terça-feira, maio 11, 2004
Amor “(…)infinitamente perfeito, necessário e eterno;”
- E és mulher para isso?
- Para isso, e nem tu imaginas para que mais.
- Não te conhecesse e dizia que são só promessas. Assim, resta-me começar a ter vergonha do próprio tempo que nos irá assistir.
- Deixa. Ele é sossegado e nem esta fúria deslumbrante o faz corar. O único problema é que não pára. Infelizmente, nem as nossas mil mãos espalhadas o vão deter.
- Mas conseguem tapar-lhe os olhos.
- Estou a ouvir o teu coração. Engraçado, não se cansa de dizer o meu nome. Ou é o de Deus?
segunda-feira, maio 10, 2004
Amor, Volume 2.
Kill Bill
Ainda a tentar desenterrar-me de tamanho murro, não me sinto capaz de amar mais nada durante os próximos tempos.
sexta-feira, maio 07, 2004
Amor – 2, Ilusão distraída - 0.
Gostei de ter percebido, ainda novo, que as únicas coisas que perduram são o Amor e a Cultura. Tudo o resto se perde nas palavras do dinheiro.
quinta-feira, maio 06, 2004
Essência de Amor.
Ainda bem que o Amor não se nota quando o acabamos. Só nós vemos o rubor nas faces um do outro, o sorriso começado no fim. Felizmente ninguém repara nos teus cabelos trocados e na minha boca ainda de espanto.
Está na cara o que ainda agora estava em todo o corpo.
Este perfume é novo.
quarta-feira, maio 05, 2004
Conto de um Amor normal.
O portão da quinta não foi suficiente para esmorecer a vontade. O sonho daquela noite foi acordado minutos antes:
- Espero que todos se deitem, o meu pai adormece logo, depois vou ter contigo lá abaixo ao portão grande.
- És maluca? Achas que não vão ouvir? Estás boa da cabeça? E se alguém percebe?
- Cala-te. Eu é que sei. Espera-me lá daqui a um bocadinho. Até já.
A Lua de Verão foi testemunha. Minutos depois, na luz da noite, duas estrelas vêem-se num ritual de inovação.
- Então sempre vieste? Não pensei que fosses tão louca. Nem acredito que estás aqui.
- Beija-me. Aqui, por entre esta abertura. Bem que o meu pai podia ter feito este portão um pouco mais acessível.
- Imagina, separados por barras de ferro, eu aqui na estrada e tu aí na quinta que foi do teu avô. Ainda há pouco estávamos de mãos dadas ao pé dos teus pais e agora estamos aqui nesta loucura completa. Ao menos podias ter-te calçado. Amanhã vais estar doente.
- Shiu! Doente ficava se não te desse mais este beijo. Só mais este, como se não nos víssemos mais. Não quero mais nada no mundo. Tudo pode desabar que não me importo. Começando por este maldito portão.
O portão fechou nas duas cabeças a aragem da noite que nunca se soltou. Até hoje, passem os anos que passarem, ou os filhos que quiserem. Os sorrisos da altura puxam-me até sítios que nunca julguei possíveis. Demasiado fascinantes, onde nunca nenhuma ficção tocou.
- Espero que todos se deitem, o meu pai adormece logo, depois vou ter contigo lá abaixo ao portão grande.
- És maluca? Achas que não vão ouvir? Estás boa da cabeça? E se alguém percebe?
- Cala-te. Eu é que sei. Espera-me lá daqui a um bocadinho. Até já.
A Lua de Verão foi testemunha. Minutos depois, na luz da noite, duas estrelas vêem-se num ritual de inovação.
- Então sempre vieste? Não pensei que fosses tão louca. Nem acredito que estás aqui.
- Beija-me. Aqui, por entre esta abertura. Bem que o meu pai podia ter feito este portão um pouco mais acessível.
- Imagina, separados por barras de ferro, eu aqui na estrada e tu aí na quinta que foi do teu avô. Ainda há pouco estávamos de mãos dadas ao pé dos teus pais e agora estamos aqui nesta loucura completa. Ao menos podias ter-te calçado. Amanhã vais estar doente.
- Shiu! Doente ficava se não te desse mais este beijo. Só mais este, como se não nos víssemos mais. Não quero mais nada no mundo. Tudo pode desabar que não me importo. Começando por este maldito portão.
O portão fechou nas duas cabeças a aragem da noite que nunca se soltou. Até hoje, passem os anos que passarem, ou os filhos que quiserem. Os sorrisos da altura puxam-me até sítios que nunca julguei possíveis. Demasiado fascinantes, onde nunca nenhuma ficção tocou.
segunda-feira, maio 03, 2004
Amor de caras.

A ver se nos encontramos. De vez, sem esta coisa dos degraus de ensejo.
Julgo que nunca te beijei como devia. Estou sempre à espera da ocasião mais certa como um cão que se revolta antes de deitar. Desperdiço-te por saber à mão de semear tempestades de fulgor.
Colhido pelo futuro que te faz cada vez mais tentada.
Tanto Amor por €19.
Kill Bill, vol. 1, na Fnac.
Vingar
verbo transitivo
•tirar vingança de;
•promover a reparação de;
•tirar desforço de;
•desforrar-se de;
•desafrontar;
•reabilitar;
•punir;
•galardoar;
•chegar a;
•atingir;
•libertar;
•salvar;
•defender;
•vencer;
•conseguir;
•subir;
verbo intransitivo
•conseguir o seu fim;
•ter bom êxito;
•vencer;
•galgar;
•chegar à maturidade;
•não morrer;
verbo reflexo
desforrar-se;
(Do lat. vindicáre, «id.»)
Vingar
verbo transitivo
•tirar vingança de;
•promover a reparação de;
•tirar desforço de;
•desforrar-se de;
•desafrontar;
•reabilitar;
•punir;
•galardoar;
•chegar a;
•atingir;
•libertar;
•salvar;
•defender;
•vencer;
•conseguir;
•subir;
verbo intransitivo
•conseguir o seu fim;
•ter bom êxito;
•vencer;
•galgar;
•chegar à maturidade;
•não morrer;
verbo reflexo
desforrar-se;
(Do lat. vindicáre, «id.»)
sexta-feira, abril 30, 2004
Amor – mais ou menos um.
Dia de aniversário, acabo de passar a idade com que os médicos testam as maleitas de garganta. O número de telefonemas saudáveis aumenta de ano para ano, como se viessem compensar o abandono paulatino da células mais pujantes.
Ainda não juntei o meu primeiro milhão. De livros, de sorrisos, de discos ou de beijos. Há coisas demasiado caras para nos pouparmos.
Ainda não juntei o meu primeiro milhão. De livros, de sorrisos, de discos ou de beijos. Há coisas demasiado caras para nos pouparmos.
quinta-feira, abril 29, 2004
A esperança é sempre a primeira a Amar.
Não me arrependo do que fiz, mas do que deixei por fazer. Desarrumo pensamentos antigos com o pó a dançar, calmo, à minha e à tua volta.
As músicas voltam a soar mais alto e, engraçado, as árvores estão muito menos maduras. Sei agora que as folhas que escreveste nunca deixaram de ser recorrentes.
Faço a barba com uma lâmina nova, como se esta me cortasse a falta de passado. Mais brilhante e eficaz do que a mão que a guia, limita-se a aproximar-me da pele uma amostra ridícula, do perigo que me beijou.
Talvez em breve sangres o que um dia me encheu e ainda me mantém.
De felicidade e de gáudio, rezo para que a história se repita ou se converta.
As músicas voltam a soar mais alto e, engraçado, as árvores estão muito menos maduras. Sei agora que as folhas que escreveste nunca deixaram de ser recorrentes.
Faço a barba com uma lâmina nova, como se esta me cortasse a falta de passado. Mais brilhante e eficaz do que a mão que a guia, limita-se a aproximar-me da pele uma amostra ridícula, do perigo que me beijou.
Talvez em breve sangres o que um dia me encheu e ainda me mantém.
De felicidade e de gáudio, rezo para que a história se repita ou se converta.
quarta-feira, abril 28, 2004
Amor, a tua deixa.

A distracção que o tempo insiste em pôr-me nos bolsos não serve. Não sei se nada me resta ou se tudo me sobra.
A tua ida partiu-me.
terça-feira, abril 27, 2004
Amor fundeado.

Em cada barco que sai a barra, parte um pouco do meu sonho. Proas de calma propagam-se a quem as vê. Fins de tarde sem fim. Vidas a granel, que não se salvam ainda que possam, dissipam-se nos pássaros que trazem o vento morno.
A quietude do Tejo leva-me numa maré-cheia de ti. Viva como o grito de quem te avista. Água que me refresca a incapacidade de esperar.
segunda-feira, abril 26, 2004
Amor a montante.

Gosto de te ver imbuída pela sede que me seca a boca. A aprender o que já sei estar errado. Certo de que bebes o que os teus olhos desejam comovidos. Em goles do deserto de saudades.
Vamos vazar as palavras, líquidas para nós, de tanto as servir.
sexta-feira, abril 23, 2004
Domadora de Amor.
Quero entrar no teu circo.
Sei que quem não tem cabeça paga mais do que quem tem.
A minha já tu levaste. Não ma devolvas. A falta que fazia perdeu-se.
Sei que quem não tem cabeça paga mais do que quem tem.
A minha já tu levaste. Não ma devolvas. A falta que fazia perdeu-se.
quinta-feira, abril 22, 2004
Amor Próprio.

A tua mão procura a minha numa subida abrupta de desespero, na tentativa de segurar o que está a cair numa desgraça de perdição. Numa espiral do que nunca irás esquecer, de cabeça solta para trás, com os cabelos a tocarem-te as costas. Largas o que te prende à realidade para caíres naquilo para que nasceste.
Só tu sabes o que estás a sentir. Só tu. Num egoísmo que guardas dentro de mim.
quarta-feira, abril 21, 2004
Por Amor de Deus VI.
Leio no “Le Fígaro”, do “El País”, do “The Independent”, do “New York Times” a notícia de um atentado no Iraque onde, pelo menos, vinte crianças perderam a vida.
Do lado de fora duma dessas novas jaz um banner com o lançamento de um relógio suíço cujo valor me parece bem mais alto do que o respeito que vou tendo por esta ironia em que vivemos.
Do lado de fora duma dessas novas jaz um banner com o lançamento de um relógio suíço cujo valor me parece bem mais alto do que o respeito que vou tendo por esta ironia em que vivemos.
Amor por contar.

A noite existe para sonhar o que não temos coragem de viver. Toda a vida é uma contenção por natureza. Por dentro é que tudo se solta. Sorrio de graça para alguém que não me conhece o gosto de ti.
terça-feira, abril 20, 2004
Amor de olhos bem abertos II.
"I saw the best minds of my generation destroyed by madness, starving hysterical naked"
Allen Ginsberg
A inspiração para o novo disco dos Mão Morta está presente em tudo, cada vez mais. A Arte está a morrer. Longa vida aos atentos que, pelo menos, não morrerão estúpidos.
Allen Ginsberg
A inspiração para o novo disco dos Mão Morta está presente em tudo, cada vez mais. A Arte está a morrer. Longa vida aos atentos que, pelo menos, não morrerão estúpidos.
domingo, abril 18, 2004
Solstício de Amor
O vento está morno. Como o tempo, como este Sol. Tépido, temperado num perfeito e explanado equilíbrio. Sem febres, só sorrisos. O vento leva-te e traz-te como as primeiras estrelas destas noites maiores.
A brisa na cabeça e nos cabelos. Aquecida pelos teus olhos fechados nos meus. Amornado antes de se queimar. No ponto sem retorno deste Verão que nunca se apagará, como esta vela ao vento do Norte que perdi.
sexta-feira, abril 16, 2004
Ao atravessar a Baixa do Amor.
Curtis Mayfield em “Give me your Love”, logo pela manhã para me lembrar que o Amor se vai fazendo nos pormenores da paisagem que passa. Contigo de fundo, na voz do Sol que traz o sabor de outros Verões.
quinta-feira, abril 15, 2004
Amor C:0% M:0% Y:0% K:100%.
Gosto de preto. De perto, se possível. Do das teclas do piano. Do da noite e do teu brilhante. Do dos sapatos que te trazem e do que me esconde da tua falta.
Visto-o sem compromisso, luto por ti.
Gostava que o tempo aqui morresse lento, embriagado de calor. A tua roupa interior a soltar o seu epitáfio. A cor da cegueira é nossa.
quarta-feira, abril 14, 2004
Gume de Amor.
Sem palavras. Depois de tantas e de todas, restam estas. Está a chegar, no dia 29 de Abril, a roupa ao pêlo. Até lá, ficam estes olhos.
terça-feira, abril 13, 2004
Dobrado para Amor.
O medo do escuro, que fascina e atemoriza na infância, é roubado pela luz do crescimento. A idade traz-nos a solidez da falta de sonhos.
O quarto de adulto não tem espaço para o vazio de concreto. As calças de marca ou as T-shirts ridículas ocupam agora o lugar onde se escondiam sombras aos quatro.
Este dinheiro comprou muito menos do que as moedas que os avós nos deram.
Os novos filmes para adultos só se percebem com autenticas legendas vivas, como tu.
segunda-feira, abril 12, 2004
Carreiro de Amor.
A única coisa que gosto nesta cidade é a sua semelhança com um formigueiro. Não pelo simbolismo ou pelas tarefas colectivas.
É antes pelo que sentirei se me amares como só tu consegues.
sexta-feira, abril 09, 2004
Amor que estava mesmo a fazer falta.
Tudo o que vivemos está ainda em mim bem presente, embrulhado, como um que não me era destinado.
quarta-feira, abril 07, 2004
Mil Watts de Amor.
O escuro é calmo. É paz que se ouve nos suspiros que sopramos. Perdem-se as distâncias ao ganhar o outro. Cegos e tão felizes. De nascença, com sonhos feitos de imagens que sós se sentem. Absortos adentro.
Guiados pela língua dos vocábulos impulsivos.
terça-feira, abril 06, 2004
E tudo o Amor me vai levando.
Nem sei o que dizer dos olhos que me apresentas. Nem sei onde nasci assim, tão privilegiado e com tantas ideias de loucura que muito estranharia, não fosses tu a perdição que as amamenta.
O teu nome parece-me feito de letras cuidadosamente arrumadas para formar o código que liberta o vento cá dentro. Um tornado realidade que nunca imaginei merecer.
Talvez essas mesmas letras sirvam para responderes ao que não tenho coragem de perguntar. Mudas, num silêncio de permissão.
segunda-feira, abril 05, 2004
Prova de Amor.
O trabalho levou-me à Terceira, ilha dos Açores. A organização de um evento juntou-me na força do trabalho ao Luís Bettencourt, (o irmão do Nuno). O Luís, para além de músico de excepção é produtor. A lista de conneseurs que chega de todo o mundo para que este Midas lhes toque a obra é do tamanho daquele mar.
O Auditório do Ramo Grande, na Praia da Vitória, do qual é mentor e criador é uma das melhores casas de espectáculo de Portugal. Condições únicas de acústica, luz e arquitectura só para ele e para os Açorianos que tanto estima e que lhe deram o amor capaz de o fazer voltar duma grande carreira nos Estados Unidos.
“Convidei uns amigos para virem aqui tocar comigo em Junho. Vem o John Paul Jones dos Led Zeppelin, o Steve Hackett dos Genesis e mais uns quantos a quem ainda tenho que ligar. Só aqui para a gente da terra. Nada de mais, que o pessoal gosta é de tocar e beber umas cervejas ali na praia.”
Dou connosco a fazer uma experiência de som com um CD que andava ali por cima da mesa: Jeff Buckley – “Sketches (For My Sweetheart the Drunk)” escrito a marcador.
- Boa, Jeff Buckley!
- É verdade. Foi ele que me mandou este para eu ouvir, antes de ser editado. Sou muito amigo dele.
- Mas ele morreu…!
- Pois, mas continuo muito amigo dele.
Às tantas da manhã, já com o cansaço a ganhar-nos aos pontos, foi para o Steinway & Sons lá da casa e tocou que se fartou.
Engraçado, como, de vez em quando, algumas provas de amor me fazem pensar que ainda é possível mudar qualquer coisa neste mundo.
quarta-feira, março 31, 2004
Passeio de Amor.
O caminho que me vai levando é o mesmo que te traz. Não é preciso saber o das pedras para me perder nas tuas palavras. O tempo, passei-o demasiado depressa. O sabor que me guia é apurado nas saudades que levitam à minha volta.
O Amor, por aqui, é sempre a subir. Lá em cima viras para a minha direita. É que já tenho este braço dormente e o teu peito não me pode faltar.
terça-feira, março 30, 2004
Amor Rasgado.
Alguém disse do Estranho Amor:
Primeiro estranha-se e depois estranha-se outra vez.
Este foi um dos melhores elogios recebidos até agora.
Subscrever:
Mensagens (Atom)