1000 a 2000 destas perfeições.

quinta-feira, março 01, 2007

Classe média.

Não tenho o condão de fazer as coisas tal qual gostaria. Nenhuma das minhas obras saiu como esperava, o que não quer dizer que tenham sido piores. Como diz um amigo, o pior de tudo é saber que nunca serei um Miles Davis de qualquer coisa.

Por ter tempo e paciência, concluo que me é inata a falta de capacidade. Assim sendo, resta-me admirar quem devo. Só aqui, na escolha destes cultos, poderei tentar ser melhor, o que não será pouco ou fácil.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Every sparkle of friendship and love will die.




Intervention - Arcade Fire

Este é, com certeza, um dos melhores posts dos últimos tempos.

sábado, fevereiro 24, 2007

Era tão tarde que era quase cedo.


Gustav Klimt

Todas as noites são frias e fazem mal. A Lua e as sombras assustam assim diariamente, (termo curioso para falar da noite). Até os pássaros são esquisitos a esta hora. Há poças que gelam de tanta coisa parar.

Os pesadelos e as más profissões riem-se e, caso o Sol não se intrometesse, era assim que isto era normal. As estrelas eram o fundo se a luz não viesse roubar este escuro que também vive nos teatros e nos bolsos.

Como vês, esta noite não tem nada de especial. Se calhar pensavas que o céu tropeçava por nossa causa.

Já é tarde, vou-me embora. Faz de conta que estamos num daqueles filmes que acaba quando ninguém quer.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Evolução.

O Miniscente entrou para a lista aqui do lado. Já lá devia estar há muito tempo.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O umbigo dos manequins,



nas montras já com as colecções de Verão, fazem-me lembrar o teu.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Tudo sobre a minha avó.



O pior de ter sido criada pelos meus avós era quando se aproximava o dia da mãe: na escola fazíamos um trabalho que lhe serviria de presente. Para mim isto era um exercício de crueldade massacrante. Hoje não, hoje já sou adulta, mas nunca esquecerei aquilo.

No dia, rasgava-o em bocadinhos pequenos pelo caminho. Quando chegava a casa a única coisa que restava era um carreirinho que, se não chovesse, amanhã ainda lá estava e que eu iria pisar de volta à escola.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Fórmula resolvente.



Estudiosos dizem que um ano é o tempo máximo de uma paixão. Afirmam que até nos casos como o de Romeu e Julieta este é o limite. Segundo eles, esse estado dura em média muito menos que isso.

Curioso como a ciência, sempre menosprezada pelos intelectuais de letras, contribui para a compreensão do mundo e da própria literatura.

Sabemos assim que caso Shakespeare tivesse salvo os dois a obra teria perdido toda a graça. Podemos também concluir que a maioria dos romances acabam no e foram felizes para sempre porque a partir dali o fogo e o sal começam a esmorecer - é matemático.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O dia dos namorados é uma Costa da Caparica.



É a moinha no dente antes de sairmos e um prato frio no restaurante. É o cheiro a alho nos dedos de uma cozinheira e o óleo nas unhas do mecânico que a admira.

É os noivos dentro do copo. Que se zangam e bebem demais.

O dia dos namorados é o amarelo entranhado onde quer e a capa que caiu do salto do teu sapato.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

A história verdadeira de uma vizinha.



Uma mulher apaixonou-se pelo homem da sua vida. O pai proibiu-a de o ver, quanto mais casar. Nesse dia ela jurou entre os gritos e a raiva que lhe saltava da cara que ia esperar que ele morresse para viver esse amor. Para casar e ser feliz.

O pai viveu até aos 102 anos e quando morreu ela já tinha 68. Há muito que já se tinha esquecido do Amor, além disso agora era tarde de mais.

As pessoas ainda hoje falam dela, nada de bom. Referem as faltas e riem-se por sempre terem feito coisas e ela não.

Fotografia: Getty Images

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Dúvida pré-post*



Cenas do filme Saving Private Ryan com música de Prokofiev (violência explícita).

Qual a frase que mais se aproxima do que gostava de dizer?

Numa trincheira ou numa sepultura, o empenho de quem cava deve ser o mesmo.

As trincheiras e as sepulturas devem ser cavadas com a mesma vontade.

Não se cava uma trincheira sem se cavar uma sepultura.

O conceito fundamental passa através de qualquer uma destas três sentenças e isso é o que vale. Na escrita, como em quase tudo, a estética é menos importantes que a ideia.

*Aconteceu mesmo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

When we were young.



Eram para ser os The Killers mas o Youtube é desmancha-prazeres.

P.S. O Youtube retirou todos os videos dos the Killers do ar. Assim, fica aqui uma cover dos Taking Back Sunday que encontrei por lá.
E o presidente com aquele saxofone,

Parece-me so alone.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Por conseguinte, o despertador é um grande inimigo.



Gosto muito de me ir deitar. De largar os chinelos e as ralações. De me sentar na cama, saber que amanhã é de dia mas que até lá vou viajar sabe Deus e Freud, confundo sempre os dois, por onde.

Mesmo que não adormeça logo, ou que dê mais voltas do que queria, o que aí vem merece a pena. Há noites que são só preto, nem uma imagem ou voz. Há outras que são uma canseira com cataclismos e monstros, muitas vezes touros bravos (fruto provável de ser ribatejano). Todas são o que espero.

E quando estou vai não vai para ir, deixo de sentir as pernas. Imagino um doente conformado.

Sei que as noites são todas boas. Sei que até os carrascos e os fiscais dormem, se calhar a esta hora.

Sei que isto é uma preparação. Esta madorna, este escuro e a leveza de nem sentir nada só podem ser um treino. Esta ausência deve ser um segredo para ir ficando descansado, para não espantar e até conhecer a morte quando aqui estiver.

Fotografia: Thierry Le Gouès

terça-feira, janeiro 30, 2007

Yeah! Oh, Yeah!



The Magnetic Fields

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Família.



Numa entrevista ao escritor António Alçada Baptista, descubro mais uma razão, talvez a maior e a mais verdadeira, para as alterações da instituição família nestes tempos. Dantes as coisas corriam bem, as mulheres cozinhavam e os homens falavam na sala, connosco aos saltos para cá e para lá, havia arroz de coelho aos Domingos e passeios ao Alentejo de vez em quando. Também se jogava às cartas, os grandes com as quarenta e nós com os dezes.

O fim da família acontece quando se começou a casar por Amor.

Dantes o casamento era um verdadeiro acordo, contrato sem resolução, e às vezes até combinado pelos pais. Nada falhava nem podia, filhos, netos, casas cheias, de alegria umas vezes, outras de autoridade viril.

Não sei se era bom ou mau. Sei que funcionava daquela maneira. Hoje, as casas de uma nota só e os filhos coxos, ou de amparo repartido, também fazem por funcionar.

Fotografia: National Geographic

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Desvirginar.

Nas diversas formas de nunca mais voltarmos a ser o que fomos, lembro-me da primeira vez que vi uma cena de sexo explícito. Foi em casa de um amigo por volta dos sete anos através desse portento que era a revista Gina. Percebi que aquilo ia mudar a minha vida de forma leve, mas para sempre. Soube rapidamente, como se fosse um reflexo de nascença, que presenciava uma coisa naturalíssima, apesar de ter algo de grotesco e de ridículo em simultâneo (fruto provável da péssima qualidade das fotografias e adereços).

Diversas formas de misticismo, ilegalidade e votos de silêncio foram passados pelo fiel depositário, ainda que só por instantes, daquele tesouro. Pareceram-me na altura e só muito mais tarde, exageradas.

A Gina é um promontório na minha vida e isso dá vontade de rir, como tantos outros vistos a esta distância.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A história dos dois amantes que não gostavam de fazer Amor.
A história do homem feliz.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Pela boca morre a saudade.



Há-de haver a última de todas as lágrimas, o suspiro que trancará os teus pulmões e o derradeiro eco dos teus dentes a encaixar. Até o último dos cabelos, que tão bem trataste quando eras nova, vai cair, como um véu, da tua caveira.

Até lá, fico com o beijo inaugural dos dias, os salpicos do Verão e as recordações. As que estes bons momentos me levam. Lembro-me, por exemplo, da mão leitosa do meu pai na véspera de morrer, com as unhas cruas como as de um bebé, e os dedos dobrados em cima de uma toalhinha. Nunca esquecerei a toalhinha que tanto conforto me dava por saber do descanso que estaria prestes a enxugar.

Mas esta é daquelas lembranças que a tua boca me leva.

Fotografia: Thierry Le Gouès

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Eu hoje acordei assim... ©



Cancion Del Mariachi – Antonio Banderas & Los Lobos.

Com ganas.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Agent in charge.


Gong Li - Miami Vice, 2006

- Isto é má ideia.

- Pensava que já tinhamos passado essa fase.

- E não tem futuro.

- Pois não.

- Então não há nada que nos possa preocupar.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Inteligência Real.



Interesso-me por cidades e exércitos, por rainhas e guerreiras. Por sacrifícios e conquistas, por castigos e penas pesadas como a morte. Por traidores e intrusos, por expansões e subterrâneos.

Interesso-me por coisas que existem no meu canteiro, formigas, por exemplo.

Fotografia: David Lachapelle

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Living Bastard.



Love Kills – Freddie Mercury – 1984

Este tema faz parte de uma colectânea de rock inspirada no filme Metropolis de Fritz Lang (1927). Este é um estranho caso de uma obra-prima - o filme, misturado com outra que não sei como classificar - a canção, numa década que, em matéria de gosto, deu-nos bons ténis.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Dá-me 2 centímetros.



Parece estúpido mas é isso mesmo que eu quero. Não, não é de tempo que preciso, o que eu quero mesmo é a medida: 2 centímetros. Achas estranho? Porquê? Não tarda começas a fazer piadas sobre a importância das grandezas.

E olha que anseio por isto como um desgraçado pelo que atordoa o vício. Sou capaz de mentir se for preciso. Parece estúpido mas até este suspense me deixa as pernas desassossegadas.

Não é que faça alguma coisa, os cães debaixo de uma mesa de jantar também ficam só ali, a ver e a chorar à sua maneira.

O decote, falo do decote.

Fotografia: Thierry Le Goués

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Balla me Deus.



O fim da luta – Balla.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Estou dividido,

e agora ando por aqui também.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Ponto de cruz.



Baralho-me com o Amor e com a atracção. Abraço-te pelo primeiro e não me arrependo da segunda. Só quero ter-te aqui ao pé, mas isso não me tira da cabeça a tua cintura. O teu peito esmaga-me o coração e o juízo sem sair do mesmo sítio.

Não me faças perguntas que vocês mulheres percebem mais disto do que eu. Saltas do romantismo para o meu corpo com a suavidade de uma agulha. Felizmente.

Fotografia: Thierry Le Gouès
Perform such devotion.



(isto é o que estão a pensar e, já que estamos com espírito consumista, pode animar qualquer jogo de quarto por 1600 Euros)

Começar 2007 com classe, muita classe. Cuidado com o que vão encontrar por aqui.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Not bed.



Como o anunciado na imprensa, por €46.020 esta cama pode ser sua.