segunda-feira, fevereiro 16, 2004

Post sem a palavra “Amor” no título.

Curioso, nem assim consegui. Adoro as rotinas que nunca se repetem.

domingo, fevereiro 15, 2004

Amor leve.

As palavras que nos enliçam são tudo menos claras. Falamos do tempo quando queremos falar do que não temos. Falamos de roupas quando queremos provar a falta das nossas. Falamos de estudos enquanto nos vamos decorando.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Cais de Amor.

Lembro-me te ver chegar e de pensar na sorte que nunca tinha tido. De te ver sorrir e não acreditar que eras para mim. Decorei-me para sempre com a tua roupa. Tantas nuvens, tanta chuva e aquele dia que me parecia o melhor de todos os que me restavam.

Amor sem lenços de papel.

A maquilhagem só serviu para atenuar a verdadeira beleza do teu rosto. Os teus olhos não gostaram da sombra do desengano. As lágrimas esboroam-te a vaidade e denunciam o que me vai manchando o peito. Os teus cabelos na minha boca dão-me a paz egoísta que te falta.

A braços com os nossos corpos, fico à espera que leias as certezas que te faltam nas palmas das minhas mãos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

Amor em perigo de ignição.

Uma força latente junta-nos. Gosto de ti ao de leve, ainda sem estar apaixonado. Triângulos amarelos com centelhas de alta tensão povoam-nos. A energia alterna, ainda domada, com um falso repouso. Perigo de pequenas mortes vislumbram-se.

A compaixão que tenho por ti faz com que o fulgor seja ainda só meu. Uma vez solto, já nada mais nos valerá.

O que nos espera é um estrondo de desejo. Uma selvajaria a pulsar-nos dentro sem controlo. Ar comprimido, água-ardente, fogo pesado e uma terra que, Deus queira, um dia será a nossa.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Amor sem mais nada.

Foi o que te pedi. O que nunca recebi. Foi passado o tempo e passando o desejo. Com orgulho, a inércia tomou conta de nenhuma ocorrência. Garrafas por abrir, livros por fechar e tanto encanto por arrumar.

Estranha intimidade.

Amor com grão na asa.

Li num documento oficial: “…atingiremos, assim, uma sociedade mais etilizada…”

Trocar elite por etílico é superior. Um verdadeiro erro certo.

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Amor em questão.

Não é uma questão de quantos amaste na vida. É antes a importância do Amor que cada um não foi capaz de te dar.

Não importa o número de beijos dados, mas sim quantos olhos fechados pela perdição te enfrentaram.

Alguns ganharam. Todos se perderam.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Eco de Amor.

Rebekah Del Rio em Llorando - Banda sonora de Mulholland Drive.

Uma noite num teatro cheio de nada e de tanto. Uma voz só. O Amor cantado.

domingo, fevereiro 08, 2004

Amor estafado.

Tomo um pequeno almoço na Pastelaria Alcântara, um sítio cercado por vários locais de perdição nocturna. Vejo um casal vestindo marcas de desporto pouco saudável. A noite passada em exercícios de estilo e de excesso foi tudo menos boa conselheira para estas duas vítimas. Uma discussão ridícula vai subtraindo o brilho dos sapatos e denunciando o dos olhos.

"Por favor, é mais uma garrafa de água e duas parras."

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

Amor calado sumariamente.

Nunca te vi conforme devia. As cores que te regam vão ofuscando o que me poderia elucidar. O teu olhar chega e reconforta-me com incertezas. Pergunto onde vou colher tanto do que me passa pelo ruinoso juízo que ainda vais permitindo.

Normal seria os doentes de síncopes e sopros sorrirem como se fosses soberana da graça e da desgraça.

Amor apalavrado.

Pela boca morrem e nascem as evocações. Palavras que não pedimos nem encomendámos são sopradas com sorte. Não são nossas mas somos nós que as guardamos para sempre.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

Soletrar o Amor.

A nossa vida vai-se escrevendo com cada uma e com todas as paixões iniciais.

Amor indisciplinado.

Não gostava de perceber que te vou ganhando num descompasso de sorrisos e olhares. Daqui a pouco fico emparedado na secura da tua falta. Teria sido bom que não me tivesses achado o que viste.

Que a nossa falta não se torne numa presença angustiante e assídua. Não arrisques, nem sequer te afoites a voltar a olhar para mim. A tua boca tomará o gosto dulcíssimo do costume, e depois não nos sobejamos.

Eu já sabia, assim que te vi, que nada mais restaria senão rezar para que a química não encontrasse a física.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Bons ventos de Amor.

Afazeres profissionais levaram-me até Madrid. De volta, aproveito para relembrar uma máxima do meu amigo Manuel que vive em sevilha (é o designer gráfico responsável por todo o grafismo da Cavalo de Ferro):

Amor adiado é Amor perdido.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Amor estrategicamente extraviado.

Quantas caixas de juventude ainda te restam? Quantas? Daquelas onde guardaste o primeiro bilhete de emoção estonteante. Das que misturam o mapa do metro de Londres com a lata duma madeixa cortada pela inocência e pelo sonho.

Postais com corações encarnados misturados com cartas do liceu nunca lidas pelo pai com faltas da mesma cor.

domingo, fevereiro 01, 2004

Amor revisitado.

Dostoievsky disse que “Nada há de mais belo e que mais fortaleça a vida do que uma recordação pura.”

As recordações aparecem sem aviso e acompanhadas de sentimentos passados. Batem-nos e entram direitas a espiolhar as gavetas onde guardamos os lenços, por exemplo.

O tempo vai retirando-lhes os acessórios para que fiquem despidas de tudo menos do que importa repassar.

Adoro quando alguém aparece e me devolve o passado, limpo e polido. Na altura em que era presente muito me distraía. Agora, nada me tira o que vou guardando nas minhas sete quintas.

Amor cinzento.

Reparo com alguma tristeza, que grande parte das pessoas que se cruzam comigo em fatos de executivo, deviam carregar um cartaz “Will work for love”

sexta-feira, janeiro 30, 2004

Camarote de Amor.

Observo-te, sentado numa muralha que me protege de mim próprio. Agora sei que nunca beijei ninguém. Percebo que tenho andado toda a vida a treinar para esta hora que te trouxe. Tudo o que conheço apresenta-se com rodeios.

Conheci amores que vejo agora terem sido um equívoco. Uns afáveis desperdícios que me deram muito menos que só um dos teus sorrisos.

De manhã, se reparares, tudo paira entre os teus lençóis ainda mornos e o meu desejo de um dia estar na tua pele.

Sei que Deus vai sempre espreitar o arranque dos teus dias. E sorri.

quinta-feira, janeiro 29, 2004

Amor onde é realmente importante.

Num aniversário em casa de um amigo, o seu pai confidencia-me:

- A pior coisa que aconteceu a Portugal foi o 25 de Abril.

- Sim?! Porque é que diz isso?

- Porque isto estava mal e quem o fez só aproveitou o que de pior havia antes.

- E a conquista da liberdade?

- Para que é que isso serviu? Olhe, na fábrica onde trabalhava, estava eu a assistir a um plenário quando um dos intervenientes se saiu com esta:

“Camaradas, temos finalmente uma sociedade sem classes” – 2 minutos de vivas e ovações – “Viva a classe operária”.

Para que saiba, saí logo daquela multinacional de estupidez e fui para casa a pensar na minha vizinha que tinha um peito avantajado. Pelo menos mantinha-me distraído.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

Amor procura-se.

Musa inspiradora, com alguma experiência, que saiba beijar a grandeza que se lhe vai deparando. Não precisa de saber a lida das vozes caladas pelo espanto e pelas letras arrumadas em verso.

Basta ficar na quietude de quem conta com ela para o júbilo que nunca será de quem a ama.

terça-feira, janeiro 27, 2004

Encontrou-se Amor.

Perdido. Vestia qualquer coisa que a minha atenção dispensou em detrimento do primeiro olhar. Uma invasão tomou-me de assalto os movimentos. Primeiro os voluntários, como os que vêm dos olhos ou os que vão para o coração. Como um veneno que não ofende, senti o torpor duma paixão a transbordar.

Tamanha a colhida, que nem sei o que fazer com esta gema que me vai delapidando a razão.

É grande a recompensa para quem consegue provar a vida de quem nos a dá.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Amor ao vivo.

O som do que nunca me tocaste.

Amor contundido.

O que me vai no peito entorna-se à minha volta. O ar que me cerca derrama-se constantemente em chuva, lágrimas ou suor destemperado. Umas mãos, a mando das tuas, apertam-me como quem força uma mala a transbordar de sonhos incompletos.

Amor muito junto.

Quando era mais novo visitava regularmente um lugar que era um pouco de paraíso na minha terra. Um pequeno lago, com 3 metros de diâmetro ladeado por um bebedouro de gado e 3 sobreiros muito inclinados pelo vento.

O lago era guardado por todas as ervas e flores que as ciências reconhecem. Pequenos peixes às cores, rãs e pássaros sedentos davam vida ao que na altura me parecia natural.

Não sei se ainda existe. Ia lá sonhar e enterrar desavenças de namoro.

Deus tinha tocado ali sem se aperceber. Era no sopé da Serra do Montejunto. Hoje, aqui de Lisboa, fecho os olhos e, às vezes, ainda lá vou enterrar um desgosto ou rever o que alguém me deu sem saber.

sábado, janeiro 24, 2004

Amor, 4:30 AM.

Sonhar. Contigo e contudo de olhos bem abertos.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Amor voador.

Passei de manhã pelo saco de plástico do filme American Beauty. Esvoaçava num passeio em Entre Campos. Cheio de um vazio que o elevava aleatoriamente. Nós às vezes também temos que nos esvaziar do funesto para voltarmos a encher os dias de sol.

Amor imprevisto com canela e açúcar s.f.f.

Tantas vezes o cântaro vai à fonte e é raro partir-se. Às vezes esquecemo-nos daquilo a que se chama “os imponderáveis”

Para o caso, um imponderável desejado. São estes que nos sorriem no espanto e nos espantam na saudade.

Troco de bom grado, uma falha matinal na bateria do carro e uma revista esgotada, por um encontro com quem sonho nos Pasteis de Belém.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Amor perfeito III.

”Perfect day” de Lou Reed ecoa nas prateleiras vazias. Como uma premonição, sujeito-me a sorrisos passageiros e a perfumes com a leveza de quem sai de um elevador pela manhã.

Nada como aproveitar-te para selar os caixotes de desagrado. Valer-me das tuas palavras de ontem para espantar o bom diabo no corpo que há de vir.

Agora não. Depois.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Amor knock out.

Hoje foi um dia mau. Uma daquelas pequenas mortes que nos arrasam de vez em quando abateu-se deste lado do céu. Do tapete, tento levantar-me agarrando os elásticos que se esquivam. A perna direita e a mente torcida. Um sorriso de embriaguez e a toalha exausta a voar.

Resta-me a enfermaria do tempo, que a esta hora já trata o olho escuro e a clara desilusão.