
Uma vez escrevi: A paixão não é uma mentira, é uma verdade esfarrapada. Há pouco tempo recebi um e-mail de alguém que ao ler o Estranho Amor a encontrou e que me perguntava se a dita era minha. Eu disse que sim, meio a admirá-la, meio a lembrar-me do que a inspirou.
Depois lembrei-me dos dias em que o peito nos estala de ansiedade e em que ouvimos um hoje não vai dar porque é o aniversário da minha tia. Recordo-me da perdição, rancor e nulidade dessas horas que não passam, do desespero que é um agora só amanhã. O mundo acaba nesse telefonema. O céu nunca esteve tão perto de nos enterrar.
Fotografia: Helmut Newton.






















