Interlúdio. 
Os primeiros sintomas não são sempre desprezíveis ou comuns. São coisas como a procura de contacto, como quem não quer, ou percebe, que é de propósito. Ah, esse pequeno encosto de braços ou ombros a meio de uma conversa, por entre a troca de sorrisos de quem conta uma palermice ou mostra uma fotografia do que já foi!
Tivesse eu a certeza que é de propósito e começava já a sofrer. O mais provável é não ser, ou não passar de mais uma coisa cá dentro, daquelas que já nem me lembro que existem.
Começar já a sofrer parece-me bem.
Por mera coincidência – dizes tu, por mera ruína – digo eu.
A sofrer é que eu me entendo com a tua imagem no meu peito. E até tenho inveja das varinas que não se envergonham de levar isto à letra, com aquelas medalhinhas de ouro e um amor esmaltado a sépia.
Fotografia: Eric Traore