
Encontramo-nos num quarto decorado por alguém que já não mora aqui. Com lençóis de flanela que não conhecem as mãos que agora os passam. As paredes são de um verde seco como se quem as pintou tivesse deixado de as regar.
Demasiado sôfregos de nós próprios, só no fim reparamos num frasco de perfume que ainda nos olha da cómoda.
- É Ô de Lancome, o que a minha avó usava. Está vazio. Como esta casa que só hoje voltou a ver o Amor.
- O que é que sentes?
- Saudades de quando era criança, da primeira vez que fui aqui feliz. E a cara um bocadinho encarnada por te ter amado assim à frente do meu passado.
















