Fórmula resolvente.
Estudiosos dizem que um ano é o tempo máximo de uma paixão. Afirmam que até nos casos como o de Romeu e Julieta este é o limite. Segundo eles, esse estado dura em média muito menos que isso.
Curioso como a ciência, sempre menosprezada pelos intelectuais de letras, contribui para a compreensão do mundo e da própria literatura.
Sabemos assim que caso Shakespeare tivesse salvo os dois a obra teria perdido toda a graça. Podemos também concluir que a maioria dos romances acabam no e foram felizes para sempre porque a partir dali o fogo e o sal começam a esmorecer - é matemático.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
O dia dos namorados é uma Costa da Caparica.

É a moinha no dente antes de sairmos e um prato frio no restaurante. É o cheiro a alho nos dedos de uma cozinheira e o óleo nas unhas do mecânico que a admira.
É os noivos dentro do copo. Que se zangam e bebem demais.
O dia dos namorados é o amarelo entranhado onde quer e a capa que caiu do salto do teu sapato.

É a moinha no dente antes de sairmos e um prato frio no restaurante. É o cheiro a alho nos dedos de uma cozinheira e o óleo nas unhas do mecânico que a admira.
É os noivos dentro do copo. Que se zangam e bebem demais.
O dia dos namorados é o amarelo entranhado onde quer e a capa que caiu do salto do teu sapato.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
A história verdadeira de uma vizinha.

Uma mulher apaixonou-se pelo homem da sua vida. O pai proibiu-a de o ver, quanto mais casar. Nesse dia ela jurou entre os gritos e a raiva que lhe saltava da cara que ia esperar que ele morresse para viver esse amor. Para casar e ser feliz.
O pai viveu até aos 102 anos e quando morreu ela já tinha 68. Há muito que já se tinha esquecido do Amor, além disso agora era tarde de mais.
As pessoas ainda hoje falam dela, nada de bom. Referem as faltas e riem-se por sempre terem feito coisas e ela não.
Fotografia: Getty Images

Uma mulher apaixonou-se pelo homem da sua vida. O pai proibiu-a de o ver, quanto mais casar. Nesse dia ela jurou entre os gritos e a raiva que lhe saltava da cara que ia esperar que ele morresse para viver esse amor. Para casar e ser feliz.
O pai viveu até aos 102 anos e quando morreu ela já tinha 68. Há muito que já se tinha esquecido do Amor, além disso agora era tarde de mais.
As pessoas ainda hoje falam dela, nada de bom. Referem as faltas e riem-se por sempre terem feito coisas e ela não.
Fotografia: Getty Images
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Dúvida pré-post*
Cenas do filme Saving Private Ryan com música de Prokofiev (violência explícita).
Qual a frase que mais se aproxima do que gostava de dizer?
Numa trincheira ou numa sepultura, o empenho de quem cava deve ser o mesmo.
As trincheiras e as sepulturas devem ser cavadas com a mesma vontade.
Não se cava uma trincheira sem se cavar uma sepultura.
O conceito fundamental passa através de qualquer uma destas três sentenças e isso é o que vale. Na escrita, como em quase tudo, a estética é menos importantes que a ideia.
*Aconteceu mesmo.
Cenas do filme Saving Private Ryan com música de Prokofiev (violência explícita).
Qual a frase que mais se aproxima do que gostava de dizer?
Numa trincheira ou numa sepultura, o empenho de quem cava deve ser o mesmo.
As trincheiras e as sepulturas devem ser cavadas com a mesma vontade.
Não se cava uma trincheira sem se cavar uma sepultura.
O conceito fundamental passa através de qualquer uma destas três sentenças e isso é o que vale. Na escrita, como em quase tudo, a estética é menos importantes que a ideia.
*Aconteceu mesmo.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Por conseguinte, o despertador é um grande inimigo.

Gosto muito de me ir deitar. De largar os chinelos e as ralações. De me sentar na cama, saber que amanhã é de dia mas que até lá vou viajar sabe Deus e Freud, confundo sempre os dois, por onde.
Mesmo que não adormeça logo, ou que dê mais voltas do que queria, o que aí vem merece a pena. Há noites que são só preto, nem uma imagem ou voz. Há outras que são uma canseira com cataclismos e monstros, muitas vezes touros bravos (fruto provável de ser ribatejano). Todas são o que espero.
E quando estou vai não vai para ir, deixo de sentir as pernas. Imagino um doente conformado.
Sei que as noites são todas boas. Sei que até os carrascos e os fiscais dormem, se calhar a esta hora.
Sei que isto é uma preparação. Esta madorna, este escuro e a leveza de nem sentir nada só podem ser um treino. Esta ausência deve ser um segredo para ir ficando descansado, para não espantar e até conhecer a morte quando aqui estiver.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Gosto muito de me ir deitar. De largar os chinelos e as ralações. De me sentar na cama, saber que amanhã é de dia mas que até lá vou viajar sabe Deus e Freud, confundo sempre os dois, por onde.
Mesmo que não adormeça logo, ou que dê mais voltas do que queria, o que aí vem merece a pena. Há noites que são só preto, nem uma imagem ou voz. Há outras que são uma canseira com cataclismos e monstros, muitas vezes touros bravos (fruto provável de ser ribatejano). Todas são o que espero.
E quando estou vai não vai para ir, deixo de sentir as pernas. Imagino um doente conformado.
Sei que as noites são todas boas. Sei que até os carrascos e os fiscais dormem, se calhar a esta hora.
Sei que isto é uma preparação. Esta madorna, este escuro e a leveza de nem sentir nada só podem ser um treino. Esta ausência deve ser um segredo para ir ficando descansado, para não espantar e até conhecer a morte quando aqui estiver.
Fotografia: Thierry Le Gouès
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Família.

Numa entrevista ao escritor António Alçada Baptista, descubro mais uma razão, talvez a maior e a mais verdadeira, para as alterações da instituição família nestes tempos. Dantes as coisas corriam bem, as mulheres cozinhavam e os homens falavam na sala, connosco aos saltos para cá e para lá, havia arroz de coelho aos Domingos e passeios ao Alentejo de vez em quando. Também se jogava às cartas, os grandes com as quarenta e nós com os dezes.
O fim da família acontece quando se começou a casar por Amor.
Dantes o casamento era um verdadeiro acordo, contrato sem resolução, e às vezes até combinado pelos pais. Nada falhava nem podia, filhos, netos, casas cheias, de alegria umas vezes, outras de autoridade viril.
Não sei se era bom ou mau. Sei que funcionava daquela maneira. Hoje, as casas de uma nota só e os filhos coxos, ou de amparo repartido, também fazem por funcionar.
Fotografia: National Geographic

Numa entrevista ao escritor António Alçada Baptista, descubro mais uma razão, talvez a maior e a mais verdadeira, para as alterações da instituição família nestes tempos. Dantes as coisas corriam bem, as mulheres cozinhavam e os homens falavam na sala, connosco aos saltos para cá e para lá, havia arroz de coelho aos Domingos e passeios ao Alentejo de vez em quando. Também se jogava às cartas, os grandes com as quarenta e nós com os dezes.
O fim da família acontece quando se começou a casar por Amor.
Dantes o casamento era um verdadeiro acordo, contrato sem resolução, e às vezes até combinado pelos pais. Nada falhava nem podia, filhos, netos, casas cheias, de alegria umas vezes, outras de autoridade viril.
Não sei se era bom ou mau. Sei que funcionava daquela maneira. Hoje, as casas de uma nota só e os filhos coxos, ou de amparo repartido, também fazem por funcionar.
Fotografia: National Geographic
quarta-feira, janeiro 24, 2007
Desvirginar.
Nas diversas formas de nunca mais voltarmos a ser o que fomos, lembro-me da primeira vez que vi uma cena de sexo explícito. Foi em casa de um amigo por volta dos sete anos através desse portento que era a revista Gina. Percebi que aquilo ia mudar a minha vida de forma leve, mas para sempre. Soube rapidamente, como se fosse um reflexo de nascença, que presenciava uma coisa naturalíssima, apesar de ter algo de grotesco e de ridículo em simultâneo (fruto provável da péssima qualidade das fotografias e adereços).
Diversas formas de misticismo, ilegalidade e votos de silêncio foram passados pelo fiel depositário, ainda que só por instantes, daquele tesouro. Pareceram-me na altura e só muito mais tarde, exageradas.
A Gina é um promontório na minha vida e isso dá vontade de rir, como tantos outros vistos a esta distância.
Nas diversas formas de nunca mais voltarmos a ser o que fomos, lembro-me da primeira vez que vi uma cena de sexo explícito. Foi em casa de um amigo por volta dos sete anos através desse portento que era a revista Gina. Percebi que aquilo ia mudar a minha vida de forma leve, mas para sempre. Soube rapidamente, como se fosse um reflexo de nascença, que presenciava uma coisa naturalíssima, apesar de ter algo de grotesco e de ridículo em simultâneo (fruto provável da péssima qualidade das fotografias e adereços).
Diversas formas de misticismo, ilegalidade e votos de silêncio foram passados pelo fiel depositário, ainda que só por instantes, daquele tesouro. Pareceram-me na altura e só muito mais tarde, exageradas.
A Gina é um promontório na minha vida e isso dá vontade de rir, como tantos outros vistos a esta distância.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
quinta-feira, janeiro 18, 2007
Pela boca morre a saudade.

Há-de haver a última de todas as lágrimas, o suspiro que trancará os teus pulmões e o derradeiro eco dos teus dentes a encaixar. Até o último dos cabelos, que tão bem trataste quando eras nova, vai cair, como um véu, da tua caveira.
Até lá, fico com o beijo inaugural dos dias, os salpicos do Verão e as recordações. As que estes bons momentos me levam. Lembro-me, por exemplo, da mão leitosa do meu pai na véspera de morrer, com as unhas cruas como as de um bebé, e os dedos dobrados em cima de uma toalhinha. Nunca esquecerei a toalhinha que tanto conforto me dava por saber do descanso que estaria prestes a enxugar.
Mas esta é daquelas lembranças que a tua boca me leva.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Há-de haver a última de todas as lágrimas, o suspiro que trancará os teus pulmões e o derradeiro eco dos teus dentes a encaixar. Até o último dos cabelos, que tão bem trataste quando eras nova, vai cair, como um véu, da tua caveira.
Até lá, fico com o beijo inaugural dos dias, os salpicos do Verão e as recordações. As que estes bons momentos me levam. Lembro-me, por exemplo, da mão leitosa do meu pai na véspera de morrer, com as unhas cruas como as de um bebé, e os dedos dobrados em cima de uma toalhinha. Nunca esquecerei a toalhinha que tanto conforto me dava por saber do descanso que estaria prestes a enxugar.
Mas esta é daquelas lembranças que a tua boca me leva.
Fotografia: Thierry Le Gouès
quarta-feira, janeiro 17, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Inteligência Real.

Interesso-me por cidades e exércitos, por rainhas e guerreiras. Por sacrifícios e conquistas, por castigos e penas pesadas como a morte. Por traidores e intrusos, por expansões e subterrâneos.
Interesso-me por coisas que existem no meu canteiro, formigas, por exemplo.
Fotografia: David Lachapelle

Interesso-me por cidades e exércitos, por rainhas e guerreiras. Por sacrifícios e conquistas, por castigos e penas pesadas como a morte. Por traidores e intrusos, por expansões e subterrâneos.
Interesso-me por coisas que existem no meu canteiro, formigas, por exemplo.
Fotografia: David Lachapelle
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Living Bastard.
Love Kills – Freddie Mercury – 1984
Este tema faz parte de uma colectânea de rock inspirada no filme Metropolis de Fritz Lang (1927). Este é um estranho caso de uma obra-prima - o filme, misturado com outra que não sei como classificar - a canção, numa década que, em matéria de gosto, deu-nos bons ténis.
Love Kills – Freddie Mercury – 1984
Este tema faz parte de uma colectânea de rock inspirada no filme Metropolis de Fritz Lang (1927). Este é um estranho caso de uma obra-prima - o filme, misturado com outra que não sei como classificar - a canção, numa década que, em matéria de gosto, deu-nos bons ténis.
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Dá-me 2 centímetros.

Parece estúpido mas é isso mesmo que eu quero. Não, não é de tempo que preciso, o que eu quero mesmo é a medida: 2 centímetros. Achas estranho? Porquê? Não tarda começas a fazer piadas sobre a importância das grandezas.
E olha que anseio por isto como um desgraçado pelo que atordoa o vício. Sou capaz de mentir se for preciso. Parece estúpido mas até este suspense me deixa as pernas desassossegadas.
Não é que faça alguma coisa, os cães debaixo de uma mesa de jantar também ficam só ali, a ver e a chorar à sua maneira.
O decote, falo do decote.
Fotografia: Thierry Le Goués

Parece estúpido mas é isso mesmo que eu quero. Não, não é de tempo que preciso, o que eu quero mesmo é a medida: 2 centímetros. Achas estranho? Porquê? Não tarda começas a fazer piadas sobre a importância das grandezas.
E olha que anseio por isto como um desgraçado pelo que atordoa o vício. Sou capaz de mentir se for preciso. Parece estúpido mas até este suspense me deixa as pernas desassossegadas.
Não é que faça alguma coisa, os cães debaixo de uma mesa de jantar também ficam só ali, a ver e a chorar à sua maneira.
O decote, falo do decote.
Fotografia: Thierry Le Goués
quarta-feira, janeiro 03, 2007
terça-feira, janeiro 02, 2007
Ponto de cruz.

Baralho-me com o Amor e com a atracção. Abraço-te pelo primeiro e não me arrependo da segunda. Só quero ter-te aqui ao pé, mas isso não me tira da cabeça a tua cintura. O teu peito esmaga-me o coração e o juízo sem sair do mesmo sítio.
Não me faças perguntas que vocês mulheres percebem mais disto do que eu. Saltas do romantismo para o meu corpo com a suavidade de uma agulha. Felizmente.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Baralho-me com o Amor e com a atracção. Abraço-te pelo primeiro e não me arrependo da segunda. Só quero ter-te aqui ao pé, mas isso não me tira da cabeça a tua cintura. O teu peito esmaga-me o coração e o juízo sem sair do mesmo sítio.
Não me faças perguntas que vocês mulheres percebem mais disto do que eu. Saltas do romantismo para o meu corpo com a suavidade de uma agulha. Felizmente.
Fotografia: Thierry Le Gouès
Perform such devotion.

(isto é o que estão a pensar e, já que estamos com espírito consumista, pode animar qualquer jogo de quarto por 1600 Euros)
Começar 2007 com classe, muita classe. Cuidado com o que vão encontrar por aqui.

(isto é o que estão a pensar e, já que estamos com espírito consumista, pode animar qualquer jogo de quarto por 1600 Euros)
Começar 2007 com classe, muita classe. Cuidado com o que vão encontrar por aqui.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
terça-feira, dezembro 26, 2006
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Os melhores presentes de 2006.
Estes blogs valem muito mais do que o seu peso em ouro e os autores deviam ser obrigados a escrever, pelo menos, três vezes ao dia:
- Estado Civil
- Voz do Deserto
- A causa foi modificada
- Bomba inteligente
Aos responsáveis, muito obrigado.
Estes blogs valem muito mais do que o seu peso em ouro e os autores deviam ser obrigados a escrever, pelo menos, três vezes ao dia:
- Estado Civil
- Voz do Deserto
- A causa foi modificada
- Bomba inteligente
Aos responsáveis, muito obrigado.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
A tortura é manter-me calado.

Lido muito bem com as coisas que têm que ser, como as limitações da língua em relação aquilo que se quer dizer. Por exemplo, como se poderá dizer a uma mulher que se lhe adora o sinal que fica mesmo em cima daquele Tubérculo de Montgomery do mamilo esquerdo? Existirá uma forma romântica de o dizer? Talvez (por acaso pensei numa que seria uma saída airosa, mas não a revelarei).
Se fosse eu, dizia. Sou um boca de trapos. Eu sinto, tu ouves. O peito fez-se para isto.
P.S. Não encontrei nenhum link que aclarasse convenientemente o que eram os Tubérculos de Montgomery (pequenas glândulas salientes que cercam o mamilo), ou seja, esta explicação tornou-se também num caso comprometedor de falta de vocabulário.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Lido muito bem com as coisas que têm que ser, como as limitações da língua em relação aquilo que se quer dizer. Por exemplo, como se poderá dizer a uma mulher que se lhe adora o sinal que fica mesmo em cima daquele Tubérculo de Montgomery do mamilo esquerdo? Existirá uma forma romântica de o dizer? Talvez (por acaso pensei numa que seria uma saída airosa, mas não a revelarei).
Se fosse eu, dizia. Sou um boca de trapos. Eu sinto, tu ouves. O peito fez-se para isto.
P.S. Não encontrei nenhum link que aclarasse convenientemente o que eram os Tubérculos de Montgomery (pequenas glândulas salientes que cercam o mamilo), ou seja, esta explicação tornou-se também num caso comprometedor de falta de vocabulário.
Fotografia: Thierry Le Gouès
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Hoje somos estes, amanhã seremos muitos menos.

Nick Cave
Não será bem um Gostar de Homens© mas sim uma espécie de terapia de grupo só com um participante. De vez em quando também preciso de visitar e perceber homens que vivem com a temática deste blog dentro deles. Necessidade de pertença ou inserção, estar por aqui sozinho é que não.
Preciso de ter provas de que isto não é uma conspiração, uma experiência química do meu centro de saúde ou os primórdios de uma doença com nome alemão.

Nick Cave
Não será bem um Gostar de Homens© mas sim uma espécie de terapia de grupo só com um participante. De vez em quando também preciso de visitar e perceber homens que vivem com a temática deste blog dentro deles. Necessidade de pertença ou inserção, estar por aqui sozinho é que não.
Preciso de ter provas de que isto não é uma conspiração, uma experiência química do meu centro de saúde ou os primórdios de uma doença com nome alemão.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Janela indiscreta.

Cala-te, ouve os vermes a roer. Olha agora os passos do padre. Vês, a tua cama é muito mais do que nós. Fica perto demais do mundo, isto está numa espécie de rés-do-chão da própria vida, já viste?
Daqui qualquer miúdo que passa consegue ouvir-nos até a sonhar.
E os olhos dos velhos? O que seremos nós nos olhos dos velhos amanhã de manhã?
Fotografia: Thierry Le Gouès

Cala-te, ouve os vermes a roer. Olha agora os passos do padre. Vês, a tua cama é muito mais do que nós. Fica perto demais do mundo, isto está numa espécie de rés-do-chão da própria vida, já viste?
Daqui qualquer miúdo que passa consegue ouvir-nos até a sonhar.
E os olhos dos velhos? O que seremos nós nos olhos dos velhos amanhã de manhã?
Fotografia: Thierry Le Gouès
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