De que os sonhos são janelas com um parapeito um pouco mais alto, na proporção das nossas para as crianças, onde vamos espreitar em bicos de pés outras vidas simultâneas. De vez em quando, nós como protagonistas dessas outras vivências, também vimos cá espreitar esta que julgamos a real.
Quando era criança, numa tentativa desesperada de estabelecer um laço material com uma das outras realidades, agarrei-me a uma pistola cromada igualzinha à do mascarilha para ver se acordava ao meu lado. Nessa manhã percebi que havia coisas que não se misturavam.