sexta-feira, setembro 08, 2006
quarta-feira, setembro 06, 2006
segunda-feira, setembro 04, 2006
À sombra. Com o peso que ninguém conseguirá tirar-me. Meu deus, mãe, como estou contente e pronta a levar por diante alguns dos teus conselhos. Arde-me o corpo, isso tu nunca disseste. Mas não te levo a mal, soubesse que era assim e muito antes o tinha cavado bem fundo onde fosse preciso. Mãe, conta-me, a roupa também te queimava?
Mãe, vou beijá-lo como sei. De certeza que vai perceber o meu gosto, mesmo que seja desajeitado. Estou tão feliz que já lhe perdoei metade da vida que me der.
quinta-feira, agosto 31, 2006
quarta-feira, agosto 30, 2006
quarta-feira, agosto 23, 2006
Tenho a vista cheia de coisas médias, fins de tarde com veleiros no horizonte, cervejas frescas, praias com areia boa, pessoas bonitas e feias a passear na areia molhada e sal nas costas antes de chegar à minha casa de poucos dias. As sensações são boas e não as trocava por nada, mas tenho pena que visualmente as férias sejam um bocadinho saloias. Servem para descansar e para percebermos como é interessante o resto do ano.
sexta-feira, agosto 18, 2006
Despejaste aqui uma data de dias, sorrisos, imagens e dedos na boca que se estão a acotovelar, encavalitar e a tentar passar à frente uns dos outros. Está lançada a confusão, já vi sapatos sem dono, caras encarniçadas e punhos desapertados. Daqui a nada ainda se aleijam, raios os partam. Parecem as cadelas de Povos, tanto querem os filhos que os acabam por matar.
Como se o mundo acabasse amanhã! Quanto tempo levarão até perceber que a vida se arruma um bocadinho todos os dias?
quarta-feira, agosto 09, 2006
quinta-feira, agosto 03, 2006
To hell whith small literature
We want something redblooded
E.E.Cummings, 1935

Deve haver preocupação com os adjectivos e com os advérbios. Tem que se estudar a arrumação das palavras muito bem e estender as frases e os parágrafos de forma convincente. Eu não sei, mas preocupo-me muito mais com ideias do que com técnicas. Admiro muito mais um escritor do que um professor. Acho até que quem sabe escrever bem acaba muitas vezes por ser como um treinador de atletismo, que apesar de ensinar a correr muito, corre pouco.
Isto a propósito de ter ouvido na rádio uma poetisa dizer que precisava de fazer uma paragem porque a sua obra estava a ficar muito correcta mas a perder a força.
Fortes são os conteúdos de histórias como aquela em que a minha mãe estava a comer um bolo de arroz e a falar com a Ermelinda Coveira enquanto esta esfregava uma caveira de uma velhota com uma escova e sabão num alguidar.
- Não te faz confusão estares a comer enquanto eu lavo os ossos da Bininha?
- Mais ou menos, a mim faz-me confusão é irmos todos para aí.
As palavras são só palavras, mesmo que se atropelem ou vistam à pressa de vez em quando. O que acartam é que conta.
Fotografia: Thierry Le Gouès
quarta-feira, agosto 02, 2006
quinta-feira, julho 27, 2006
Balhana.
Mas percebo perfeitamente bem quem bebe e quem fuma sem manias ou freios. Quase que os admiro. Quer dizer, não tenho vergonha de beber só de vez em quando ou fumar apenas quando me apetece. Eu nem vergonha tenho de ter utilizado um adjectivo daquele tamanho no título do post anterior. E naquele grau.
Com esta idade começo a perceber que sou uma espécie de moldura de classe média. Limito-me a andar no pelotão e isso não me desagrada. A fama ou a morte seriam bem piores que isto.
Acho até que dava um bom anónimo numa das filas para as câmaras de gás, daqueles que inventavam afazeres de cabeça para não desatar a fugir pela lama. Coisas como procurar ver a mulher e as filhas do outro lado da rede, ainda que magras. Caso as tivesse, é claro.
terça-feira, julho 25, 2006
Uma mulher ensopa do chão o sangue do filho com toalhas. Um homem sentia as pernas ainda há coisa de um minuto atrás. Um barco arranca sem esperar pelo último fuzileiro que, segundo parecia, ainda ia chegar. Apenas restavam três injecções e uma multidão de deitados. A porta do prédio já se abriu cinco ou seis vezes e nenhuma delas foi com a tua mão. Doze, treze vezes, vá.
segunda-feira, julho 24, 2006
segunda-feira, julho 17, 2006
Nem tudo o que é bom é verdadeiramente bom, nem tudo o que é mau é verdadeiramente mau. Sendo assim, não só não matarei nenhum cavalo sem pensar, como nunca deixarei de perseguir qualquer coisa que me pareça pertencer. Tenho o coração escorregadio e uma baioneta que não vai para paciente.
sexta-feira, julho 14, 2006

Havia uma mulher que era perfeita. Não só da sua raça como de todas as vizinhas. Era tão perfeita que nem inveja provocava. Vestia-se com tudo menos exuberância e talvez por isso era preciso estarmos com atenção. Até as cicatrizes eram ornamentos da sua pele e da sua cor.
Os homens pareciam distraídos. Apenas um ou outro se matou sem que as famílias tivessem compreendido.
quarta-feira, julho 12, 2006

Sleeping is giving in,
no matter what the time is.
Sleeping is giving in,
so lift those heavy eyelids.
People say that you'll die
faster than without water.
But we know it's just a lie,
scare your son, scare your daughter.
People say that your dreams
are the only things that save ya.
Come on baby in our dreams,
we can live our misbehavior.
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes
People try and hide the night
underneath the covers.
People try and hide the light
underneath the covers.
Come on hide your lovers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.
Hidin' from your brothers
underneath the covers,
come on hide your lovers
underneath the covers.
People say let's just die
faster than without water,
but we know it's just a lie,
scare your son, scare your daughter,
Scare your son, scare your daughter.
Scare your son, scare your daughter.
Now here's the sun, it's alright!
(Lies, lies!)
Now here's the moon, it's alright!
(Lies, lies!)
Now here's the sun, it's alright!
(Lies, lies!)
Now here's the moon it's alright
(Lies, lies!)
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Lies, lies!
Every time you close your eyes
Every time you close your eyes
(Lies, lies!)
Arcade Fire – Funeral
Fotografia: Nobuyochi Araki
terça-feira, julho 11, 2006
quinta-feira, julho 06, 2006
terça-feira, julho 04, 2006
segunda-feira, julho 03, 2006
quinta-feira, junho 29, 2006
Ele sentia uma corda no pescoço e o seu nó de mares que já afogaram demais. Ainda bem que a paixão não é tão visível como um capachinho.
As pessoas mais simples nunca retirarão a dor e o prazer possíveis dessa brutalidade. As suas relações, tal como elas, serão sempre uma prova de desperdício.
quarta-feira, junho 28, 2006
Ocupa o melhor lugar.

O meu avô ensinou-me a afiar uma faca:
Molha-se a pedra e passa-se a lâmina para cima e para baixo sem pressa. Um lado do gume quando vai acima, o outro lado quando vem para baixo. Depois da pedra de amolar, deve-se usar uma lixa de água, a mais fina que se encontrar. Molha-se a lixa, e passamos a lâmina, não só da mesma forma que na pedra, como também no sentido do corte, como se fossemos cortar a lixa mas com a lâmina quase paralela a esta, depois deste movimento a folha deve estar perfeita. Experimenta-se no polegar esquerdo: a faca está pronta se, sem qualquer pressão, lascar superficialmente a unha. Deve-se sempre avisar quem costuma usá-la.
Para saber se o aço é bom, bafejamos a lâmina e vemos o tempo que a humidade leva a desaparecer. Quanto mais rápido, melhor.
Tenho saudades de aprender. Ensina-me a dançar ou a ler.
terça-feira, junho 27, 2006

Rascunho. Quero um rascunho, coisa feita à mão. Poupa-me a automatismos e a palermices eléctricas. Nada de truques ou sapateados.
Basta-me algo como um namorado novo. Como se fosse feito quando ainda nem são precisos preliminares. Lembra-te que no princípio até uma conversa faz suar.
sexta-feira, junho 23, 2006

Tens a mesma mansidão dos que são demasiado novos para morrer. Doçura e sapiência são temperos raros, próprios da tua perfeição ainda inexperiente. O sono já te abandonou, era bom que a vergonha fosse a próxima. Pensas que um remédio te irá acalmar mas acho que desta vez nem um santo te valerá.
E o futuro que é tão estreito. Lá só cabe a honestidade das promessas que nunca serão feitas ou pagas. Será perfeito, portanto.
Fotografia: Miles Aldrige
quarta-feira, junho 21, 2006

Vou até à igreja, depois passo pelo campo e vejo o fim do jogo. Ainda deve dar tempo para ir até à leitaria e sentar-me cá fora a ver os velhos, as suecas e os sinais.
A vida é um conjunto de ficções sociais, como dizia o outro. Há dias em que preciso mesmo de perceber que errei as respostas todas. Por falar em citações revolucionárias, nunca me esquecerei daquela sem arranjo: Everything you know is wrong.
É por andar de olhos abertos e à pressa que preciso das mentiras lúcidas dos outros.
Fotografia: Sam Haskins




