terça-feira, março 23, 2004

Amor ou Muerte.

Vou ficar por aqui a guardar o que te traz. O que é teu e muito mais meu. Vais sem partir, para onde julgas encontrar o descanso que me roubaste. Procurar uma paragem cálida pedindo antes que não seja a do meu coração. Roubas o sorriso ao Sol que só te pode fazer ainda mais perfeita. Vais espalha-lo por quem sacrificou gente por Deusas que agora te invejam.

Uma Cuba livre por favor, dessas onde o peso da distância me deixa mais pobre. Com muito gelo, que este é um Sol de demasiada dura.

domingo, março 21, 2004

Volta de Amor.

São sítios que um dia vou percorrer sem pressa. Sem mágoa. Sem me cansar. Sem saber para onde me virar. Sem escolher. Sem parar de dar contigo.

sexta-feira, março 19, 2004

Diz farsa Amor.

Com palavras que não são as que quero, digo-te ninharias que despoletam as tuas. A candura dos teus olhos desarma-me. Esvaio-me num véu de rubor, fluo leve, até aos teus passos.

Olha o Amor.

A primeira imagem nunca se esquece. A do Estranho Amor é esta. A partir de agora, os sonhos daqui vão ser a cores ou não. De olhos bem fechados, se quiserem.

quinta-feira, março 18, 2004

Reza de Amor.

Picadas de sonho esvaziam-me os importunos. Sopras para longe o que a tua falta traz. O que me basta é tão pouco que confundo cada sorriso teu com a compaixão que nunca irei merecer.

Felizmente, tudo o que me assalta não te toma.

Sem sorte ao jogo de Amor.

Junto a ti o medo de ver partir a minha sorte, num encolher de ombros sorridente. Como quem diz “olha-me este, que nem para as encomendas do seu próprio coração chega”.

quarta-feira, março 17, 2004

Foi um Amor que lhe deu.

A vida resume-se a uma transposição de convenções.

A nudez não passa de uma mostra de todas as inseguranças. A intimidade não é uma troca, é antes o que mais nos aproxima do grande. É o abandono momentâneo de nós mesmos onde passamos a ser a profundeza de tudo. Vamos debicar onde guardamos coisas como a resistência infinita de ver morrer um dos nossos.

terça-feira, março 16, 2004

Amor de lavado.

Dormi na mesma cama entre os dois e os 27 anos. Para além de me ter visto crescer demasiado depressa, apadrinhou-me os primeiros sonhos de toda a espécie.

Devo-lhe muito do que guardo para a que me embalará.

segunda-feira, março 15, 2004

Amor com chave de ouro.

Olho-te como se fosses a casa do que não sabia que guardava. A sete chaves, um Amor sem saída para a loucura que não se importa.

A cor do teu cabelo entra pela janela, quente e abundante. Tanto assim, que muitos correm nem que seja só por um pouco de ti. Sabendo que, mesmo esse, é mais do que o bastante.

Amor mais nada.

É de levezinho que o silêncio toma conta do que lhe interessa. Para o bom ou para o melhor, este irrompe de forma tépida o que já não importa.

Uma discussão de madrugada, um diálogo que há muito pede um beijo, um olhar para o livro que nem sempre se abre no óbito do dia.

Alguém disse
“O homem leva um ano a aprender a falar e o resto da vida a aprender a calar-se”

sexta-feira, março 12, 2004

Amor proteccionista.

O filho de 3 anos de uma amiga é surpreendido a analisar uma tomada eléctrica com os dedos:

“Não mexas aí! Podes morrer.”

“Mãe, o que é morrer?”

“Morrer é tudo preto.”

Ou como diz Umberto Eco:
“Normalmente, as explicações mais simples são aquelas que mais se aproximam da verdade.”

quinta-feira, março 11, 2004

Por Amor sabe-se lá de quê.

É em alturas como as do atentado de Madrid que relembro o nosso Fernando Pessoa “O homem é uma espécie doente”.

Pergunto-me por que é que o desejo de morte não morde antes a mão de quem o alimenta.

Amor diferido.

Vazio, como um dia de idade demasiado avançada, é o que ganhamos em não nos vencermos. Simples é adiar o que sabes infalível.

Difícil é sustermo-nos pelas mãos a que já nem reconhecemos pertencer. Como se segurassem a vida num esforço de alma já enodoada e dorida.

Quero-te como se esta vontade fosse um instinto. É de muitas nascenças que a minha boca te conhece.

quarta-feira, março 10, 2004

Amor resignado.

Tento muitas vezes apaixonar-me como dantes. Acabo sempre a rir de mim próprio, como se pudesse ver de fora o que nunca ninguém sentiu por dentro.

Parecem-me todas vazadas da graça mínima admissível. Como se de repente o mundo acordasse de um sonho começado antes de nós. E eu desperto para esta realidade demasiada. A sorte da tua entrega confunde-se com o azar do nunca te dever ter conhecido.

Resta-me sorrir para o tempo que sobra. Do bom e do teu. Como se a tontaria me tivesse tomado de um trago.

Abençoados sejam aqueles que pensam amar muito, sem nunca o terem sentido de verdade.

terça-feira, março 09, 2004

Amor de pai, Guiné 1968/1970.

A família é o mais importante. É o último e o primeiro cais. É para onde se deve ir quando não estamos cá nem lá.

Com o tempo aprendemos a recuperá-la. Pelo sangue e pela carne das refeições de criança em casa de quem já foi. Ficaram os restos e melhoraram, crivados pelo coração e pela luz do Sol que vemos a mais.

Beijo a minha mãe e o meu irmão mais novo todas as semanas, pelo menos uma vez. O meu pai não o beijo desde 1995 mas vejo-o muitas vezes, de olhos abertos ou dormentes pelo silêncio da ausência.

Às vezes encontramo-nos noite adentro todos juntos em casa da minha Avó Maria, que não beijo desde 1998, e do meu Avô Pedro, que não beijo desde de 1981. Ao almoço, o galo de cabidela serve a minha Primavera em travessas de Domingos solarengos de sorrisos, alegrias e histórias doutras meninices.

domingo, março 07, 2004

Amor flamante.

Já é tarde para salvar mais do que o corpo. Não sei onde acaba o meu e onde começa o nosso toque a rebate.

Quebro, neste caso incontrolável de incêndio, tudo o que julgava extinto. Procuro obsessivamente algo que não te faça parar de avançar.

Bons ventos te tragam.

Vejo agora que é no paraíso que as maiores labaredas se alimentam.

Amor descafeinado.

Restam as borras do que sonhámos no fundo da alma. Receptáculos do aroma, do sonho e de tudo de bom já despendido, apenas eu e elas num consumo sem estabelecimento.

Aos Sábados arrumo a casa, sempre por arrumar. A que não quiseste comprar, na morada da companhia da solidão.

Nisto, fecho um livro de ontem aberto numa página manchada. Não sei se de água, se de lágrimas ou só de amor.

sexta-feira, março 05, 2004

De manhã começa a ser tarde.


O meu coração é o cadinho por onde escorres as lágrimas de sal dourado.

Durmo contigo para poder ficar vulnerável. A beber o silêncio dos sorrisos fatigados e entorpecidos. Do depois e do acalmar. Como a presa na boca da loba. Como a paz do fim. Como quem finge ou como quem foge.

quinta-feira, março 04, 2004

Indisponível para o Amor (estranho).


Vários acidentes em simultâneo, como por exemplo o envelhecer dia-a-dia, deixam-me às vezes sem o vagar que o Estranhoamor pede.

O mau tempo perdido ontem pela madrugada adentro teve o alto patrocínio do w32.blaster.worm e da Symantec. Aos dois o meu muito obrigado. Aproveito também para agradecer à minha mãe e para dizer que não existem armas de destruição massiva no Iraque.

quarta-feira, março 03, 2004

Amor - Latitude: 17° 14' N - Longitude: 21° 33' L.


Perguntam-me se desisti. Respondo que não e que não é meu costume levar por diante a renuncia. Perguntam-me “Então?”

E então, o que tiver que ser, sarará.
O que é teu, a mim sobejará.
O que é nosso, ninguém dirá.
E então, o que é meu, se renderá.

A tua respiração aquece já a metamorfose húmida e febril do enlace que se adivinha.

A única coisa que me abstém é a espera pelo melhor, como quem retém um último gole para se salvar no deserto.

Das fraquezas reza a história.

terça-feira, março 02, 2004

Pequena hora de Amor.


Leves provocações polvilham o nosso dia. Este feito é primoroso no teu sorriso e atroz na partida que não deveria ser pregada à que nos espera. Uma reciprocidade de palavras imprecisas, com e sem o nosso nexo, vai mal disfarçando o compromisso com o sonho ainda por acordar.

Chega-me aí essa palavra que é tão parecida com amo-te, se fazes favor.

segunda-feira, março 01, 2004

Encontro.


Passo pelo Ryuichi Sakamoto no moto.tronic e concluo mais uma vez, que sou eu que tenho o maior amor que algum dia poderás encontrar.

sábado, fevereiro 28, 2004

Antes que seja cedo.

São tantos os beijos que ficam por te roubar. Cada palavra tua é um desperdício de pulsação.

Às vezes penso na tua pele marcada pela idade e na beleza estonteante já fatigada. Penso nos anos que são agora e que serão passado nesse futuro. Todos os afagos são agora lisos. Todas as recordações serão pregas de saudade e susto.

Beijar-te-ei agora mesmo.

Será tarde quando me lembrar de não parar.

sexta-feira, fevereiro 27, 2004

Humor perfeito.

O chefe pede-me para procurar na internet uma imagem de uma mulher linda, semi-nua, com fato de macaco e pode estar levemente encardida de óleo.

O meu trabalho? Sou publicitário. E gosto. E o que acabei de descrever é a mais pura verdade. E pagam-me. E não é mal.

Às vezes fico demasiado bem humorado para manter este blog.

Perco-me na demora.

Estou sempre à tua espera. Mesmo quando tenho tudo, continuo à tua espera.
Como se não me restasse mais nada a não ser a tua presença ou a tua ausência.
Como se tudo se resumisse ao arrebate de te ver e ao frio medular que me percorre. Sem pressa como se vindo dum pano humedecido na fronte do delírio.

Desde que sei distinguir o bem do mal que aguardo a ambivalência de nenhum dos dois conseguir usar.

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Pela tua boca morrem todos os que te cruzam.

INJUSTIÇA
adjectivo

- que não é justo;

- oposto à justiça;

- iníquo;

- desrazoável;

- infundado;

- inexacto;

- inadequado;

substantivo masculino
aquele ou aquilo que não é justo;

(Do lat. injustu-, «id.»)

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

A Ruptura.

A ruptura de tudo o que conhecemos é hoje. Se não for, há de ser amanhã, senão fica para a semana. Ou para depois. Qualquer coisa, qualquer dia há de acontecer. E a partir daí nada mais será como dantes.

Até lá, vivam as músicas que iremos ouvir, os filmes que estão por fazer, vivam as letras dos versos ainda por arrumar e vivam os beijos que iremos dar.

Se calhar, a ruptura és tu e já foste ontem. E hoje e sempre.

E agora?

Matas-me de Amor.

Gosto de ver alguém a brincar com o fogo. Em malabarismos aparentemente seguros, pequenas flamas rodopiam e encandeiam os olhares. Mergulho num pequeno transe: meia pirueta e mortal com saída quase de maca.

As chamas que ateias por debaixo do coração não são de mais. O controlável é assim que se faz. E o outro é assim que começa.

Sinais do teu fumo dizem-me que trazes uma arma por carregar. Munições tenho eu e tu mesmo aqui à mão de semear.

O gatilho embaciado pelo calor do teu indicador.

O fogo incendeia o recato. A brincar.

terça-feira, fevereiro 24, 2004

Amor desmascarado.

Já foi. O fim-de-semana para descanso do sonho de sempre acabou. Bem-vinda realidade que tanta ficção ofereces. Vaza-se o cansaço para logo se encher o peito. O nosso e, com sorte, o de outrem.