
Os defeitos e as marcas do uso são a melhor coisa da casa da minha mãe, que era a dos meus pais e que veio da minha avó. Conheço-os de cor e passo-lhes a mão sempre que lá vou à dobrada de Domingo. Marcas no chão com cheiro a cera ou riscos nas portas abrem-me o apetite para os mesmos talheres e as mesmas pegas.
Lembro-me dum desses almoços em que o meu tio Camilo explicou o que era um lambaz. Segundo ele, é um pano de taberneiro que serve para limpar tanto o balcão, como mesas ou facas gastas e fundos de copo. É uma espécie de costas de mão que tanto alivia os bigodes do morangueiro como manda embora um desgadelhado.
Fotografia: Henri Cartier Bresson



























