segunda-feira, janeiro 08, 2007

Living Bastard.



Love Kills – Freddie Mercury – 1984

Este tema faz parte de uma colectânea de rock inspirada no filme Metropolis de Fritz Lang (1927). Este é um estranho caso de uma obra-prima - o filme, misturado com outra que não sei como classificar - a canção, numa década que, em matéria de gosto, deu-nos bons ténis.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Dá-me 2 centímetros.



Parece estúpido mas é isso mesmo que eu quero. Não, não é de tempo que preciso, o que eu quero mesmo é a medida: 2 centímetros. Achas estranho? Porquê? Não tarda começas a fazer piadas sobre a importância das grandezas.

E olha que anseio por isto como um desgraçado pelo que atordoa o vício. Sou capaz de mentir se for preciso. Parece estúpido mas até este suspense me deixa as pernas desassossegadas.

Não é que faça alguma coisa, os cães debaixo de uma mesa de jantar também ficam só ali, a ver e a chorar à sua maneira.

O decote, falo do decote.

Fotografia: Thierry Le Goués

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Balla me Deus.



O fim da luta – Balla.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Estou dividido,

e agora ando por aqui também.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Ponto de cruz.



Baralho-me com o Amor e com a atracção. Abraço-te pelo primeiro e não me arrependo da segunda. Só quero ter-te aqui ao pé, mas isso não me tira da cabeça a tua cintura. O teu peito esmaga-me o coração e o juízo sem sair do mesmo sítio.

Não me faças perguntas que vocês mulheres percebem mais disto do que eu. Saltas do romantismo para o meu corpo com a suavidade de uma agulha. Felizmente.

Fotografia: Thierry Le Gouès
Perform such devotion.



(isto é o que estão a pensar e, já que estamos com espírito consumista, pode animar qualquer jogo de quarto por 1600 Euros)

Começar 2007 com classe, muita classe. Cuidado com o que vão encontrar por aqui.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Not bed.



Como o anunciado na imprensa, por €46.020 esta cama pode ser sua.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada, fale baixo por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Vinícius e Tom Jobim

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Os melhores presentes de 2006.

Estes blogs valem muito mais do que o seu peso em ouro e os autores deviam ser obrigados a escrever, pelo menos, três vezes ao dia:

- Estado Civil

- Voz do Deserto

- A causa foi modificada

- Bomba inteligente

Aos responsáveis, muito obrigado.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A tortura é manter-me calado.



Lido muito bem com as coisas que têm que ser, como as limitações da língua em relação aquilo que se quer dizer. Por exemplo, como se poderá dizer a uma mulher que se lhe adora o sinal que fica mesmo em cima daquele Tubérculo de Montgomery do mamilo esquerdo? Existirá uma forma romântica de o dizer? Talvez (por acaso pensei numa que seria uma saída airosa, mas não a revelarei).

Se fosse eu, dizia. Sou um boca de trapos. Eu sinto, tu ouves. O peito fez-se para isto.

P.S. Não encontrei nenhum link que aclarasse convenientemente o que eram os Tubérculos de Montgomery (pequenas glândulas salientes que cercam o mamilo), ou seja, esta explicação tornou-se também num caso comprometedor de falta de vocabulário.

Fotografia: Thierry Le Gouès

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Hoje somos estes, amanhã seremos muitos menos.



Nick Cave

Não será bem um Gostar de Homens© mas sim uma espécie de terapia de grupo só com um participante. De vez em quando também preciso de visitar e perceber homens que vivem com a temática deste blog dentro deles. Necessidade de pertença ou inserção, estar por aqui sozinho é que não.

Preciso de ter provas de que isto não é uma conspiração, uma experiência química do meu centro de saúde ou os primórdios de uma doença com nome alemão.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Style It Takes.



John Cale e Lou Reed

Do magnífico álbum Songs for Drella, tributo dos dois a Handy Warhol.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Janela indiscreta.



Cala-te, ouve os vermes a roer. Olha agora os passos do padre. Vês, a tua cama é muito mais do que nós. Fica perto demais do mundo, isto está numa espécie de rés-do-chão da própria vida, já viste?

Daqui qualquer miúdo que passa consegue ouvir-nos até a sonhar.

E os olhos dos velhos? O que seremos nós nos olhos dos velhos amanhã de manhã?

Fotografia: Thierry Le Gouès
Duplo mortal.

Estou na dúvida entre escrever sobre o álbum Naked dos Talking Heads e o novo livro do José Saramago, As pequenas memórias.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Sinto frio.



O frio é menosprezado, sempre o foi. O Napoleão e o Hitler não lhe ligaram e já se sabe o que aconteceu. As suas tropas morreram e conservaram um sorriso que dizem dever-se a uma estranha sensação de calor que invade quem morre disso no último instante.

Não sei se ele me dá vontade de rir ou chorar cada vez que vejo num filme alguém a apagar-se nos braços de quem ama enquanto diz que sente frio.

Eu levo-o muito a sério e, apesar de saber que estou a pedir muito, gostava que ele não me enlouquecesse ainda mais quando te vir a despir a blusa.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Axioma.



A maioria das mulheres não é mais interessante porque não está para isso.

A maioria dos homens não é mais interessante porque não consegue.

Fotografia: Thierry Le Gouès

terça-feira, dezembro 05, 2006

In technicolor.



As obras-primas reconhecidas irritam-me como um familiar que fala demais. São sempre a tábua de salvação para quem quer mostrar que sabe ou viu coisas insuspeitas. São batota e não deveriam ser permitidas em jantares de amigos verdadeiros.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Punishing kiss.



- Bem tenho que desligar. Vou buscar a minha irmã e contar-lhe que a casa está neste estado porque em vez de arrumar e limpar tudo, estive aqui à conversa contigo.

- Não faz mal. diz-lhe isso que ela não se importa. Assim revê-me em cada meia espalhada no chão.

Fotografia: Thierry Le Gouès

quinta-feira, novembro 30, 2006

Wave of Mutilation.



Era uma vez um Deus daqueles capazes de controlar o mar que, por cinco ou dez mil dólares, matava de Nova Iorque até ao México. Pelo caminho deixava virgens numa ruína a clamar pela sua misericórdia ou pujança, sem saberem qual querer ou sofrer primeiro. E havia daquelas paisagens em que o calor reverbera, sabes?

Agora tu, inventa aí uma história que me ponha bem disposta.

Fotografia: Thierry Le Gouès
ONTEM PELA TARDE ENSOLARADA

Circulando através de Berlim a cidade morta
No regresso de um qualquer país estrangeiro
Senti pela primeira vez a necessidade
De ir desenterrar a minha mulher ao seu cemitério
Eu próprio deitei sobre ela duas pazadas cheias
E de ver o que dela ainda resta
Os ossos que nunca vi
De segurar o seu crânio na minha mão
E de imaginar o que era o seu rosto
Por detrás das máscaras que trazia
Através de Berlim a cidade morta e de outras cidades
No tempo em que estava vestido com a sua carne

Não cedi a esta necessidade
Por medo da polícia e dos comentários dos meus amigos.

Heiner Müller

quarta-feira, novembro 29, 2006

Heiner Müller



Admiro-o porque o horror de muitos dos seus textos aproxima-se da vida real e do quotidiano. São a loucura normal mas não aconselháveis a todas as susceptibilidades.


O PAI

Um pai morto teria sido talvez
Um melhor pai. O preferível
É um pai nado-morto.
Não pára de crescer a erva sobre a fronteira.
A erva deve ser arrancada
De novo e de novo que cresce sobre a fronteira.

Gostaria que o meu pai tivesse sido um tubarão
Que tivesse despedaçado quarenta baleeiros
(E no seu sangue eu teria aprendido a nadar)
Minha mãe uma baleia azul meu nome Lautréamont
Morto em Paris1871 desconhecido.

Heiner Müller
HIENA

A hiena gosta dos blindados imobilizados no deserto porque as suas tripulações estão mortas. Ela pode esperar. Ela espera até que mil e uma tempestades de areia tenham corroído o aço. Então chega a sua hora. A hiena é o animal heráldico das matemáticas. Ela sabe que não deve haver resto. Seu deus é o zero.

Heiner Müller

domingo, novembro 26, 2006

Fleuma.

Mijar contra o muro da escola ou atirar a sétima pedra ao ninho das andorinhas não é nada, quando se compara com a mais pequena das vergonhas adultas.
O Amor é mais fácil de aprender do que a descrição do Amor.

terça-feira, novembro 21, 2006

Como um choro de bebé:

o consolo é que não poderá durar para sempre.
Sangue azul.

Arrumo Blue Train de John Coltrane bem perto de Every Day dos The Cinematic Orchestra. Não gosto muito do primeiro e este leva-me sempre pelo braço para o segundo. Blue Train serve para manter o respeito dos amigos ou de quem vem cá a casa, o outro é o que me faz feliz a sério.

As aparências salvam alguns animais, entre eles inúmeros insectos.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Já desconfiava.

Sou um fraco. Ainda não ter visto O sacrifício de Tarkovsky é só mais uma corroboração.

domingo, novembro 19, 2006

Pakistan?

O Governo paquistanês aprovou a lei que permite as mulheres apresentarem queixa por violação sem serem necessárias as quatro testemunhas do sexo masculino que anteriormente eram exigidas.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Bombay Sapphire.



Depois de te perder consolam-me coisas como uns sapatos confortáveis ou umas calças passadas a ferro. Os velhos a tentar passar a rua também me deixam a alma tépida sem saber porquê. Se calhar é por ainda conseguir correr, mesmo sabendo que já não preciso. A eles também basta qualquer coisa que não doa os pés para se sentirem mais novos.

Acho que estou velho. Ouvi dizer que na Índia os velhos vão para sítios específicos morrer. Tenho um amigo que esteve lá e que viu um a passar, morto, levado pelo rio. Imagino-os num pátio solarengo e com cheiro a flores velhas, não é secas, é velhas, que é pior. Lá chegam com um saquinho, depois devem sentar-se à espera.

Já viste, a Índia tem estes pátios e tem o Kama Sutra. E o meu amigo disse que também há lá monumentos parecidos às nossas igrejas só que em vez de santos têm uma data de gente a fazer amor. Com as pernas, os seios e os sorrisos de pedra.

Se aqui tivesses dizia-te que a Índia é que era: consciência da morte e manuais para amar na perfeição.

terça-feira, novembro 14, 2006

Ao contrário.

Acho que a teimosia é uma das fundações de qualquer relação. A perseverança é demasiado fraca, planeada ou pomposa para que possa ser ligada à Paixão ou ao Amor. A teimosia é mais irracional e injustificada, por isso mesmo é a explicação mais próxima da verdade.

O Amor é um sinal de civilização sem filtro. Não se compadece com estudos ou convicções. Trabalha como um cilindro de alcatrão que alisa toda a verdade e mentira, espalmando-as numa massa uniforme que queremos e não queremos.