Obra prima.
All is full of Love - Bjork
segunda-feira, maio 29, 2006
Next.

Sabias que durante a noite e a ruína nem juízo tinha para ouvir as tuas perguntas?
Parecias a dona de um cão com saudades em demasia. Estava feliz mas a tentar perceber se me estavas a fazer festas ou a bater.
Uma vez torturado, torturado para sempre. Só me falta uma tatuagem no braço, daquelas com um número que me envergonhasse todos os dias à hora do banho.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Sabias que durante a noite e a ruína nem juízo tinha para ouvir as tuas perguntas?
Parecias a dona de um cão com saudades em demasia. Estava feliz mas a tentar perceber se me estavas a fazer festas ou a bater.
Uma vez torturado, torturado para sempre. Só me falta uma tatuagem no braço, daquelas com um número que me envergonhasse todos os dias à hora do banho.
Fotografia: Thierry Le Gouès
Entre vista.
Quando perguntaram ao actor Michael Caine porque aceitava fazer tantos filmes, de vários tipos e aparentemente sem critério de escolha este respondeu: tenho de aproveitar tudo antes que descubram que sou mau actor.
Cada vez que um grande blog faz referência ao Estranho Amor ou o coloca na sua lista de favoritos lembro-me desta resposta. Desta vez enganei o Berra Boi.
Quando perguntaram ao actor Michael Caine porque aceitava fazer tantos filmes, de vários tipos e aparentemente sem critério de escolha este respondeu: tenho de aproveitar tudo antes que descubram que sou mau actor.
Cada vez que um grande blog faz referência ao Estranho Amor ou o coloca na sua lista de favoritos lembro-me desta resposta. Desta vez enganei o Berra Boi.
quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006
Devastação.

Comecei a ler História Natural da Destruição de W. G. Sebald, e no mesmo dia à noite o meu computador avariou. Perdi toda a informação que estava no disco rígido de forma inesperada e impiedosa. Nem os textos e imagens deste blog foram poupados.
Várias calamidades num só dia. Mas as do livro reduziram as outras a um misto de agradecimento e conformação.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Comecei a ler História Natural da Destruição de W. G. Sebald, e no mesmo dia à noite o meu computador avariou. Perdi toda a informação que estava no disco rígido de forma inesperada e impiedosa. Nem os textos e imagens deste blog foram poupados.
Várias calamidades num só dia. Mas as do livro reduziram as outras a um misto de agradecimento e conformação.
Fotografia: Thierry Le Gouès
segunda-feira, maio 22, 2006
Folheada a cerejeira.

Mantém os lábios húmidos com a língua. Sabes que pelo andar da conversa é conveniente que assim fiquem. Daqui a pouco essa razão chega-te à boca.
Já eu preocupo-me com a nossa cama. Restam-me poucos anos e só penso em quem a aproveitará para a lareira.
As ralações têm a mesma diferença das idades. Pensas nesta noite como eu me espanto com o que estás aqui a fazer.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Mantém os lábios húmidos com a língua. Sabes que pelo andar da conversa é conveniente que assim fiquem. Daqui a pouco essa razão chega-te à boca.
Já eu preocupo-me com a nossa cama. Restam-me poucos anos e só penso em quem a aproveitará para a lareira.
As ralações têm a mesma diferença das idades. Pensas nesta noite como eu me espanto com o que estás aqui a fazer.
Fotografia: Thierry Le Gouès
sexta-feira, maio 19, 2006
quinta-feira, maio 18, 2006
Yes, I Can Can.

Ouvi dizer que as histórias de Amor não devem ser contadas com pessoas feias. Lost in Translation sem a Scarlett Johansson não seria a mesma coisa? Se Nickole Kidman e Ewan McGregor não actuassem no Moulin Rouge a magia seria menos fugaz?
Não sei.
Nos filmes, os heróis, tal como os amantes, parecem sempre demasiado bonitos.

Ouvi dizer que as histórias de Amor não devem ser contadas com pessoas feias. Lost in Translation sem a Scarlett Johansson não seria a mesma coisa? Se Nickole Kidman e Ewan McGregor não actuassem no Moulin Rouge a magia seria menos fugaz?
Não sei.
Nos filmes, os heróis, tal como os amantes, parecem sempre demasiado bonitos.
quarta-feira, maio 17, 2006
terça-feira, maio 16, 2006
Culpa.

Depois da onda de suicídios que os desgostos do jovem Werther provocaram por toda a Europa, resta-me apenas lembrar que nenhuma mulher deve, em caso algum, limpar o pó a uma arma de fogo.
Não é importante o nome da personagem que mudou tanto o mundo real, mas, pelo sim, pelo não, chamava-se Carlota.
Fotografia: Man Ray

Depois da onda de suicídios que os desgostos do jovem Werther provocaram por toda a Europa, resta-me apenas lembrar que nenhuma mulher deve, em caso algum, limpar o pó a uma arma de fogo.
Não é importante o nome da personagem que mudou tanto o mundo real, mas, pelo sim, pelo não, chamava-se Carlota.
Fotografia: Man Ray
segunda-feira, maio 15, 2006
Ingratidão.

Ou as mulheres não são muito românticas, ou a actual tradução para português de Werther de Goethe, livro referência de todas as histórias de Amor e, quanto a mim, melhor que Romeu e Julieta, é uma porcaria desmesurada. Também se pode dar o caso de as mulheres, pura e simplesmente, serem ingratas. Claro está que nenhum destes dois enviesados comportamentos é grave ou sequer merecedor de observação.
À falta de uma boa conversa ou promessa interessante, aos homens basta-lhes o sexo. E é esta, e não outra, a grande vantagem destes.
Fotografia: Philippe Halsman

Ou as mulheres não são muito românticas, ou a actual tradução para português de Werther de Goethe, livro referência de todas as histórias de Amor e, quanto a mim, melhor que Romeu e Julieta, é uma porcaria desmesurada. Também se pode dar o caso de as mulheres, pura e simplesmente, serem ingratas. Claro está que nenhum destes dois enviesados comportamentos é grave ou sequer merecedor de observação.
À falta de uma boa conversa ou promessa interessante, aos homens basta-lhes o sexo. E é esta, e não outra, a grande vantagem destes.
Fotografia: Philippe Halsman
quinta-feira, maio 11, 2006
Africa Korps.

Fazia pontaria às dunas por brincadeira sem saber se aquilo era mesmo dele ou do calor. Se calhar quando fosse altura de disparar a sério desataria a tremer, os nervos, a malvada areia e mais os cabrões que o mandaram para aquele desterro. Aqueles três já não se podiam aturar e o careca andava sempre lá fora, qualquer dia ainda ficava a estrelar no próprio sangue, deserto. Há 4 dias à espera que venham os bifes, aquele tempo todo para perceber porque o mandaram para ali e nada, nem uma sombra. Aquele forno parecia um do inferno sempre que chegava o meio-dia.
E o careca lá fora a tentar fritar um ovo na caixa das ferramentas, isto só visto. Não imaginas o que nos passa pela cabeça. Não me posso encostar a nada que está tudo a escaldar, estou desconfiado que se me rebentarem o carro e ficar fechado cá dentro nem noto a diferença.
E tu? Tens ido ao jardim sozinha? Foste a Berlim tratar dos papéis do teu pai, eram para quê mesmo? Já dançaste com outro desde que me vim embora?
Promete-me que tens o mesmo cuidado com as saudades que eu tenho com as balas.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Fazia pontaria às dunas por brincadeira sem saber se aquilo era mesmo dele ou do calor. Se calhar quando fosse altura de disparar a sério desataria a tremer, os nervos, a malvada areia e mais os cabrões que o mandaram para aquele desterro. Aqueles três já não se podiam aturar e o careca andava sempre lá fora, qualquer dia ainda ficava a estrelar no próprio sangue, deserto. Há 4 dias à espera que venham os bifes, aquele tempo todo para perceber porque o mandaram para ali e nada, nem uma sombra. Aquele forno parecia um do inferno sempre que chegava o meio-dia.
E o careca lá fora a tentar fritar um ovo na caixa das ferramentas, isto só visto. Não imaginas o que nos passa pela cabeça. Não me posso encostar a nada que está tudo a escaldar, estou desconfiado que se me rebentarem o carro e ficar fechado cá dentro nem noto a diferença.
E tu? Tens ido ao jardim sozinha? Foste a Berlim tratar dos papéis do teu pai, eram para quê mesmo? Já dançaste com outro desde que me vim embora?
Promete-me que tens o mesmo cuidado com as saudades que eu tenho com as balas.
Fotografia: Thierry Le Gouès
quarta-feira, maio 10, 2006
Ruína.

E se abraçado ao teu fiozinho de voz viesse um pedido furioso?
Qualquer coisa que me lembrasse que a vergonha está nos olhos da rua?
Fotografia: Thierry Le Gouès

E se abraçado ao teu fiozinho de voz viesse um pedido furioso?
Qualquer coisa que me lembrasse que a vergonha está nos olhos da rua?
Fotografia: Thierry Le Gouès
terça-feira, maio 09, 2006
sexta-feira, maio 05, 2006
Luto.

Podia ter areia na boca, mangas molhadas, e dedos pegajosos, uma camisola encardida ou qualquer outra coisa que corroborasse esta falta de juízo, amiga de infância.
Não há um parente que diga dá um beijinho a esta senhora? Um que te obrigue a ferver numas poucas de lágrimas e que me salve desta viuvez?
Fotografia: Thierry Le Gouès

Podia ter areia na boca, mangas molhadas, e dedos pegajosos, uma camisola encardida ou qualquer outra coisa que corroborasse esta falta de juízo, amiga de infância.
Não há um parente que diga dá um beijinho a esta senhora? Um que te obrigue a ferver numas poucas de lágrimas e que me salve desta viuvez?
Fotografia: Thierry Le Gouès
quinta-feira, maio 04, 2006
Contracção.

Preposição é uma palavra inflexiva que liga partes da oração, exprimindo as relações que elas têm entre si.
Proposição é uma palavra que está relacionada com o acto ou efeito de propor. Significa proposta ou oferecimento. Também é a parte do poema em que se indica o assunto de que se vai tratar.
A língua, a confusão, as leituras diversas. No fim, era o verbo.
Fotografia: Thierry Le Gouès

Preposição é uma palavra inflexiva que liga partes da oração, exprimindo as relações que elas têm entre si.
Proposição é uma palavra que está relacionada com o acto ou efeito de propor. Significa proposta ou oferecimento. Também é a parte do poema em que se indica o assunto de que se vai tratar.
A língua, a confusão, as leituras diversas. No fim, era o verbo.
Fotografia: Thierry Le Gouès
terça-feira, maio 02, 2006
Envelhecer.

Fiz anos neste fim-de-semana grande. Sem ter muito jeito com tesouras ou navalhas, recebi de presente esta cadeira de barbeiro. Sei que cumpriu bem a sua função durante décadas na Barbearia Raposo da Rua dos Correeiros. Esta e mais três foram as últimas a sair e a apagar a luz do nº 42.
Olho para ela e tento adivinhar que tipo de vidas passaram por ali para ficar mais bonitas. Escritores, marujos, velhos peneirentos, miudos mal ou bem criados, galãs de Domingo, comerciantes com peso a mais e uma ou outra sobrinha de um empregado.

Fiz anos neste fim-de-semana grande. Sem ter muito jeito com tesouras ou navalhas, recebi de presente esta cadeira de barbeiro. Sei que cumpriu bem a sua função durante décadas na Barbearia Raposo da Rua dos Correeiros. Esta e mais três foram as últimas a sair e a apagar a luz do nº 42.
Olho para ela e tento adivinhar que tipo de vidas passaram por ali para ficar mais bonitas. Escritores, marujos, velhos peneirentos, miudos mal ou bem criados, galãs de Domingo, comerciantes com peso a mais e uma ou outra sobrinha de um empregado.
sexta-feira, abril 28, 2006
Estacionário.

Escrevi-te uma carta no braço. Não tinha papel e olha, foi onde me deu mais jeito, no esquerdo. Este ponto de exclamação aqui ao pé do pulso fez-me cócegas. Tive que fechar a mão com força como se fosse tirar sangue.
Procurei uma esferográfica no porta-luvas, a música que ouvimos ontem à noite fez o resto.
Pareço e sou um estudante mal preparado.
Fotografia: Helmut Newton

Escrevi-te uma carta no braço. Não tinha papel e olha, foi onde me deu mais jeito, no esquerdo. Este ponto de exclamação aqui ao pé do pulso fez-me cócegas. Tive que fechar a mão com força como se fosse tirar sangue.
Procurei uma esferográfica no porta-luvas, a música que ouvimos ontem à noite fez o resto.
Pareço e sou um estudante mal preparado.
Fotografia: Helmut Newton
quinta-feira, abril 27, 2006
Esta é uma cor que vai bem com a vergonha,
com o interior e com o pequeno-almoço.

Branco foi o teu começo. Branca é a cal do teu fim.
com o interior e com o pequeno-almoço.

Branco foi o teu começo. Branca é a cal do teu fim.
quarta-feira, abril 26, 2006
Um homem com convicções é pior que um mentiroso.
Umberto Eco.

Sempre me bati contra o ditado “nunca digas desta água não beberei”
Não é que as palavras só por si me chateiem, mas a certeza de que nunca farei certas coisas é tanta que, cada vez que alguém se socorre do dito, me dá vontade de rir. A realidade, ou a verdade é que, cá por coisas, preferia morrer do que beber de alguma poça que não servisse. E isto não é uma convicção, é que a vida, pelo menos a minha, é mesmo assim.
Se ainda assim houverem dúvidas, quem as tiver poderá perguntar-te:
- É verdade que a boca deste homem nunca terá licença para a beijar?
Fotografia: Wing Shya – 2046 – Wong Kar-Wai, 2004
Umberto Eco.

Sempre me bati contra o ditado “nunca digas desta água não beberei”
Não é que as palavras só por si me chateiem, mas a certeza de que nunca farei certas coisas é tanta que, cada vez que alguém se socorre do dito, me dá vontade de rir. A realidade, ou a verdade é que, cá por coisas, preferia morrer do que beber de alguma poça que não servisse. E isto não é uma convicção, é que a vida, pelo menos a minha, é mesmo assim.
Se ainda assim houverem dúvidas, quem as tiver poderá perguntar-te:
- É verdade que a boca deste homem nunca terá licença para a beijar?
Fotografia: Wing Shya – 2046 – Wong Kar-Wai, 2004
quinta-feira, abril 20, 2006
Birra.
As crianças choram por se sentirem injustiçadas. Apeadas da contrariedade, aprendem nos anos tenros como a vida é. Os nãos são muito maiores do que os sins. São mais feios, teimosos e corpulentos. Os sins são simpáticos e compreensivos, os outros têm a pele mais rugosa e a voz cheia de gafanhotos.
Antes de deixarem esmorecer o choro, ficam por ali, numa lamúria à espera que passe uma pergunta de adulto. Assim que a apanham, o sentimento de injustiça levanta-se apressado e a sacudir-se para apontar, com o dedo babado, a razão das primeiras catástrofes.
As crianças choram por se sentirem injustiçadas. Apeadas da contrariedade, aprendem nos anos tenros como a vida é. Os nãos são muito maiores do que os sins. São mais feios, teimosos e corpulentos. Os sins são simpáticos e compreensivos, os outros têm a pele mais rugosa e a voz cheia de gafanhotos.
Antes de deixarem esmorecer o choro, ficam por ali, numa lamúria à espera que passe uma pergunta de adulto. Assim que a apanham, o sentimento de injustiça levanta-se apressado e a sacudir-se para apontar, com o dedo babado, a razão das primeiras catástrofes.
quarta-feira, abril 19, 2006
Como o ar que respigo.

Há uma alegria única quando abro um armário, tiro o que procuro, e, antes de fechar a porta, olho para qualquer coisa que adoro ainda que nunca use. Podem ser uma botas pretas ou uma raquete de ping-pong.
Acho que ando, desde pequeno, a guardar coisas para quando for velho.
Fotografia: David Sims

Há uma alegria única quando abro um armário, tiro o que procuro, e, antes de fechar a porta, olho para qualquer coisa que adoro ainda que nunca use. Podem ser uma botas pretas ou uma raquete de ping-pong.
Acho que ando, desde pequeno, a guardar coisas para quando for velho.
Fotografia: David Sims
segunda-feira, abril 17, 2006
A strange kind of love. A strange kind of feeling.

Um cliente, livreiro, liga-me para passar um novo trabalho. As primeiras palavras da reunião são: João, este é um projecto um pouco diferente. Queremos que desenvolvas capas para uma colecção de contos eróticos para donas de casa. Queremos atingir o mesmo público da Nova Gente e da Ana atrevida. Eu sei, nós somos uma editora de referência intelectual, mas este é um projecto especial.
Depois de ler alguns dos contos, fico a pensar outra vez no público-alvo e no quanto interessante é o projecto. As histórias são boas, mas são, devo dizer, bastante eróticas. Estas coisas lembram-me sempre o revolucionário Relatório Kinsey.
Isto das donas de casa, avós ou reformados terem uma vida sexual não me passa todos os dias pela cabeça. Sinto uma espécie de preconceito inocente.

Um cliente, livreiro, liga-me para passar um novo trabalho. As primeiras palavras da reunião são: João, este é um projecto um pouco diferente. Queremos que desenvolvas capas para uma colecção de contos eróticos para donas de casa. Queremos atingir o mesmo público da Nova Gente e da Ana atrevida. Eu sei, nós somos uma editora de referência intelectual, mas este é um projecto especial.
Depois de ler alguns dos contos, fico a pensar outra vez no público-alvo e no quanto interessante é o projecto. As histórias são boas, mas são, devo dizer, bastante eróticas. Estas coisas lembram-me sempre o revolucionário Relatório Kinsey.
Isto das donas de casa, avós ou reformados terem uma vida sexual não me passa todos os dias pela cabeça. Sinto uma espécie de preconceito inocente.
quinta-feira, abril 13, 2006
Chuva.

Ele amava-a tanto que uma vez se sentiu um homem de sorte por ela não lhe ligar nenhuma. Foi quando lhe passou pela cabeça não ter competência para aquela boca. Dessa vez, e só dessa, ocorreu-lhe não estar a altura de tamanha queda.
O abismo era mesmo ao lado do lancil do passeio que o entretinha. Um pé fora e ela não iria olhar, todos os passos certos até aos bombeiros e ela iria sorrir. Tudo servia de jogo de indicação. Se a matrícula do próximo carro fosse impar ela um dia iria beijá-lo, senão era porque aquele não era o próximo carro.
Mas dessa vez, e só dessa, ele pensou que poderia tropeçar quando mais fosse preciso.

Ele amava-a tanto que uma vez se sentiu um homem de sorte por ela não lhe ligar nenhuma. Foi quando lhe passou pela cabeça não ter competência para aquela boca. Dessa vez, e só dessa, ocorreu-lhe não estar a altura de tamanha queda.
O abismo era mesmo ao lado do lancil do passeio que o entretinha. Um pé fora e ela não iria olhar, todos os passos certos até aos bombeiros e ela iria sorrir. Tudo servia de jogo de indicação. Se a matrícula do próximo carro fosse impar ela um dia iria beijá-lo, senão era porque aquele não era o próximo carro.
Mas dessa vez, e só dessa, ele pensou que poderia tropeçar quando mais fosse preciso.
terça-feira, abril 11, 2006
Calor daninho.

Nem me lembro que poderíamos fazer Amor, como se isso pudesse ficar para depois. Parece estranho, mas não é isso mesmo que sente quem ama desmesuradamente? No fundo nada interessa a não ser a presença que açambarca a ordem natural das coisas e do pensamento.
A seu tempo a roupa ficará amestrada o suficiente para se esconder.
Lembras-te quando nos beijávamos até ficar com a boca como no Inverno?
Fotografia: Wing Shya – 2046 – Wong Kar-Wai, 2004

Nem me lembro que poderíamos fazer Amor, como se isso pudesse ficar para depois. Parece estranho, mas não é isso mesmo que sente quem ama desmesuradamente? No fundo nada interessa a não ser a presença que açambarca a ordem natural das coisas e do pensamento.
A seu tempo a roupa ficará amestrada o suficiente para se esconder.
Lembras-te quando nos beijávamos até ficar com a boca como no Inverno?
Fotografia: Wing Shya – 2046 – Wong Kar-Wai, 2004
Subscrever:
Mensagens (Atom)





