segunda-feira, julho 26, 2004

Estranho Amor.

Parece estranha esta nova cara, mas é só no princípio. O hábito fará com que tudo regresse à normalidade dentro de poucos posts.

Ainda falta acrescentar uma nova linha para comentários e os links para outros blogs.

O Amor segue já de seguida. 

sábado, julho 24, 2004

Amor no Ponto.


Chegámos a um Ponto em que tudo é suave, ansioso e lindíssimo. A verdadeira grandeza só o é porque a discrição e humildade a guardam.

sexta-feira, julho 23, 2004

Amor complexo.


- És muito galante!

- Não. Limito-me a olhar-te, diminuir uma parte do que és e depois dizer o que sobra da tua beleza.

- Números imaginários.

- Isso.

Amor crónico.


Muito mais fascinantes que os universos paralelos são os concorrentes.

If Only Tonight We Could Sleep

If only tonight we could sleep
In a bed made of flowers
If only tonight we could fall
In a deathless spell
If only tonight we could slide
Into deep black water
And breathe
And breathe...

Then an angel would come
With burning eyes like stars
And bury us deep
In his velvet arms

And the rain would cry
As our faces slipped away
And the rain would cry

Don't let it end...

Cure

quinta-feira, julho 22, 2004

Sinosóide.


Não são os violinos em crescendo da “La Rupture” que trazem o drama. Este já lá está, pronto a ser destapado lentamente como se de uma noite de Inverno se tratasse. Lembro as carícias de que faltas e os poemas que se me fecham nas mãos embolsadas pela conformação.
 
Felizmente que depois vem “La Terrase” e o piano devolve alguma daquela doçura que escorre nos olhos de quem parte e de quem chega.
 
Uma espécie de anestesia geral toma conta do que não faz parte de ti.

quarta-feira, julho 21, 2004

Amor sem se ver.



 
Demoro-me na despedida para acreditar que já não estás.
 
Fogo-de-santelmo
 
substantivo masculino
Penacho luminoso que se observa por vezes no topo dos mastros e vergas dos navios devido à electricidade atmosférica;

terça-feira, julho 20, 2004

Amor plácido.


Nada há que mais preze do que as visitas diárias de tudo o que me faz. O cheiro da rua pela manhã, o vento ou a chuva na roupa, conforme o humor de quem manda nessas coisas. As paisagens de cor e tudo o que é habitual, até o Sol se cansar e a Lua se rir.

De noite o cheiro muda e os olhos abrem-se mais, como que para matar logo as saudades que vão ter na hora de se fechar. Depois tentam tudo, até sonhar.

Às vezes penso que estou sempre no mesmo lugar a envelhecer. A vida é que me atravessa. As paisagens no vidro do carro e até o que me alimenta, a passar por dentro sem nunca me tocar de verdade.

O que me tange são as letras dos livros, a música e alguns bons dias de quem já passou. Não vou dizer quem porque, como diz Italo Calvino, as imagens que recordamos passam a palavras depois de as contarmos. E os meus olhos precisam delas, para sonhar o resto que me sobra.

sábado, julho 17, 2004

Amor aposto.


Procuramos tudo o que nos impeça de ser feliz. Qualquer coisa serve para o estorvo. Vestimos as invenções com fatalidades. Falamos de nada do que seria acertado.
 
Virados do avesso, para dentro do que queríamos saber um do outro.

sexta-feira, julho 16, 2004

Amor adiado é Amor perdido.


- Lembras-te do que te disse?
- Disseste:
“Arrependo-me amargamente de não ser o tipo de homem capaz de te roubar um beijo e deixar-te sem o fôlego que precisarias para me deter”
 
- Pois foi.
 
- Pois foi. E como é que alguém se sai com uma dessas e não me arrebata logo?

terça-feira, julho 13, 2004

Estilhaço.




É a tua ausência, como o aço de uma baioneta ou o tempero de uma amputação.
Como um Amor de Verão, mas a sério e, quem sabe, o de muitas vidas

O calor é bom conselheiro. Faz-te mais doce e perfuma o ar antes que passes. Seca-te as agruras e desempoeira-te os sonhos de novo. Os bons dias foram nossos nuns que já lá vão.

O calor faz-te leve como uma semente do que preciso.

Não se deve voltar onde já se foi feliz. A não ser que essa felicidade tenha ficado por fechar nas nossas bocas ainda abertas de pasmo.

As testemunhas do que vivemos são de pedra como o palácio que as emprega. Vivem ou morrem de pé, conforme chegamos ou nos despedimos. Aquecem-se na inveja das tuas mãos.

segunda-feira, julho 12, 2004

Amor inopinado.


Não sei se são estranhas que passam por mim ou se tu própria é que és.

E a aflição de seres uma delas que não pára de me seguir. Um dia vai-me encontrar à porta de um teatro, de uma loja ou numa italiana por beber.

O esboço não vai ser só do sorriso, vai ser de uma vida.

sábado, julho 10, 2004

Amor de volta.




O Amor bom, o mau e o mais comum, o que ainda se está para saber, segue dentro de momentos.

Nada de promessas nem de juras.

À falta de melhor, a coerência já é uma qualidade.

terça-feira, junho 29, 2004

Amor de Férias.


Vou de férias para longe, pelo céu, a mil quilómetros por hora. Vou aproveitar para descansar, ler as Cidades Invisíveis e fotografar o estrangeiro.

Este Amor terá que suportar duas semanas de silêncio.

sexta-feira, junho 25, 2004

Amor redondo.


A paixão leva-me a comemorar a noite. Fico assim mais vazio, ou menos cheio, do que me adormece.

Foram, são e serão tantas as respostas aos cépticos do futebol que nem sei por onde começar com eles, abraçados.

quarta-feira, junho 23, 2004

Atrás do Amor.


Preferia ser pequeno para que o coração andasse mais perto da terra. Para ver melhor os bichos que agora me fazem contas à vida. Para tropeçar na distracção do que alguém perdeu.

Amor Poente.


Aconselhaste-me o Disponível para Amar. Não percebi logo onde estava. Vou agora percebendo porquê. Uma falta. Um comportamento. Duas vidas a pouco mais do que zero.

Já a história é digna demais para se contar. Os jardins fecharam, as obras acabaram e o sonho disseminou-se pelo habitual.

terça-feira, junho 22, 2004

Amor domado nas tuas mãos.


Ter-te amado foi tão simples que ainda não acordei. Como prometi, numa vida havemos de nos encontrar. A seguir ou a seguir, não importa. O que sei basta-me.

O que não sei é como foi possível.

O que sei beija-me todas as noites, a aconchegar os teus segredos.

Restos de Amor.


As tuas manhãs de Domingo, lânguidas e frescas. O odor do meio-dia no ramo de cheiros que preparas. O Sol na tábua e na faca a descansar. O teu sorriso a provar que Deus está nos pormenores que me congratulam. Azeite, alho, cravinho e nós abraçados.

De ti, queria tudo para lá do descaramento do travesseiro.

sexta-feira, junho 18, 2004

Sou eu, Amor.




Empurro por fora a mesma porta que tentas manter fechada sem convicção por dentro.

quinta-feira, junho 17, 2004

Amor, 2 a 3 vezes ao dia, depois das refeições ou não.


Koop – Waltz for Koop - e nada mais. O jazz traz-me de volta à boa disposição.

quarta-feira, junho 16, 2004

Amor tal como o sabíamos.


Nada é mais triste do que a alegria da lucidez. Refiro-me à da falta de paixão. Aquela que nos acompanha pela maior parte dos dias que nos completam. A que nos faz sorrir de pena pelo próximo, de escárnio infantil pelo senhor da fruta ou do quiosque que vende o que julgamos não estar ao seu alcance.

A falta que me faz o ridículo das cartas. Este vazio leva-me a ler as análises económicas dos jornais, a preocupar-me com mais um risco na porta do carro e a telefonar por amizade.

Falta-me a falta arrebatada que me fazias.

terça-feira, junho 15, 2004

É desta(e) Amor.


Este amor é diferente. Não é desses que causa coisas más nas pessoas. Este é mais forte e liberto, mais puro e iniciático. É fruto da maturidade adquirida nos cacos dos passados. É quase perfeito para a minha perfeição. É definitivo como os dentes de leão.

É por seres tu. Por teres vivido doutras amarguras e por aqui teres chegado em perfeito estado de conversação.

sexta-feira, junho 11, 2004

Draga Amor.




Gostava de tomar banho no cais e de jogar à bola com os sapatos proibidos. Das broas que a mãe fazia no Natal e de ver a minha irmã zangada por não se conseguir pentear. Ainda gosto de barcos e de ver os capachos que o meu pai faz ao fim da tarde.

E gosto de ti. Tanto, que quis esse filho antes de ir. Não digas a ninguém. Poderei não voltar. Prometo-te escrever todos os dias.

Talvez daqui a uns anos ainda venhamos a rir por estas lágrimas. Também vou ter um fato branco. Não como o que vestes, que é de casamento, mas de grumete.

terça-feira, junho 08, 2004

Amor Classificado.


As crianças a brincar ali em baixo não são inocentes. Servem, tal como os filhos, para que nunca nos esqueçamos de não evoluir. Vigilantes encapuçados de doçura ao serviço do sonho que já todos tivemos.

Universos mais simples existem. E estão por todos os lados, fechados pela cegueira civilizacional.

A vida e a morte de mãos dadas, únicas adquiridas que tentamos empurrar para debaixo da cama.

É assustador, mas é assim.

Mais na infância do que na pobreza.

Órbita de Amor.


- Então, não vais ver o trânsito de Vénus?

- Não. Essas coisas não me interessam. Além disso, todos os anos arranjam qualquer fenómeno astral que só se repete daqui a 300 anos. Vou esperar pelo do ano que vem. Para mais, eu próprio ando num planeta por vezes estranho. Só meu e teu.

- Isso. Sem gravidade.

Som de Amor descalço pelo chão.


Lembro-me de ser mais novo, mais pequeno, mais leve e mais certo. Nada disso me interessa agora. A única coisa que me importa é ver a tua roupa espalhada ali pela cómoda.

- Vou à casa de banho, estou com sede.

- Cuidado, não tropeces para aí. Calça-te que o chão está frio.

- Ainda bem. Preciso de algo que me traga à realidade por um bocadinho. Qualquer coisa que a tua boca escangalhe assim que vier.

segunda-feira, junho 07, 2004

Action – Amor – Cut.


Nenhuma das dores que me esperam será tão forte. Nenhum dos sorrisos tão irrigado. Nenhuma das lágrimas tão impregnada. Nenhum dos beijos será só assim como estes que nunca me valem.

A minha ficha técnica está a passar-me à frente.

O teu nome em primeiro.

Baseado numa história verídica.

A partir daqui, a minha vida será algumas cenas excluídas e outros extras. Legendas em minúsculas línguas que não são a minha.

quinta-feira, junho 03, 2004

Amor Curioso.




Ao menos que te guarde o gato. Que seja ele a tocar-te as pernas enquanto desfazes a alface ao fim do dia.

A minha vontade de ir ter com o teu calor a meio de todas as noites é ele que a concretiza. De manhã, sai pela janela sem nunca me vir contar como és quando estás a sonhar.

A nossa vida afiada no sofá. Sete para ele, esta para nós.

quarta-feira, junho 02, 2004

Primeira Categoria de Amor.


Sei que, chegado aqui, para baixo é o caminho.

Acho que vou aproveitar o balanço das recordações para sentir o vento na cara. A ver se não me espalho. Bem bastou ter que apanhar-me na tua falta.